Quem é a mulher trans encontrada morta com hematomas no rosto em prédio na Rua Augusta, no Centro de SP
Investigação da Polícia Civil apura circunstâncias da morte de brasileira que residia na Europa e passava férias na capital paulista
A Polícia Civil de São Paulo iniciou uma investigação detalhada para esclarecer as circunstâncias da morte de Renata Almeida Dutra, de 43 anos. A mulher trans foi encontrada sem vida por sua própria mãe na última terça-feira, (31), em um apartamento localizado na movimentada Rua Augusta, na região central da capital paulista. O caso foi registrado inicialmente como morte suspeita, uma vez que o corpo apresentava sinais físicos específicos que demandam perícia.
Marcas no corpo e investigação policial
De acordo com as informações contidas no boletim de ocorrência, a vítima apresentava o rosto inchado e uma mancha arroxeada no antebraço direito. Tais evidências físicas levantam questões sobre o que teria ocorrido nas horas que antecederam o óbito. No momento, as autoridades buscam entender se as marcas são decorrentes de uma possível violência ou se possuem relação com procedimentos estéticos recentes realizados por Renata.
O cenário encontrado no imóvel também chamou a atenção dos peritos e da família. Embora o apartamento não apresentasse sinais de arrombamento, parentes da vítima sentiram falta de objetos de valor. Segundo relatos dos familiares, o telefone celular e diversas joias de Renata não foram localizados no interior da residência. A Polícia Militar foi a primeira a chegar ao local e constatou o óbito imediatamente, preservando a área para a chegada da perícia técnica.
Últimos contatos e movimentação no prédio
As investigações apontam que o namorado de Renata foi a última pessoa a manter contato direto com ela. Imagens captadas pelas câmeras de segurança do edifício mostram o homem circulando pelo corredor e utilizando o elevador do prédio. Apesar dessas imagens, até a última atualização do caso, ele não era tratado pela polícia como um suspeito formal pela morte.
Curiosamente, o homem acabou detido pelas autoridades no dia seguinte ao falecimento de Renata. No entanto, a prisão ocorreu devido a um crime de furto, sem relação direta imediata com o óbito na Rua Augusta. Informações policiais indicam que ele já possui uma ficha criminal extensa. O depoimento desse indivíduo é considerado peça-chave para reconstruir a cronologia dos fatos e entender o estado de saúde e segurança de Renata em suas últimas horas de vida.
Retorno ao Brasil e cirurgia recente
Renata possuía uma trajetória de vida consolidada no exterior. À TV Globo, a mãe da vítima revelou detalhes sobre a rotina da filha nos últimos meses. "Renata morava em Paris havia mais de 20 anos e veio ao Brasil em novembro para passar alguns meses e comemorar seu aniversário", explicou a familiar, visivelmente abalada com a perda repentina. A viagem, que deveria ser um momento de celebração e reencontro, terminou em tragédia.
Outro ponto relevante para o inquérito é a saúde física da vítima após uma intervenção estética. A mãe afirmou ainda que a filha "fez um lifting facial — cirurgia plástica para rejuvenescer o rosto — no dia 22 de março, acompanhada de um amigo". No dia anterior à descoberta do corpo, a mãe havia levado comida para a filha e tudo parecia dentro da normalidade. Na terça-feira, após diversas tentativas frustradas de contato telefônico, a decisão de ir ao imóvel levou ao encontro do corpo. Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública informou que "diligências estão em andamento visando o total esclarecimento dos fatos" por meio do 4º Distrito Policial da Consolação.