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E-commerce do setor pet estima receita de R$ 540 mi em 2020

Petlove, do empreendedor e veterinário Marcio Waldman, cresceu 133 vezes nos últimos nove anos

8 out 2020
11h28
atualizado às 12h07
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Em uma pequena clínica no bairro do Bom Retiro em São Paulo (SP), no final dos anos 1980, o médico veterinário Marcio Waldman vendia produtos e remédios para animais domésticos, além, claro, de realizar consultas e exames. Nas décadas seguintes, o empreendimento se tornou totalmente digital, ganhou 4 centros de distribuição, gerou 600 empregos e passou dos R$ 500 milhões em faturamento.

A transformação do varejo físico para um empreendimento totalmente digital ocorreu em 2005, mas Waldman já tinha criado um e-commerce para produtos pet em 1999, quando a internet se tornou comercial no Brasil. Anos depois, em 2020, sua empresa, a Petlove, chegou a anotar um aumento de vendas de 300% nos primeiros meses de isolamento social, decorrentes da pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2).

A PetLove, do médico veterinário Marcio Waldman (foto), tem 4 centros de distribuição, 600 funcionários e deve passar dos R$ 500 milhões em faturamento em 2020
A PetLove, do médico veterinário Marcio Waldman (foto), tem 4 centros de distribuição, 600 funcionários e deve passar dos R$ 500 milhões em faturamento em 2020
Foto: Divulgação

Criando um e-commerce em 1999

A história da Petlove se mistura com a da internet no Brasil. Ao mesmo tempo que a rede mundial de computadores se tornou comercial por aqui, no final da década de 1990, Waldman começou a pensar em formas de utilizar essa nova ferramenta para impulsionar o seu negócio.

Em 1999, um ano antes do novo milênio, a loja virtual da antiga PetSuperMarket, que em 2012 se tornaria Petlove, estava no ar, comercializando produtos e remédios para animais de estimação. "Eu não vendia absolutamente nada", conta Waldman. "Ninguém queria colocar cartão de crédito na internet, e o boleto processava o pagamento em 8 dias."

"Eu não vendia absolutamente nada", conta Waldman, sobre o início de sua jornada no e-commerce
"Eu não vendia absolutamente nada", conta Waldman, sobre o início de sua jornada no e-commerce
Foto: Divulgação

Entre uma troca de sistema de comércio eletrônico e outra, e o crescente número de novos usuários na internet brasileira, o médico veterinário começou a notar um crescimento no número de vendas no canal digital. "Em 2005, o faturamento da clínica e a do e-commerce se equipararam", diz.

Com a abertura de uma loja de produtos para animais domésticos concorrente nas proximidades de sua clínica, Waldman decidiu migrar todo o seu negócio para o digital. "Os anos entre 2005 e 2011 foram os mais difíceis da minha vida porque eu abdiquei de metade da minha receita", afirma. "Eu e minha esposa passamos fome, até porque tínhamos que priorizar nossas crianças."

A virada de jogo

Com apenas o e-commerce em operação, Waldman se desfez dos equipamentos veterinários que tinha em sua clínica. Isso, conta o empreendedor, o impossibilitou de retornar ao varejo físico, mesmo que ele quisesse. Após cinco anos apenas no ambiente digital, o veterinário pôde colher os frutos que plantou com sua loja virtual.

"Em 2010, o e-commerce começou a ter mais tração e as coisas melhoraram", afirma o médico veterinário e, hoje, CEO da Petlove. Quando percebeu que a situação ganhava contornos positivos, Waldman não perdeu tempo em procurar investidores para o seu negócio. "Um ano depois, fechei o primeiro investimento para o mercado de varejo pet no Brasil com a Monashees, Tiger e Kaszek."

O primeiro investimento no setor pet foi feito pelos investidores Monashees, Tiger e Kaszek na PetLove em 2011
O primeiro investimento no setor pet foi feito pelos investidores Monashees, Tiger e Kaszek na PetLove em 2011
Foto: iStock

Com o aporte financeiro e mentorias, o negócio acelerou o ritmo de crescimento, chegando ao faturamento de R$ 4 milhões em 2011. Para 2020, a perspectiva de receita da Petlove é de R$ 540 milhões, um crescimento de 133 vezes em 9 anos. Esse número e o de vendas no e-commerce colocaram o empreendimento como o primeiro em vendas online e o terceiro geral para o segmento pet.

Mirando o primeiro lugar

Para o futuro, a pretensão de Waldman com a Petlove é de ir além do primeiro lugar conquistado no segmento de vendas online para pets. "O nosso objetivo é chegar na liderança geral do setor, queremos ser o número 1 ", afirma.

O mercado pet, inclusive, ainda tem campo para crescimento. De acordo com a pesquisa "Mercado Pet Brasil", da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), há 141 milhões de animais domésticos no País. Além disso, a pesquisa mostra que esse segmento da economia movimenta R$ 22,3 bilhões.

Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) estima que há 141 milhões de animais domésticos no País
Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) estima que há 141 milhões de animais domésticos no País
Foto: iStock

A estratégia de Waldman para explorar as oportunidades do segmento é de diversificar não apenas em produtos oferecidos aos clientes, mas também em serviços, tanto para o consumidor final, quanto para médicos veterinários e donos de lojas. "Queremos ser uma grande plataforma e firmar parcerias para ajudar na venda e distribuição de produtos", diz.

Nos últimos dois anos, por exemplo, a Petlove firmou uma parceria estratégica com a startup Vet Smart, que oferece conteúdo sobre medicamentos e saúde dos animais, além de desenvolver aplicativos para empreendimentos veterinários. A empresa de Waldman também comprou a Vetus, uma companhia que criou um software de gestão para clínicas e pet shops.

Um bom exemplo da estratégia de Waldman, em ganhar capilaridade no mercado, foi a aquisição da supracitada Vet Smart. Essa compra gerou uma nova frente de negócios, possibilitando que a Petlove ofereça uma ferramenta para que médicos veterinários autônomos, clínicas e lojas de produtos pudessem criar o seu próprio e-commerce.

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Fonte: Equipe portal
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