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Trump enfrenta veredicto das urnas em eleições de meio de mandato com controle do Congresso em jogo

3 nov 2026 - 08h15
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Resumo
Nas eleições de meio de mandato dos EUA, o controle do Congresso está em disputa sob forte avaliação do governo Trump. Prejudicados pela impopularidade do presidente, inflação e tensões com o Irã, os republicanos enfrentam desvantagem histórica. Pesquisas indicam provável vitória democrata na Câmara dos Deputados, enquanto o Senado segue indefinido. Com margem estreita para erros, uma vitória da oposição pode impor investigações e bloquear nomeações de Trump, que já questiona o processo eleitoral.

Eleitores norte-americanos darão seu veredicto sobre os dois primeiros anos do segundo mandato ‌do presidente Donald Trump nas eleições de meio de mandato desta terça-feira, com pesquisas e analistas apartidários apontando que os democratas devem conquistar a Câmara dos Deputados, atualmente nas mãos dos republicanos, enquanto o controle do Senado permanece incerto.

A batalha pelo Senado se desenrola em quase 10 disputas estaduais acirradas, a maioria em redutos republicanos.

A história está contra os republicanos de Trump: o partido do presidente perdeu terreno no Congresso em todas as eleições de meio de mandato desde a Segunda Guerra Mundial, com exceção de duas. O ⁠índice de aprovação de Trump oscila perto de seus níveis mais baixos de todos os tempos, prejudicado pela profunda frustração dos eleitores em ‌relação à guerra com o Irã e ao consequente aumento nos preços dos combustíveis.

Não há dúvida de que a eleição deste ano gira em torno de Trump, figura política central dos EUA durante a maior parte da última década. O próprio Trump disse ‌repetidamente a seus apoiadores para "fingirem que estou na cédula", uma mensagem que os líderes ‌democratas repetiram com prazer.

O presidente tem buscado mobilizar sua base com mais de duas dúzias de comícios de campanha desde ⁠o início de outubro, a grande maioria em Estados onde venceu com facilidade em 2024, o que ressalta até que ponto os republicanos estão na defensiva.

Liderados por Trump, os republicanos têm retratado os candidatos democratas como radicais, antiamericanos e até mesmo comunistas.

"O Partido Democrata indicou a chapa de candidatos mais extrema e perigosa da história dos Estados Unidos", disse Trump na segunda-feira durante um discurso em Washington.

Mas as pesquisas de opinião mostram que os eleitores estão mais preocupados com o custo de vida e desaprovam a maneira como ‌Trump tem lidado com a questão, depois que sua política de tarifas generalizadas e sua decisão de atacar o Irã em fevereiro aumentaram os ‌preços. Os candidatos republicanos, por sua vez, ⁠têm enfrentado dificuldades para se distanciar ⁠de um presidente que exige lealdade e raramente reconhece erros.

Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Deputados dos EUA estão em disputa, juntamente com ⁠35 das 100 cadeiras do Senado, embora a maioria das disputas não seja ‌considerada acirrada. Os democratas precisam conquistar pelo ‌menos mais três cadeiras na Câmara e quatro no Senado para obter a maioria em cada uma das casas.

Uma Câmara ou um Senado democrata poderia iniciar investigações sobre o que os democratas descrevem como negociações em benefício próprio por parte do governo Trump e exigir concessões para aprovar projetos de lei.

Um Senado democrata também teria o poder de bloquear nomeações de ⁠Trump, incluindo indicações para a Suprema Corte dos EUA caso surjam vagas.

Mas, embora os democratas tenham colocado os republicanos na defensiva em grande parte de seu território, eles têm pouca margem para erros. O partido precisa defender todas as suas cadeiras atuais, incluindo uma disputa acirrada em Michigan, ao mesmo tempo em que precisa vencer em pelo menos dois Estados que votaram em Trump por uma margem de dois dígitos há dois anos: Alasca, Iowa, Kansas, Nebraska, Ohio, ‌Carolina do Sul e Texas.

Pesquisas de opinião mostram os democratas, em todos esses Estados, ou com uma vantagem estreita ou em uma posição que lhes permite disputar a vitória.

DEPARTAMENTO DE JUSTIÇA DE TRUMP INTERVÉM

Há 47 disputas pela Câmara dos Deputados dos EUA amplamente ⁠consideradas acirradas, de acordo com uma análise da Reuters baseada nas principais previsões eleitorais. Se todas as outras disputas ocorrerem conforme previsto, os democratas precisariam vencer apenas 13 dessas para garantir a maioria.

A disputa pela Câmara tem se dado principalmente em território republicano, incluindo alguns distritos onde Trump venceu por uma margem de dois dígitos em 2024. Uma iniciativa republicana apoiada por Trump para redesenhar os distritos em vários Estados, a fim de torná-los mais seguros para o partido, parece não ter rendido os ganhos que a Casa Branca esperava.

Os democratas alertaram que Trump, que há muito tempo alega falsamente que as eleições nos EUA são fraudadas, pode tentar contestar os resultados desta terça-feira caso os republicanos percam.

Além de processo no Alasca, o Departamento de Justiça de Trump também entrou com uma ação na Califórnia para bloquear cédulas que, segundo ele, podem ser inválidas — um rompimento com décadas de prática destinada a isolar as eleições da influência política. Na segunda-feira, a Suprema Corte dos EUA rejeitou o pedido do governo para uma liminar no caso.

Três dúzias de disputas para o cargo de governador também ocorrerão na terça-feira, bem como milhares de disputas legislativas em nível estadual e referendos sobre temas que vão desde o imposto sobre bilionários até os direitos ao aborto.

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