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Fintech TransferWise agora é avaliada em US$ 5 bilhões

Empresa que faz transferências internacionais realizou oferta secundária de ações e atraiu novos investidores no mercado, mas não levantou um centavo sequer; pandemia atrasou novos produtos da startup no País

29 jul 2020
00h11
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Uma das principais fintechs da Europa, a TransferWise chega nesta quarta-feira, 29, a uma avaliação de mercado de US$ 5 bilhões. A mudança de patamar da empresa, conhecida por seu serviço de transferências internacionais, acontece depois de uma oferta secundária de ações - com novos investidores comprando participação de acionistas que estavam presentes na empresa. Segundo Kristo Kaarmann, presidente executivo da empresa, US$ 390 milhões foram negociados na rodada, mas nenhum centavo foi parar nos cofres da companhia, que dá lucro há cerca de três anos. Há um ano, a empresa estava avaliada em US$ 3,5 bilhões.

"A ideia de uma oferta secundária é a de conseguirmos dar liquidez e retorno para acionistas que já estão na empresa hoje e também atrairmos novos investidores", afirmou o executivo ao Estadão em entrevista nesta terça-feira, 28, antes do anúncio da nova rodada. Entre os novos investidores da TransferWise, estão o fundo de investimentos D1 Capital Partners, que tem participações em empresas como Amazon, Netflix, Facebook e Microsoft, e o Vulcan Capital, que já apostou no unicórnio brasileiro Loft. "São investidores que podem nos ajudar em uma nova fase da empresa", diz o CEO e cofundador da TransferWise.

Segundo ele, uma oferta secundária é uma saída menos atribulada para resolver o problema de liquidez dos acionistas do que uma abertura de capital. "Nós temos que fazer a oferta e anunciar, mas depois podemos voltar ao trabalho normalmente. Abrindo capital, há mais trabalho", diz ele, que acredita que ir à bolsa de valores neste momento pode afetar o foco da empresa. "Nossos clientes não querem que estejamos na bolsa, eles querem funcionalidades que sejam úteis - e é nisso que preferimos focar", afirma. "Afinal, o lucro que temos com as operações vêm deles e eles é que custeiam a nossa expansão, por assim dizer."

Presente no Brasil desde abril de 2016, a TransferWise já movimentou R$ 32 bilhões entrando ou saindo do País. Nos últimos meses, a empresa teve um crescimento significativo - em maio de 2019, este valor estava em pouco mais de R$ 6 bilhões. A vantagem competitiva da empresa é o uso da tecnologia: ao invés de realizar uma transferência passando por fronteiras, a startup faz compensações em contas bancárias locais - assim, o dinheiro não sai de um país, mas acha uma transação equivalente.

Desde junho deste ano, a estoniana conseguiu uma licença para operar como corretora de câmbio no Brasil junto ao Banco Central. Agora, trabalha junto às autoridades regulatórias para integrar sua estrutura tecnológica ao novo status no País - um esforço que foi atrapalhado pela pandemia. Segundo Kaarmann, a licença vai permitir que a TransferWise lance novos produtos e funcionalidades no Brasil, além de reduzir suas tarifas. Durante a entrevista, ele evitou falar em datas, porém.

Lá fora, além de fazer transferências internacionais, a empresa também tem um produto interessante, o Borderless. É uma espécie de carteira digital que funciona em diferentes países. Outro serviço disponivel no exterior é o TransferWise for Business, modalidade para pessoas jurídicas (em especial, profissionais liberais e pequenas empresas) que operam em várias nações ao mesmo tempo

Segundo ele, a empresa ainda não sente grandes efeitos de mudanças de comportamento de seus clientes por conta da pandemia - duas hipóteses diferentes podem acontecer com a aceleração da digitalização. Uma é que mais pessoas podem deixar de mudar de país para trabalhar, o que diminuiria os negócios da TransferWise. Outra é que mais pessoas aceitariam viver em outro país e trabalhar à distância, o que melhoraria a situação da empresa.

"Estamos de olho e talvez sejam comportamentos que se cancelem. O que sei é que as empresas e as pessoas estão ficando cada vez mais internacionais", diz o estoniano, que concedeu a entrevista direto do escritório da empresa em Talín, na capital do país báltico - lá, cerca de 30% dos funcionários já puderam regressar à companhia com a redução do número de casos de coronavírus.

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Estadão
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