Ucrânia rejeita visita de presidente alemão
Governo ucraniano diz que Frank-Walter Steinmeier não é bem-vindo em Kiev e diz esperar visita de Scholz. Presidente alemão é alvo de críticas por postura pró-Putin que assumiu quando foi ministro do Exterior.Um importante assessor do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, disse nesta quarta-feira (13/04) que Kiev aguarda uma visita do chanceler federal alemão, Olaf Scholz, e que deseja que ele concorde em enviar mais armas à Ucrânia. A afirmação ocorre um dia após o governo ucraniano ter rejeitado uma visita ao país do presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier.
Steinmeier admitiu nesta terça-feira, durante visita à Polônia, que se ofereceu para visitar a Ucrânia juntamente com outros líderes da UE, mas Kiev lhe disse que ele não era "bem-vindo no momento".
O chefe de Estado alemão planejava se juntar a uma viagem realizada pelo presidente polonês, Andrzej Duda, em conjunto com seus colegas de Estônia, Lituânia e Letônia, visando enviar "um forte sinal de solidariedade europeia conjunta com a Ucrânia".
O embaixador da Ucrânia em Berlim, Andri Melnyk já havia criticado duramente o presidente alemão por suas conexões com a Rússia e seu papel de liderança na melhoria das relações com o presidente russo, Vladimir Putin, quando ele era ministro do Exterior do governo de Angela Merkel, entre 2013 e 2017.
Steinmeier foi um membro proeminente de uma ala do Partido Social Democrata (SPD), liderada pelo ex-chanceler federal Gerhard Schröder, que argumentava que laços econômicos estreitos com a Rússia eram uma maneira de ancorá-la dentro de um sistema global orientado para o Ocidente.
Entretanto, após a invasão da Ucrânia, Steinmeier reconheceu ter errado e admitiu que deveria ter ouvido os alertas de países do Leste Europeu em relação à sua política de aproximação com Moscou.
Afronta diplomática
A sanção ucraniana a Steinmeier foi vista na Alemanha como uma afronta diplomática. "A declaração do governo ucraniano de que uma visita do presidente alemão é atualmente indesejável em Kiev é lamentável e não está à altura das relações estreitas e crescentes entre nossos países", disse o líder da bancada parlamentar do SPD, Rolf Mützenich.
O conselheiro presidencial ucraniano, Oleksiy Arestovych, disse à televisão pública alemã na quarta-feira que não foi a intenção de Zelenski ofender Berlim. "Acho que o argumento principal foi outro: nosso presidente está esperando o chanceler [Scholz], de forma que ele tome decisões práticas diretas, incluindo envio de armas", disse ele à emissora ZDF.
O presidente alemão tem um papel, em grande parte, cerimonial, enquanto o chanceler federal lidera o governo.
Arestovych disse que o destino da cidade portuária estratégica de Mariupol e da população civil do leste da Ucrânia "depende das armas alemãs que conseguirmos", mas que isso não foi prometido. Arestovych afirmou que o tempo é essencial porque "a cada minuto que um tanque não chega, são nossas crianças que estão morrendo, sendo estupradas, mortas".
Pressão sobre Scholz
Scholz está enfrentando pressão interna crescente para aumentar o apoio à Ucrânia diante da invasão russa, que já dura sete semanas e já tirou a vida de milhares de civis.
O chanceler, como Steinmeier, um social-democrata, inicialmente respondeu ao ataque russo prometendo uma reviravolta dramática nas políticas alemãs de defesa e externa, incluindo um aumento maciço nos gastos militares. Mas até agora tem rejeitado os pedidos para seguir outros líderes da UE e fazer uma visita a Kiev, além de se recusar, principalmente por razões históricas, a enviar armas pesadas para a Ucrânia.
A Alemanha até agora enviou armas defensivas, incluindo armas antitanque, lançadores de mísseis e mísseis terra-ar em resposta ao conflito. A postura acentuou as tensões dentro do governo de Scholz, com ministros do Partido Verde - integrante da coalizão de governo, junto com SPD e o Partido Liberal Democrático (FDP) -, pedindo mais envios de armas.
Scholz também tem sido pressionado para visitar Kiev, depois que diversos líderes europeus estiveram nos últimos dias na capital ucraniana, entre eles, o premiê britânico, Boris Johnson, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
md (DPA, AFP)