7 em cada 10 mulheres relatam ansiedade e desmotivação
Pesquisa aponta que sobrecarga, desigualdade e modelos de trabalho afetam a saúde emocional feminina
Ansiedade constante, sensação de desânimo e falta de motivação têm feito parte da rotina de muitas mulheres. Esses sentimentos aparecem com frequência no ambiente profissional.
Um levantamento recente mostra que o cenário é mais comum do que se imagina. Sete em cada 10 mulheres relatam ansiedade, angústia ou desmotivação frequente no trabalho.
Os dados fazem parte do Check-up de Bem-Estar 2025, pesquisa conduzida pela Vidalink com mais de 11 mil colaboradores de grandes empresas brasileiras.
O estudo revela que o impacto emocional é maior entre mulheres do que entre homens. A desigualdade vai além da carreira e atinge diretamente a saúde mental.
A sobrecarga que pesa mais sobre as mulheres
De acordo com o levantamento, 38% das mulheres vivem a chamada dupla jornada. Elas conciliam trabalho profissional com cuidados domésticos, filhos ou familiares.
Entre os homens, esse índice é 14 pontos percentuais menor.
Esse acúmulo de responsabilidades afeta a qualidade de vida e o sentimento de pertencimento no trabalho. Para Magali Frare Corrêa, Head de Capital Humano da Vidalink, o problema é estrutural.
"Esse acúmulo de responsabilidades impacta a qualidade de vida e o sentimento de pertencimento das trabalhadoras", analisa.
Ansiedade não é fragilidade individual
Para Taty Nascimento, especialista em liderança inclusiva, os números revelam algo maior do que questões pessoais.
"Quando a maioria das mulheres relata ansiedade, angústia ou desmotivação, não estamos falando de fragilidade individual", afirma.
Segundo ela, trata-se de uma falha na forma como o trabalho é organizado e liderado.
Modelos tradicionais ainda valorizam disponibilidade constante, longas jornadas e presença contínua. Essas práticas penalizam quem precisa conciliar múltiplas responsabilidades.
Mesmo buscando ajuda, o bem-estar não melhora
O estudo aponta um dado preocupante. Apenas 21% das mulheres dizem estar satisfeitas com o próprio bem-estar geral.
Ainda assim, são elas que mais procuram apoio profissional:
-
16% fazem terapia
-
18% utilizam medicamentos
Para Magali, isso evidencia um paradoxo. Mesmo buscando ajuda, as mulheres seguem enfrentando barreiras estruturais para crescer na carreira.
Menopausa e carreira: um desafio invisível
A desigualdade se intensifica em fases específicas da vida. Durante a menopausa, 47% das mulheres relatam prejuízo profissional, segundo outra pesquisa citada no estudo.
O estigma associado ao período faz com que muitas desacelerem a carreira. Algumas recusam promoções. Outras deixam cargos estratégicos.
Para as empresas, o impacto é direto. Há perda de talentos, aumento da rotatividade e interrupção de ciclos de inovação.
Sinais de alerta da exaustão emocional
Segundo Taty Nascimento, muitas mulheres entram em um estado chamado de "exaustão de combate". Nesse ponto, o cansaço deixa de ser pontual e se torna constante.
Os principais sinais incluem:
-
Perfeccionismo excessivo
-
Silêncio em reuniões
-
Irritabilidade frequente
-
Dificuldade de foco e memória
-
Resistência a tirar férias ou folgas
Reconhecer esses sinais é essencial para evitar o adoecimento emocional.
O que precisa mudar no ambiente de trabalho
As especialistas defendem mudanças estruturais na liderança. Em vez de medir performance por horas disponíveis, o foco deve ser impacto e sustentabilidade.
Boas práticas incluem:
-
Escuta ativa
-
Conversas individuais
-
Distribuição justa da carga de trabalho
-
Feedback sem viés
-
Combate a microagressões
-
Bem-estar como métrica de sucesso
"Equidade não é discurso. É prática diária integrada à cultura da empresa", reforça Magali.
Cuidar das mulheres é cuidar do coletivo
Os dados mostram que a sobrecarga emocional feminina não é um problema individual. Ela reflete estruturas que precisam ser revistas.
Quando mulheres adoecem, todo o ambiente de trabalho sente o impacto.
Promover equilíbrio entre saúde, carreira e vida pessoal não é privilégio.
É condição básica para engajamento, produtividade e bem-estar real.