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Magalu compra startup de delivery de comida AiQFome

Plataforma já atende mais de 2 milhões consumidores em 350 cidades e deve atingir mais cerca de 150 municípios neste ano; valor do negócio não foi divulgado

3 set 2020
18h50
atualizado em 4/9/2020 às 13h08
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O Magazine Luiza anunciou nesta quinta, 3, a aquisição da startup de delivery de comida AiQFome, com sede na cidade paranaense de Maringá. A plataforma já atende mais de 2 milhões consumidores em 350 cidades e deve atingir mais cerca de 150 municípios neste ano. O foco são cidades do interior, de 15 mil a 300 mil habitantes. Por enquanto, a empresa não opera a logística de entregas, apenas faz a ponte entre os clientes e os restaurantes. Com a aquisição do Magalu, porém, os testes para iniciar esse processo começam ainda este mês. O valor da transação não foi divulgado e dos sete sócios da startup, ficaram três com o Magalu para tocar o negócio.

Startup AiQFome, focada em entrega de comida no interior 
Startup AiQFome, focada em entrega de comida no interior
Foto: Divulgação / Estadão

"O plano da AiQFome é continuar crescendo em cidades pequenas e médias. Mas com o Magalu a gente vai acelerar o plano. O Magazine Luiza também começou em cidades pequenas até chegar em São Paulo", diz Roberto Bellissimo, diretor-financeiro do Magalu. Ele diz que vê na AiQFome uma oportunidade de garantir recorrência de compra e de avançar em operação logística. Os motociclistas que passarão a fazer delivery para a nova plataforma podem integrar a malha da própria companhia. "Antes nossa malha era toda de caminhões, hoje é de Fiorinos", exemplifica Belissimo, mostrando como a rede pode evoluir.

Segundo o Magazine Luiza, a AiQFome recebe milhões de pedidos por ano, preparados por 17 mil restaurantes parceiros. Em média, cada usuário faz mais de três pedidos por mês. Com cerca de 90 funcionários, a startup ainda não definiu, porém, o modelo de contratação dos motoboys para seus testes de entregas. Das cidades em que a plataforma já opera, 70% tem lojas do Magazine Luiza.

Recorrência

Para especialistas, a caminhada do Magazine Luiza em direção ao ramo de alimentos já era esperada e aumenta a capacidade da companhia de obter dados de seus clientes. A afirmação do presidente executivo da companhia na última teleconferência com investidores havia sido clara: "Podemos comprar todo tipo de empresa; não se surpreendam", disse.

Para o analista da Brasil Plural, Antonio Castrucci, o mercado pode reagir bem ao anúncio caso entenda que a empresa pode avançar para as grandes capitais. "É uma aquisição interessante, mas ainda é uma empresa pequena no setor. O mercado já estava esperando que eles entrassem mais forte no ramo de alimentos. Concorrentes fizeram coisas parecidas por meio de parcerias com redes de fast food", afirma.

Os especialistas concordam que gerir a entrega de comida feita por meio de motociclistas é um processo complexo do ponto de vista logístico em relação ao que o que a empresa faz hoje. No entanto, o fato da LogBee - outra startup adquirida pelo Magalu em 2018 - já fazer parte do ecossistema da empresa é um ponto favorável.

Castrucci, da Brasil Plural, avalia que a compra faz sentido com o discurso da companhia de buscar a recorrência de compra do cliente. Ele pontua, porém, que isso pode não ser suficiente para uma reação forte do mercado, já que nesta quinta-feira o mercado seguiu a tendência das bolsas estrangeiras.

As empresas de e-commerce caíram. A puro sangue digital B2W liderou as quedas, recuando 7,57%. Em seguida veio Via Varejo ON, com queda de 6,89% e o Magazine Luiza, caindo 5,36%. Na sequência, a Lojas Americanas recuou 5,22%. ?O mercado repercutiu a possibilidade de uma vacina em estágio avançado, o que diminuiria a atração relativa do setor. E houve realização de lucros?, explica.

Para o presidente executivo da Hi Partners, Walter Sabini Júnior, o setor de alimentos - seja em supermercados ou em refeições - traz, além da recorrência de compras, uma base de dados importante para empresas como o Magazine Luiza. "Além disso, eles entram no setor de delivery com a vantagem da base de clientes e vendedores que já construíram. O restaurante parceiro pode virar cliente da plataforma da empresa também. Cria-se um potencial de venda cruzada", diz. Ele aposta ainda que virão mais aquisições no ramo de alimentos, voltadas a supermercados.

Na visão de Gustavo Chapchap, diretor da Jet / ZapCommerce e líder do Comitê de E-Commerce da Abradi (Associação Brasileira de Agentes Digitais), a compra também tem a ver com um menor custo de aquisição de clientes. Isso porque quanto mais serviços e produtos o aplicativo concentra, mais facilmente o usuário chega aos vendedores da plataforma, sem que seja necessário um alto investimento em marketing. "A empresa entra no setor de maneira competitiva porque tem uma base de clientes que a concorrência não tem", diz Chachap.

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