Sem acordo, bancários de todo o país entram em greve
Os bancários de todo o Brasil iniciaram uma greve por tempo indeterminado nesta terça-feira para reivindicar melhores salários e esperam alcançar o mesmo impacto da greve do ano passado, quando mais de 10 mil bancos do país pararam por 21 dias.
Os grevistas, que querem um aumento salarial de 10,25% e um salário mínimo de R$ 2,416,38, assim como uma elevação da participação dos funcionários nos lucros dos bancos, não chegaram a um acordo com as instituições bancárias, que ofereceram um reajuste salarial de 6% e um salário mínimo de R$ 2,014,38.
A paralisação foi aprovada em assembleia realizada na noite de segunda-feira por 122 dos 127 sindicatos filiados à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf).
Nas grandes capitas, como São Paulo e Rio de Janeiro, algumas agências bancárias estavam com suas portas fechadas, outras funcionavam com um número reduzido de funcionários e uma minoria operava normalmente.
Apesar da greve, os clientes podem utilizar os caixas eletrônicos e realizar transações pela internet, ou ainda pagar contas nas casas lotéricas.
"Apenas no final da tarde teremos um primeiro balanço sobre a adesão ao movimento, já que temos que consultar muitos sindicatos para saber o que está acontecendo", disse à Agência Efe uma fonte da Contraf.
"Como todos os anos, é normal que a greve não comece a todo vapor, mas vá crescendo dia a dia. Calculamos que teremos a mesma adesão que no ano passado após os 21 dias de greve", acrescentou a fonte.
Em seu primeiro balanço, o sindicado de Curitiba informou que 212 agências bancárias fecharam suas portas no primeiro dia de greve, acima das 144 que paralisaram os serviços no início da greve de 2011.
"A greve começou forte em seu primeiro dia pelo menos na região central da cidade", disse a presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira.
A assessoria de imprensa da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), consultada pela Efe, disse que a entidade não costuma realizar cálculos sobre funcionários paralisados e que, após ir contra a decisão dos grevistas, espera que os sindicalistas retornem à mesa de negociações.
A Fenaban informou em comunicado que apresentou suas propostas na convenção coletiva que foi realizada em agosto e que nunca recebeu respostas dos sindicatos sobre os pontos que precisam de melhorias segundo os trabalhadores.
Para os sindicalistas, o setor bancário, que vem acumulando elevados lucros nos últimos anos, tem condições de oferecer um reajuste salarial que supere em 5% a inflação do último ano (5,25%).
"Foram os bancários que provocaram a greve. Apesar dos lucros recordes e elevados prêmios para os executivos, os bancos se negam a atender nossas reivindicações", lamentou o presidente da Contraf, Carlos Cordeiro, em comunicado divulgado pela entidade sindical.
"A Fenaban reitera que confia no diálogo porque só quando colocarem as reivindicações na mesa de negociações será possível alcançar os requisitos necessários para assinar uma nova convenção coletiva", informou a entidade. EFE
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