Trump "ameaça a todos" com guerra no Irã, diz premiê alemão
Merz se mostrou cético sobre desejo de EUA e Israel de forçar mudança de regime em Teerã. "Se for esse o objetivo, não acho que vão conseguir. Quase sempre isso deu errado."O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, acusou nesta sexta-feira (27/3) o presidente americano Donald Trump de "ameaçar a todos" em sua guerra contra o Irã.
"O que Trump está fazendo neste momento não é uma desescalada nem uma tentativa de alcançar uma solução pacífica, mas uma escalada massiva com um resultado incerto", disse o premiê durante um evento em Frankfurt organizado pelo jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung. "São escaladas ameaçadoras - não só para os atingidos, e sim para todos nós."
Prestes a entrar em seu segundo mês, a guerra no Irã se espalhou pelo Oriente Médio, com ataques do regime em Teerã e milícias aliadas a bases americanas na região e à infraestrutura de energia.
Em resposta aos bombardeios de Israel e Estados Unidos, o Irã estrangulou a produção e exportação de petróleo na região, provocando um caos econômico com efeitos globais - sentidos também na Alemanha.
"O objetivo realmente é mudança de regime?"
Apesar de criticar a campanha israelo-americana contra o Irã, Merz enfatizou que, a seu ver, "a causa" do conflito são "quase quatro décadas de regime terrorista em Teerã".
O premiê alemão também citou indícios de que o Irã dispõe de foguetes capazes de atingir a Europa. "São perigos sérios contra os quais temos que nos proteger."
Ainda assim, ele demonstrou dúvidas sobre a possibilidade de forçar uma mudança de regime - algo expressamente desejado por EUA e Israel.
"No momento, os americanos e os israelenses estão se envolvendo cada vez mais nesse conflito a cada dia que passa" afirmou. "Tenho grandes dúvidas sobre se há uma estratégia e se essa estratégia é realmente posta em prática com sucesso."
"O objetivo realmente é mudança de regime?", questionou. "Se este for o objetivo, não creio que vão alcançá-lo. Quase sempre isso deu errado."
Merz também descreveu um telefonema com Trump no domingo passado (22/3), após o americano criticar os aliados europeus da Otan, acusando-os de não ajudar os EUA no conflito.
"Eu disse a ele: 'Se você quiser nossa ajuda, então, por favor, pergunte-nos antes, e não através dos jornais. É uma atitude que nós não podemos simplesmente aceitar'", afirmou. "Acho que ele entendeu [que] esta não é uma guerra da Otan", acrescentou, referindo-se à aliança militar fundada por Washington no pós-guerra.
Merz, contudo, disse que prometeu a Trump ajuda da Alemanha para fazer a segurança dos navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. Ele também cogitou mobilizar as Forças Armadas alemãs para desarmar minas na hidrovia fechada pelo Irã.
"Isso nós podemos fazer [desarmar minas]. E se fomos perguntados, e isso acontecer no escopo de um mandato coletivo de segurança - digo, Nações Unidas, Otan, União Europeia - por decisão do Parlamento, isso é uma opção", disse, frisando que esse é um cenário hipotético, já que "aparentemente" o estreito sequer teria sido minado.
ra (dpa, Reuters)