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PT permite alianças com partidos que apoiaram impeachment

Apesar de prioridade à esquerda, petistas abrem espaço para parceria com siglas que votaram pelo impeachment de Dilma, como PSDB e DEM

7 fev 2020
22h32
atualizado em 8/2/2020 às 09h48
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Gleisi Hoffmann e José Dirceu durante o primeiro dia de evento em comemoração aos 40 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), no Circo Voador, na Lapa, zona central do Rio de Janeiro
Gleisi Hoffmann e José Dirceu durante o primeiro dia de evento em comemoração aos 40 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), no Circo Voador, na Lapa, zona central do Rio de Janeiro
Foto: Dikran Junior / Futura Press

Na tentativa de reconquistar espaço perdido nas últimas eleições, o PT deve permitir alianças em 2020 até com partidos que votaram a favor do impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, como PSDB e DEM. Embora essas parcerias não sejam recomendadas pela direção do partido, elas podem ser autorizadas pontualmente. Reunida no Rio, a Executiva Nacional da legenda aprovou ontem regras que devem ser seguidas na costura de apoio para as eleições municipais. 

O objetivo, segundo dirigentes da sigla, é tirar o PT do isolamento em que o partido se encontra desde o impeachment de Dilma, em 2016. Há quatro anos, a legenda viu sua participação em prefeituras cair quase 60%. De 2012 para 2016, o número de administrações municipais comandadas por petistas caiu de 630 para 256. Nas capitais, o partido não tem mais nenhum representante - o prefeito de Rio Branco (AC), Marcus Alexandre, deixou o cargo para tentar o governo do Estado, em 2018, e o cargo foi ocupado pela vice dele, Socorro Neri (PSB). 

O plano aprovado ontem pelo PT prevê dar prioridade a parcerias com os demais partidos de esquerda (PSB, PDT, PCdoB, Psol e PCO), mas libera coligações "táticas" com siglas de oposição ao governo Jair Bolsonaro e ao "lavajatismo", incluindo o chamado Centrão, bloco formado por PL, PP, DEM, PRB e Solidariedade. Os únicos vetos previstos pelos petistas são as alianças com PSL, Novo, Aliança pelo Brasil, legenda que Bolsonaro pretende criar, e setores que tenham sido hostis a Dilma e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No texto aprovado ontem, o PT separa os adversários históricos DEM e PSDB das siglas bolsonaristas. Democratas e tucanos são tratados como "ultraneoliberais", enquanto Aliança pelo Brasil, Novo e PSL são chamados de "extrema direita". Na prática, segundo a assessoria de imprensa do PT, isso significa que os candidatos a prefeito petistas poderão receber apoio do Centrão, PSDB e DEM. Nas cidades onde o partido não for cabeça de chapa, alianças com tucanos e democratas vão depender de autorização dos diretórios estaduais do PT.

"Nas situações em que o PT não encabeça a chapa e o candidato seja de um partido que não integre o espectro citado acima (da esquerda), somente serão permitidas alianças táticas e pontuais se autorizadas pelo Diretório Estadual, desde que candidato(a) tenha compromisso expresso com a oposição a Bolsonaro e suas políticas e não tenha práticas de hostilidade ao PT e aos presidentes Lula e Dilma", afirma o texto.

Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e candidato derrotado à presidência
Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e candidato derrotado à presidência
Foto: Dikran Junior / Futura Press

A política de alianças aprovada pelo PT é mais ampla do que propostas iniciais discutidas pelo partido. A primeira versão do texto, elaborada por integrantes da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), falava em alianças apenas com PCdoB e Psol e restringia as coligações a "setores do PDT e PSB".

Nesta semana, Dilma já havia dito, em entrevista à revista alemã DW, que o PT deve dialogar também com setores que defenderam o presidente Jair Bolsonaro e hoje se arrependem. 

O PT decidiu ainda "nacionalizar" a campanha municipal como forma de atacar Bolsonaro em 2022. O centro das críticas ao governo será a política econômica do ministro da Economia, Paulo Guedes, e não temas da agenda de costumes e direitos civis. 

Frentes

Fora do campo eleitoral, o PT também definiu regras para a participação em frentes políticas mais amplas. O partido não deve integrar formalmente grupos que tenham entre seus participantes partidos ou setores que defendam a política econômica de Bolsonaro. Por outro lado, foram liberadas articulações pontuais em temas específicos, como educação e segurança pública.

A Executiva petista tirou da pauta da reunião uma proposta sobre a distribuição dos recursos do fundo eleitoral. A ideia previa a criação de um piso a ser distribuído entre candidatos de todos os municípios, tendo como critério o número de eleitores de cada cidade, e a manutenção de um "colchão" financeiro a ser utilizado conforme as chances de vitória ou importância do município em disputa.

Gleisi nega aliança com 'rivais'

A presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, negou através de suas redes sociais na noite dessa sexta-feira, 7, que a sigla tenha autorizado alianças com PSDB e DEM para as eleições municipais deste ano. "Nossa decisão é contra alianças com PSDB, DEM e partidos da extrema direita", escreveu a deputada federal.

Anteriormente, a assessoria do PT havia previsto alianças pontuais às siglas citadas acima. O objetivo, segundo dirigentes, seria sair do isolamento em que o partido se encontra desde o impeachment de Dilma, em 2016.

No plano aprovado e divulgado nesta sexta, a prioridade do partidos seria parcerias com outras siglas de esquerda (PSB, PDT, PCdoB, Psol e PCO), além de coligações "táticas" com opositores ao governo de Jair Bolsonaro e ao "lavajatismo", incluindo o chamado Centrão, bloco formado por PL, PP, DEM, PRB e Solidariedade. Os únicos vetos previstos eram PSL, Novo, Aliança pelo Brasil e setores que tenham hostilizado os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva.

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