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Trump "ameaça a todos" com guerra no Irã, diz premiê alemão

27 mar 2026 - 20h31
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Merz se mostrou cético sobre desejo de EUA e Israel de forçar mudança de regime em Teerã. "Se for esse o objetivo, não acho que vão conseguir. Quase sempre isso deu errado."O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, acusou nesta sexta-feira (27/3) o presidente americano Donald Trump de "ameaçar a todos" em sua guerra contra o Irã.

O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz: "Esta não é uma guerra da Otan"
O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz: "Esta não é uma guerra da Otan"
Foto: DW / Deutsche Welle

"O que Trump está fazendo neste momento não é uma desescalada nem uma tentativa de alcançar uma solução pacífica, mas uma escalada massiva com um resultado incerto", disse o premiê durante um evento em Frankfurt organizado pelo jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung. "São escaladas ameaçadoras - não só para os atingidos, e sim para todos nós."

Prestes a entrar em seu segundo mês, a guerra no Irã se espalhou pelo Oriente Médio, com ataques do regime em Teerã e milícias aliadas a bases americanas na região e à infraestrutura de energia.

Em resposta aos bombardeios de Israel e Estados Unidos, o Irã estrangulou a produção e exportação de petróleo na região, provocando um caos econômico com efeitos globais - sentidos também na Alemanha.

"O objetivo realmente é mudança de regime?"

Apesar de criticar a campanha israelo-americana contra o Irã, Merz enfatizou que, a seu ver, "a causa" do conflito são "quase quatro décadas de regime terrorista em Teerã".

O premiê alemão também citou indícios de que o Irã dispõe de foguetes capazes de atingir a Europa. "São perigos sérios contra os quais temos que nos proteger."

Ainda assim, ele demonstrou dúvidas sobre a possibilidade de forçar uma mudança de regime - algo expressamente desejado por EUA e Israel.

"No momento, os americanos e os israelenses estão se envolvendo cada vez mais nesse conflito a cada dia que passa" afirmou. "Tenho grandes dúvidas sobre se há uma estratégia e se essa estratégia é realmente posta em prática com sucesso."

"O objetivo realmente é mudança de regime?", questionou. "Se este for o objetivo, não creio que vão alcançá-lo. Quase sempre isso deu errado."

Merz também descreveu um telefonema com Trump no domingo passado (22/3), após o americano criticar os aliados europeus da Otan, acusando-os de não ajudar os EUA no conflito.

"Eu disse a ele: 'Se você quiser nossa ajuda, então, por favor, pergunte-nos antes, e não através dos jornais. É uma atitude que nós não podemos simplesmente aceitar'", afirmou. "Acho que ele entendeu [que] esta não é uma guerra da Otan", acrescentou, referindo-se à aliança militar fundada por Washington no pós-guerra.

Merz, contudo, disse que prometeu a Trump ajuda da Alemanha para fazer a segurança dos navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. Ele também cogitou mobilizar as Forças Armadas alemãs para desarmar minas na hidrovia fechada pelo Irã.

"Isso nós podemos fazer [desarmar minas]. E se fomos perguntados, e isso acontecer no escopo de um mandato coletivo de segurança - digo, Nações Unidas, Otan, União Europeia - por decisão do Parlamento, isso é uma opção", disse, frisando que esse é um cenário hipotético, já que "aparentemente" o estreito sequer teria sido minado.

ra (dpa, Reuters)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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