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Revisão fiscal é boa estratégia para empresas afetadas pela taxação anunciada por Trump

11 jul 2025 - 17h59
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A proposta do ex-presidente norte-americano Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre os produtos importados do Brasil elevou a tensão entre empresários e setores ligados ao comércio exterior. Caso seja implementada, a medida encarecerá os produtos brasileiros no mercado dos Estados Unidos, reduzindo sua competitividade.

Donald Trump
Donald Trump
Foto: depositphotos.com / gints.ivuskans / Perfil Brasil

Em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 40 bilhões aos EUA, que são o segundo maior destino das exportações nacionais. Itens como petróleo, minério de ferro, aço, celulose, carnes e aeronaves compõem essa pauta. Com a nova tarifa, empresas podem enfrentar perdas severas. Para manter contratos, seria necessário reduzir preços, o que pressiona margens de lucro e compromete o caixa.

Revisão fiscal: estratégia contra a instabilidade

A restrição ao comércio exterior tem efeito em cadeia: produção menor, empregos em risco, investimentos suspensos. A redução de dólares em circulação pode ainda impactar o câmbio, elevando os custos de importações e pressionando a inflação. O cenário é desafiador, mas especialistas apontam soluções viáveis para atenuar seus efeitos.

"Num contexto de margens comprimidas e incerteza externa, torna-se fundamental concentrar esforços no que está sob o controle das empresas. Uma das estratégias mais eficazes é a revisão fiscal para recuperação de créditos tributários, caminho legal, direto e com impacto positivo no caixa" explica o presidente do Grupo Assertif, José Guilherme Sabino.

Muitas empresas, segundo ele, acumulam créditos fiscais sem utilizá-los, seja por erros no recolhimento de tributos, mudanças na legislação ou desconhecimento. "A revisão tributária permite identificar, validar e utilizar esses créditos para abater tributos correntes ou solicitar ressarcimento" afirma.

Casos frequentes envolvem créditos de ICMS em exportações, valores pagos em excesso de PIS/Cofins, além dos efeitos da "tese do século", que excluiu o ICMS da base de cálculo dessas contribuições. Só essa tese já gerou mais de R$ 60 bilhões em créditos tributários.

Em 2023, a Receita Federal registrou R$ 249 bilhões em compensações tributárias com créditos acumulados — um recorde. A recuperação desses valores oferece alívio imediato ao caixa, sem necessidade de empréstimos ou renegociação de dívidas. Sabino reforça: "Identificado e validado, o crédito pode ser utilizado diretamente para reduzir a carga tributária ou transformado em valores a receber da União, fortalecendo a saúde financeira da empresa."

Outra alternativa é a cessão de créditos, que permite antecipar valores mediante a transferência desses ativos, desde que respeitados os critérios técnicos exigidos. Em um cenário de incerteza global, a capacidade de adaptação pode definir quem se mantém competitivo.

Com a possível sobretaxa, revisar tributos acumulados deixa de ser uma ação de rotina e se transforma em um movimento estratégico para assegurar liquidez e enfrentar turbulências externas.

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