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'Vou descobrir como fazer um disco numa live', diz Marcelo D2

Rapper está criando novo álbum na Twitch e conta ao Estadão detalhes do projeto

2 ago 2020
05h10
atualizado às 11h15
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Marcelo D2 já fez rock, rap e samba. Mas nunca tinha pensando em criar um disco em sessões de streaming de vídeo. Tudo mudou com a pandemia do novo coronavírus. Confinado em casa, o artista se propôs a criar, no período de um mês, um novo álbum em transmissões da Twitch, plataforma de streaming de vídeos que pertence à Amazon.

Assim Tocam Os Meus Tambores era para ser um EP, um 'projetinho de quarentena, que nem conta', mas cresceu. Virou um disco com 12 músicas e trouxe um time de peso nas participações, que inclui Criolo, Maria Rita, Russo Passapusso, do BaianaSystem. Em depoimento ao Estado, D2 deu detalhes do projeto e do seu relacionamento com a tecnologia que permite fazer transmissões da sala de casa. Confira os principais momentos:

"A Twitch me convidou para fazer uma parada na plataforma e eu fui dar uma olhada. Vi alguns caras fazendo umas transmissões interessantes, como o Kenny Beats, beatmaker americano, e me motivei. Há duas semanas, abri um manifesto falando que em um mês vou fazer um disco dentro da Twitch. É uma pedreira. Era para ser um EP, um projeto que 'nem conta', mas ele cresceu e vão ser 12 músicas - e vai virar vinil e documentário, além de ir parar nas outras plataformas de streaming. Eu cheguei com a cabeça zerada para esse projeto, sem ideias pré-existentes.

Está sendo um disco completamente diferente do que eu normalmente faço. Estou me adequando à quarentena, e me adequando a fazer isso numa plataforma de streaming. Eu falei para quem me acompanha lá: 'Vocês sabem como fazer um disco em uma transmissão de streaming? Não? Nem eu! Vamos descobrir juntos!'. E a galera começou a falar 'ouve isso, ouve aquilo...'.

Serão 12 participações mais os beatmakers. Vai ter Maria Rita, Russo Passapusso, do BaianaSystem, Hélio Bentes, Baco Exu do Blues, Liniker, Tropkillaz… Vi que não ia dar pra escrever as músicas sozinho, fui chamando as participações e o chat foi me ajudando. O Criolo vai ler um conto do Luiz Antônio Simas. A ideia é chamar as pessoas para fazerem algo que não fariam normalmente.

Diferentemente de outros discos, eu fui em cima da batida, então fui atrás dos beatmakers. Dois dos seis que estão produzindo disco eu não conhecia e rolou no chat. Um é o Jorge Dubman, baterista da banda Ifá, da Bahia. Ele entrou no chat, trocamos telefone e ele entrou ao vivo no viva-voz durante uma transmissão. O outro é o Barba Negra.

O disco vai se chamar Assim Tocam os Meus Tambores, mas como tudo o que eu faço, vou subverter os tambores. Eles serão toca-discos com som sampleado, guitarras, skate, punk rock, mosh - e tambores também, claro. Chamei outras pessoas para dar luz, como a cineasta Yasmin Tainá. Conversei em live até com advogado para saber qual é a possibilidade de a galera me processar. Alguém pode entrar e falar que deu ideia e que eu não paguei. Estou mostrando 85% de como é feito um disco porque os outros 15% estão na minha cabeça.

Para fazer as transmissões, estou usando o computador do meu filho. Comprei uma webcam e uma placa de vídeo. Gastei R$ 1.300. É super caseiro, sabe qual é? Eu vim dessa onda de do it yourself (DIY, na sigla em inglês). A gente fazia fita K7 demo, fazia a capinha, desenhava à mão. Eu fiz fanzine durante toda a minha adolescência. A ideia de ter um 'canal de TV' dentro da sala da minha casa é muito subversiva. É a mesma ideia de ter uma rádio pirata nos anos 80 e 90. Gil Scott-Heron falou que a revolução não seria televisionada. A revolução será por live streaming, irmão. A gente foi empurrado para o futuro pela pandemia."

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Estadão
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