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Após ir ao espaço, Bezos enfrenta críticas por negligência com funcionários da Amazon

Críticos do bilionário no Twitter relembraram casos em que funcionários da Amazon urinaram em garrafas após a empresa não liberar pausas no trabalho

20 jul 2021 14h16
| atualizado às 14h28
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Jeff Bezos passou menos de cinco minutos no espaço na manhã desta terça-feira, 20, durante a primeira viagem com seres humanos da New Shepard, foguete da Blue Origin, empresa fundada pelo bilionário. Na volta à Terra, porém, além dos louros pela conquista, Bezos encarou críticas e reclamações sobre a decisão de investir no voo espacial enquanto os funcionários da Amazon, empresa comandada por Bezos até o dia 5 de julho, reclamam de condições de trabalho ruins.

"Funcionários vão aproveitar que Bezos está no espaço para ir ao banheiro", afirmou um internauta no Twitter, se referindo a informações de que os trabalhadores da gigante sofrem com rígidas regras em relação a pausas, incluindo para usar o toalete. Em março de 2021, Lovenia Scott, uma ex-funcionária da área de logística dos depósitos abriu um processo contra a empresa nos Estados Unidos, acusando a companhia de não liberar os 30 minutos de almoço e as pausas durante o dia, descontando os períodos 'ausentes' do pagamento dos empregados.

Segundo ela, o volume de trabalho dos empregados ultrapassa a possibilidade de terminá-lo a tempo no expediente e que a empresa não encoraja os funcionários a tirar pausas para comer ou para descansar. Um documento divulgado em 2018 relatou que os funcionários urinavam em garrafas porque o horário de pausa não era o suficiente para dar conta do trabalho.

"Funcionários da Amazon neste momento, agora que Bezos foi para o espaço"

Lovenia afirmou, ainda, no processo, que as escalas que são feitas para os intervalos geralmente incluem uma grande quantidade de funcionários no mesmo horário. Assim, para bater o ponto — e registrar a saída e a volta —, é preciso gastar de 10 a 15 minutos na fila do computador. Ultrapassar o limite de 30 minutos de pausa não é tolerado.

Bezos acumula uma fortuna de US$ 211 bilhões, segundo ranking da Forbes - boa parte desse patrimônio está atrelado às ações da Amazon que o empresário possui. Durante a pandemia, os ganhos da empresa tiveram um salto gigantesco. No último trimestre, a receita da Amazon aumentou cerca de 43,8%, atingindo o valor de US$ 108,5 bilhões, no que foi o segundo trimestre em alta da empresa, ultrapassando novamente a marca de US$ 100 bilhões em lucro em um período de três meses. No mesmo período, as vendas nos Estados Unidos e Canadá aumentaram cerca de 39,5% e as vendas internacionais viram um crescimento de 60,4%.

Depois da viagem desta terça-feira, Bezos agradeceu os empregados por todo o trabalho que já fizeram na Amazon. "Quero agradecer a cada funcionário da Amazon e a cada cliente da Amazon. Vocês que pagaram essa viagem", afirmou o empresário em entrevista após o voo. O bilionário ainda afirmou que a Blue Origin atingiu a marca de US$ 100 milhões em vendas privadas de passagens para voos futuros. Porém, não é possível saber quanto o bilionário já investiu na empresa de exploração espacial, cujo capital é fechado. Em oportunidades anteriores, o bilionário já afirmou que investia US$ 1 bilhão por ano na empresa.

O agradecimento de Bezos aos funcionários, porém, não aterrissou tão bem quanto a cápsula da Blue Origin. Houve diversas críticas nas redes sociais.

"Jeff Bezos ficou no espaço por mais tempo do que o tempo que os funcionários dos depósitos da Amazon podem passar no banheiro." "Jeff Bezos tem três minutos de gravidade zero, enquanto os funcionários da Amazon têm zero minutos de pausas para ir ao banheiro." "Jeff Bezos ficou no espaço por cerca de 5 minutos, que coincidentemente é a quantidade de licença remunerada que os funcionários da Amazon recebem a cada ano."

*É estagiária sob supervisão do editor Bruno Romani

Estadão
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