Ucrânia envia comida por drones a cidade sob cerco da Rússia
A Ucrânia enviou quatro toneladas de alimentos via drones à cidade de Oleshky, ocupada pela Rússia, onde cerca de 6 mil civis enfrentam fome e frio extremos devido a um bloqueio militar total. Kiev acusa Moscou de impedir a ajuda humanitária e a evacuação de civis, enquanto relatos indicam que moradores comem ervas para sobreviver em uma área cercada por minas e combates. O Kremlin reconhece a crise, mas culpa ataques ucranianos, mantendo estagnadas as negociações mediadas pela ONU.
Kiev afirma que 6 mil pessoas estão "morrendo de fome e frio", e acusa Moscou de impedir evacuação de civis e envio de ajuda humanitária.As forças ucranianas entregaram 4 toneladas de alimentos por drone de carga à cidade de Oleshky, que está bloqueada há meses sob ocupação russa no sul do país, informaram as autoridades neste domingo (27/09).
A Rússia mantém cerca de 6 mil pessoas na cidade, incluindo quase 200 crianças, afirmou o ministro ucraniano do Exterior, Andrii Sybiha. Segundo ele, as pessoas estão "morrendo de fome e de frio" sob o "bloqueio total" das tropas russas.
"As forças de ocupação não estão permitindo a passagem de ajuda humanitária. Estamos negociando uma evacuação há muito tempo [...] e a Rússia não responde", afirmou.
O Kremlin admitiu que Oleshky enfrenta problemas críticos com comida e suprimentos médicos, mas assegurou que seus militares estavam trabalhando para resolvê-los.
Ucranianos de Oleshky estão comendo mato para não morrer de fome
Em reportagem publicada neste domingo, o The Guardian afirma que não se sabe quanto da comida entregue pela Ucrânia de fato chegou a seu destino ou foi interceptada por militares russos.
Segundo o jornal britânico, moradores estariam comendo ervas daninhas para não morrer de fome, e cadáveres estariam sendo abandonados nas ruas porque os moradores temem ser atingidos por drones.
Organizações humanitárias vêm alertando há muito tempo para a situação humanitária em Oleshky, localizada na margem sul do rio Dnipro. A capital regional, Kherson, controlada pela Ucrânia, fica a apenas 9 quilômetros de distância, mas a linha de frente passa entre as duas localidades.
Após anos de bombardeios mútuos, a área ao redor de Oleshky está fortemente minada, tornando extremamente perigoso deixar a cidade em qualquer direção. Segundo a ONU, a última loja fechou em janeiro. Nenhum alimento chegou à cidade desde maio.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, reconheceu a gravidade da situação no início da semana passada, mas acusou o exército ucraniano de impedir a entrega de alimentos a Oleshky por meio de ataques de drones. A Ucrânia, por sua vez, acusa a Rússia de usar os civis como escudo humano.
O governador da região ucraniana de Kherson, Oleksandr Prokudin, afirmou que as forças de ocupação estavam maltratando moradores que tentavam recolher os lançamentos de ajuda humanitária enviados pela Ucrânia. "Eles são obrigados a sobreviver sem comida, eletricidade ou água", escreveu no Telegram.
"Não houve nenhum avanço na evacuação organizada discutida há vários meses nem em relação a um possível cessar-fogo local para permitir que os civis deixem a área", declarou na sexta-feira Danielle Bell, chefe da missão da ONU de monitoramento dos direitos humanos na Ucrânia, em nota à agência de notícias Reuters. "Não temos informações sobre em que ponto ou por que as discussões foram interrompidas."
ra (dpa, Reuters, ots)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.