Mercado capixaba traz conceito tecnológico para o varejo
A rede de lojas Zaitt aposta em um conjunto de soluções para oferecer um processo de compra sem funcionários e sem filas
Em um espaço de 80m² no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo (SP), o mercado Zaitt traz aos paulistanos uma nova proposta para o consumo no varejo. Apoiado na tecnologia, o conceito da empresa é conduzir o consumidor por um processo sem funcionários e sem filas, que se inicia na entrada da loja via aplicativo até o autoatendimento na saída, quando a única atividade do cliente é confirmar o débito de sua conta corrente.
O processo, de acordo com um dos fundadores da Zaitt, Rodrigo Miranda, dura em média um minuto. “Nossa principal função é dar mais tempo para as pessoas, oferecendo uma experiência de consumo mais rápida”, diz. Para isso, a loja usou a tecnologia a seu favor para contornar pontos comuns de irritação. No caso das filas para atendimento no caixa, por exemplo, a solução foi usar um sistema de radiofrequência, que detecta, por meio de sinais de rádio, os produtos que o cliente pegou, sem precisar de um leitor de código de barras.
A tecnologia de IRFD (Identificação por Radiofrequência) não é a única presente na loja autônoma. Ao entrar e sair, o consumidor tem de instalar e utilizar o aplicativo da empresa. Isso porque, para liberar os acessos ao empreendimento, é necessário escanear códigos QR que estão impressos nas portas do local. “Além dessas soluções, nós estamos desenvolvendo outras, como de reconhecimento de imagens, em que contamos com o apoio de uma pessoa na China”, conta o diretor de marketing da Zaitt, Christian Abramson.
O negócio, no entanto, nem sempre foi tecnológico dessa maneira. Fundada em abril de 2016 em Vitória, no Espírito Santo, a Zaitt surgiu como um delivery de bebidas por aplicativo. Os quatro fundadores - Mario Miranda, Renato Antunes Jr., Rodrigo Miranda e Tomas Scopel - abriram uma loja de conveniência na capital capixaba, que era de onde saíam os produtos, e desenvolveram uma plataforma onde os clientes podiam pedir seus drinques.
Depois de um ano, os quatro idealizadores da empresa decidiram guinar o negócio para algo mais tecnológico. “Queríamos uma loja que tivesse uma experiência única para o cliente”, afirma Miranda. “A ideia mais latente em nossas cabeças era de um mercado autônomo, sem muitas barreiras para o cliente e fosse 24h.” A partir de maio de 2017, a Zaitt se tornou um mercado autônomo em Vitória, conquistou 10.000 cadastros em seu aplicativo, e veio para São Paulo em março deste ano.
No Brasil e no mundo
Em outros países, o modelo proposto pela Zaitt já é algo conhecido. Em Seattle e Washington, nos Estados Unidos, a empresa de tecnologia Amazon implantou o Amazon Go, projeto de mercado em que o cliente entra na loja utilizando o celular, escolhe os produtos e vai embora sem precisar passar por nenhum caixa ou painel de autoatendimento.
O Alibaba, do empresário Jack Ma, introduziu na China algo semelhante. O mercado Hema é um empreendimento em que os consumidores leem o código dos produtos com o smartphone e finalizam a compra em um totem automatizado antes de sair da loja.
No Brasil, o conceito é visto com bons olhos pelo setor. “A Zaitt será a primeira empresa a implantar esse modelo por aqui e puxará a fila da inovação nesse setor”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra. “Eles estão inaugurando um ciclo de modelos de lojas que vão começar a aparecer no nosso cotidiano.”
Apesar da viabilidade técnica do mercado autônomo brasileiro, Terra avalia que o êxito desse tipo de loja depende de outros fatores. “É necessário esperar como o cliente irá receber essa novidade”, diz. “O planejamento da escalabilidade e da estruturação do empreendimento também é determinante para o sucesso do negócio.”
Parceria com gigante do varejo
O modelo proposto pela Zaitt em Vitória (ES) chamou a atenção de uma das grandes marcas de supermercado do Brasil e do mundo: o Carrefour. As conversas entre as duas empresas resultaram em uma parceria específica para a loja de São Paulo (SP). O grupo francês ficou responsável por fornecer suporte logístico e o abastecimento de parte dos produtos disponíveis no mercado autônomo.
Em contrapartida, o varejo tecnológico dá ao Carrefour “acesso privilegiado” a sua operação. “A parceria com a Zaitt permite que nós conheçamos o comportamento do cliente dentro deste novo formato de compras”, afirma a CEO do Carrefour e-Bussiness Brasil, Paula Cardoso. Segundo ela, entender de perto o funcionamento do mercado autônomo pode ajudar o grupo francês a encaixar o modelo em sua estratégia de negócios.
Planos futuros
Apesar de não divulgar o faturamento do negócio, a Zaitt já planeja acelerar a sua expansão. O plano, segundo o gerente de marketing da empresa, Christian Abramson, é chegar até o fim de 2019 com 20 lojas. Embora tenha recebido ofertas de levar o modelo para outros países, o foco do mercado autônomo será o Brasil. “Nós devemos concentrar nossa operação principalmente em São Paulo”, afirma.
Para alcançar a meta de empreendimentos deste ano, Abramson diz que a Zaitt está em negociação com novas parcerias. O foco, segundo ele, é atuar utilizar suas soluções tecnológicas para adentrar em novos setores do comércio. “Nossa ideia é desenvolver lojas autônomas para terceiros”, diz. “Assim, poderemos ter unidades autônomas no ramos de bebidas alcoólicas, cosméticos ou roupas.”
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.