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Quem era Dayse Barbosa, oficial que chefiava a Guarda de Vitória morta por namorado PRF

Primeira mulher a comandar a corporação na capital capixaba deixa legado de luta

24 mar 2026 - 14h39
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A cidade de Vitória amanheceu em choque com a notícia da perda de uma de suas figuras mais proeminentes na área da segurança pública. Dayse Barbosa, de 37 anos, ocupava o posto de comandante da Guarda Municipal e era reconhecida por sua alegria contagiante e prontidão constante. O secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, expressou ao g1 a dor da corporação ao descrever o perfil da colega. Segundo ele, ela chegava sempre feliz e disposta a ajudar, sendo essa uma marca registrada de sua personalidade. O crime interrompeu uma sequência de quase dois anos sem registros de feminicídio na capital, trazendo à tona uma realidade cruel que a própria Dayse combatia diariamente em sua profissão.

A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi morta a tiros na madrugada desta segunda
A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi morta a tiros na madrugada desta segunda
Foto: feira (23) - Reprodução/Rede social / Perfil Brasil

Trajetória de liderança e pioneirismo na Guarda Municipal

Dayse Barbosa não chegou ao topo da hierarquia por acaso ou indicação política, mas por mérito e competência técnica. Formada em Pedagogia, ela decidiu trocar as salas de aula pela carreira policial após ser aprovada em um concurso público no ano de 2012. Sua ascensão foi meteórica e sólida, culminando em sua nomeação como subsecretária e comandante em janeiro de 2023. Ela gravou seu nome na história como a primeira mulher a comandar a instituição. O secretário Amarílio Boni reforçou que ela ocupava o cargo pela capacidade e pelo potencial que demonstrava em cada operação. "Infelizmente ela não falou isso para a gente para que pudéssemos tomar uma atitude e poder salvar a vida dela", lamentou o secretário sobre o silêncio da vítima em relação às agressões sofridas no âmbito doméstico.

Os sinais de um relacionamento marcado pela violência

Apesar do sorriso público, a vida íntima da comandante era cercada por ameaças que muitos desconheciam. Seu pai, Carlos Roberto Teixeira, revelou detalhes angustiantes ao g1 sobre o relacionamento de quatro anos entre Dayse e o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza. Carlos Roberto relatou episódios graves de violência física que presenciou anteriormente. "Já tirei ele de cima dela. Uma vez, flagrei ele tentando enforcar a Dayse", contou o pai, ainda em estado de negação pela perda da filha. O agressor não aceitava o término do namoro e mantinha uma postura possessiva e letal. "Ele falou que se ela não ficasse com ele, não ia ficar com ninguém", recordou o aposentado sobre as ameaças feitas pelo policial antes do crime.

Defesa dos direitos femininos e voz ativa nas redes

Nas redes sociais, Dayse Barbosa era uma voz potente em favor da autonomia feminina. Ironicamente, suas últimas postagens, feitas apenas quatro horas antes de ser morta, abordavam temas como igualdade salarial e independência financeira. Em uma publicação emblemática do Dia Internacional da Mulher, ela desabafou sobre os desafios de ser uma líder em um ambiente majoritariamente masculino. "Eu sou mulher, e é óbvio que culturalmente eu fui ensinada a cuidar e não a liderar, mas eu lidero!", escreveu na ocasião. Ela também se orgulhava dos resultados obtidos pela Guarda de Vitória na proteção de outras mulheres. Sobre o período sem feminicídios na cidade, ela afirmou que o marco representava vidas preservadas e uma luta que avançava todos os dias através de firmeza e sensibilidade.

Perfil Brasil
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