Saúde mental na menopausa: sintomas podem ser confundidos com transtornos depressivos
Semelhança entre sintomas da menopausa e da depressão, somada à falta de preparo médico sobre o tema, leva a diagnósticos equivocados e tratamentos inadequados.
Irritabilidade, tristeza leve, cansaço e falta de energia são sintomas depressivos, certo? Sim, mas não exclusivamente. Na verdade, esses também podem ser sintomas da menopausa. "É extremamente comum que mulheres confundam os sinais do climatério com sintomas de transtornos depressivos. É uma situação que vejo praticamente todos os dias no consultório. Muitas mulheres desconhecem completamente o que esperar dessa fase e, ao perceberem mudanças de humor, fadiga e desânimo, acreditam estar deprimidas", explica o ginecologista Dr. Igor Padovesi, autor do livro 'Menopausa Sem Medo' (Editora Gente), especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS).
O problema é agravado porque, entre os próprios profissionais de saúde, ainda existe muito desconhecimento e desatualização sobre o climatério e seus efeitos hormonais. "Isso faz com que as mulheres acabem recebendo diagnóstico e tratamento inadequado. Como os sintomas de ambos se misturam, é comum que a mulher seja tratada apenas com antidepressivos, quando na verdade precisaria de terapia hormonal", diz o especialista.
Explicando a menopausa
Os sintomas que se sobrepõem entre o climatério e a depressão incluem sensação de desânimo, fadiga física e mental, perda de interesse nas atividades habituais, leve tristeza e desesperança. Isso acontece porque o estrogênio, o principal hormônio que passa a oscilar na perimenopausa e a faltar depois, tem muitos receptores no cérebro. "A queda do estrogênio e da progesterona influencia neurotransmissores como serotonina e dopamina, podendo gerar sintomas de irritabilidade, ansiedade e tristeza ou depressão. E as ondas de calor, insônia e fadiga intensificam ainda mais essas alterações", esclarece a Dra. Ana Paula Fabricio, ginecologista com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO).
No entanto, Dr. Igor ressalta que, em mulheres na faixa dos 40, 50, 55 anos, principalmente que nunca tiveram quadro depressivo antes, o mais provável é que esses sinais realmente façam parte de um conjunto de sintomas do climatério. "O climatério é a fase de transição que marca o fim da vida reprodutiva da mulher. Ele começa anos antes da última menstruação e se estende por um tempo depois dela. Envolve mudanças hormonais progressivas e pode durar de 5 a 10 anos. É durante o climatério que surgem os primeiros sintomas físicos, emocionais e metabólicos da transição hormonal", esclarece Dra. Patricia Magier, ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e criadora do Método Plena para cuidado da mulher de forma completa, profunda e individualizada.
Por fim, para diferenciar o quadro, o profissional deve avaliar o contexto geral e outros sinais característicos da menopausa. "Outros sintomas da menopausa incluem: ondas de calor e suor noturno, por alteração do termostato corporal; insônia e cansaço, pelo impacto na melatonina e serotonina; palpitações, como efeito da queda do estrogênio no coração; ganho de peso, pelo fato do metabolismo estar mais lento e ocorrer perda de massa muscular; dores musculares e articulares, pelo aumento da inflamação e perda de colágeno; perda de massa óssea, com aparecimento de osteopenia e osteoporose; falha de memória (brain fog) pela queda da proteção cerebral; e pele seca e cabelo ralo, pela redução de colágeno e saúde dos fios", explica a ginecologista Dra. Ana.
O Dr. Igor Padovesi ressalta que, principalmente se for numa situação em que a mulher tenha outros sintomas do climatério, o mais provável é que a prescrição adequada de terapia hormonal resolverá a questão. "A terapia hormonal pode melhorar esses sintomas da menopausa. Ao repor os hormônios, você melhora a saúde mental, diminui o cansaço e conquista mais energia, foco e bem-estar", diz a ginecologista Dra. Patricia Magier. Mas, se mesmo com terapia hormonal adequada os sintomas depressivos persistirem, pode ser necessário o encaminhamento da paciente para psiquiatras e psicólogos para verificar a necessidade de acrescentar um antidepressivo ou fazer acompanhamento terapêutico. "Porém, sempre mantendo a terapia hormonal para o tratamento dos outros sintomas e todos os outros benefícios que ela tem", diz o Dr. Igor, que ainda recomenda mudanças no estilo de vida, como atividade física regular, meditação, yoga, mindfulness e psicoterapia. "Essas estratégias ajudam a melhorar o humor e a qualidade de vida", finaliza.
FONTES:
*Dr. Igor Padovesi: Médico ginecologista, especialista em cirurgias ginecológicas minimamente invasivas e criador do Instituto de Cirurgia Íntima. É membro sênior da European Society of Aesthetic Gynecology (ESAG). Formado e pós-graduado pela USP e autor do livro 'Menopausa Sem Medo' (Editora Gente).
*Dra. Patrícia Magier: ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica pelo IASERJ e pós-graduação pela Universidade do Rio de Janeiro - UNIRIO, e Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia - TEGO; também possui especialização em Medicina Integrativa e Funcional.
*Dra. Ana Paula Fabrício: ginecologista, com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO). Graduada em Medicina pela Unoeste de Presidente Prudente, com Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Santa Casa de Araçatuba. Possui Pós-graduação em Nutrologia pela ABRAN, Pós-graduação em Medicina Estética e Pós-graduação com Dr. Lair Ribeiro em Prevenção e Tratamento de Doenças Relacionadas com a Idade.
* Fonte: Assessoria