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CES 2019: montadoras projetam futuro das viagens em carros autônomos

Na CES, empresas projetam o que será possível fazer no carro quando dirigir não for obrigação

11 jan 2019
05h11
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Todos os dias, milhões de paulistanos passam horas no trânsito dirigindo. Em um futuro não tão distante, quando os carros autônomos chegarem às ruas, esse tempo todo poderá ser aproveitado de formas diferentes. Na Consumer Electronics Show (CES), feira de eletrônicos que acontece esta semana em Las Vegas, não foram poucas as montadoras que demonstraram sua visão para sistemas de entretenimento de bordo, inteligência artificial e assistentes pessoais para os carros sem motorista, além de designs diferenciados.

"No século XX, nós tivemos de aprender linguagem de programação para falar com os computadores. Agora, serão os computadores, dentro dos carros, que vão aprender a falar a linguagem dos usuários", afirma Oliver Pitrat, gerente de projeto de design da BMW Em seu estande, a alemã demonstrou um veículo com bancos modificados - eles ficam de frente um para o outro, como em uma sala de estar. Além disso, em uma amostra de realidade virtual, a empresa imaginou a volta do trabalho para casa no futuro. No percurso, um assistente digital da BMW consegue ajudar o passageiro a adiantar uma reunião por chamada de vídeo, abrir a porta para amigos que chegaram adiantados para um jantar e até mesmo encomendar salgadinhos para a confraternização.

A japonesa Nissan, por sua vez, aposta em algo digno de ficção científica: no futuro, além dos carros autônomos, também usaremos óculos de realidade virtual quando viajarmos com eles. Assim, será possível substituir um dia de chuva por uma paisagem ensolarada ou até mesmo fingir que há um amigo no banco ao lado, quando viajamos sozinhos.

Há uma razão para as montadoras terem optado por promessas para o futuro: hoje, a tecnologia de carros autônomos já é bem compreendida pela maioria das pessoas, mas não está suficientemente pronta para o mercado consumidor. Em vez de se debruçar sobre especificidades técnicas - como a quantidade de radares, sensores e câmeras necessários para que os veículos consigam pilotar sozinhos -, é mais atraente mostrar para o público algo que seja mais próximo de sua realidade, mesmo que ainda abstrato. Não é à toa que o presidente executivo da Nvidia, Jensen Huang, foi aplaudido durante a conferência da empresa, no último domingo, quando disse que não ia se alongar em detalhes sobre os projetos da empresa em direção autônoma

Emoções. Em seu estande, a coreana Kia foi um pouco além, trabalhando com o conceito de "direção emotiva". Quando o passageiro entra no carro, suas expressões faciais são rastreadas pelo veículo, que, a partir disso determina uma série de atividades -- se ele estiver alegre, poderá desfrutar de um jogo em realidade aumentada. Se estiver triste, o carro poderá escolher o caminho mais bonito (e não necessariamente o mais rápido) para distrai-lo. E se por ventura o veículo precisar de gasolina, uma camada de informações aparecerá na janela com os preços dos postos pelo qual o veículo passar.

Já a Mercedes-Benz demonstrou, ao lado de modelos esportivos que fariam um incauto pensar que a CES era, na verdade, o Salão do Automóvel, uma série de módulos com ambientes diferenciados. Havia modelos de sala de estar, escritório e centro de saúde ou até mesmo diversos bancos para uma espécie de transporte coletivo -- todos poderiam ser aplicados ao chassi do veículo e sair rodando pelas cidades. Além disso, um modelo em especial chamava a atenção em Las Vegas: uma mesa de roleta ambulante. Seja como for, as apostas estão lançadas.

*O repórter viajou a convite da Intel

Estadão

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