Protestos em toda a França têm confrontos e dezenas de detidos
Milhares de manifestantes foram às ruas na França em atos marcados por confrontos, vandalismo e dezenas de prisões. O movimento, que reativa pautas dos coletes amarelos e conta com forte adesão estudantil, protesta contra o aumento do custo de vida e a precariedade do ensino público. Em Paris e outras cidades, a polícia usou bombas de gás contra grupos violentos e reforçou a segurança com milhares de agentes para conter bloqueios de vias e proteger áreas estratégicas da capital.
Dezenas de milhares atenderam aos chamados nas redes sociais para reativar o movimento dos coletes amarelos, surgido em 2018 em protesto contra a desigualdade social.Manifestantes incendiaram objetos e danificaram prédios em várias cidades da França neste sábado (17/10), durante protestos contra o aumento do custo de vida e as condições das escolas.
Em Paris, houve confrontos entre a polícia e grupos que se uniram a uma marcha realizada como parte de uma jornada nacional de manifestações contra a alta dos preços e em apoio às reivindicações dos estudantes do ensino médio.
A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar centenas de manifestantes encapuzados e mascarados que lançavam rojões e outros objetos contra as forças de segurança na Praça da República, enquanto gritavam palavras de ordem pedindo a renúncia do presidente francês, Emmanuel Macron. Um forte contingente da tropa de choque foi mobilizado para o local.
Em todo o país, milhares de pessoas atenderam aos chamados feitos nas redes sociais para reativar o movimento dos coletes amarelos, surgido em 2018 em protesto contra a desigualdade social.
Os estudantes, que desde meados de setembro promovem bloqueios de escolas em diversas cidades, também convocaram seus apoiadores a participar das manifestações.
Os protestos começaram no mês passado em escolas dos bairros pobres da região norte de Paris, onde a indignação com a ausência de professores e as condições precárias das instalações rapidamente se transformou em um movimento nacional contra a desigualdade, os baixos investimentos públicos e a deterioração da qualidade dos serviços.
As manifestações deste sábado convocaram professores e estudantes, trabalhadores, aposentados e agricultores a aderir aos protestos e ampliar o movimento.
Dezenas de detenções
A Prefeitura de Polícia de Paris informou que até as 11h (horário local) haviam sido realizadas 61 detenções e 589 abordagens preventivas, além da aplicação de quatro multas.
As forças de segurança intervieram para dispersar duas manifestações: uma de caráter sindical, formada por cerca de 100 pessoas que se reuniram próximo à Estação do Norte, e outra de estudantes do ensino médio que havia começado na Rua de Rennes e seguia em direção à Estação de Montparnasse, detalhou a Prefeitura de Polícia de Paris.
Também na capital francesa, cerca de 100 pessoas encapuzadas tentaram bloquear o acesso ao estacionamento da sede da emissora de TV CNews e da rádio Europe 1, contra a qual lançaram diversos objetos e quebraram janelas.
Cerca de 20 pessoas foram detidas durante a ação contra esses dois veículos de comunicação de propriedade do magnata Vincent Bolloré, conhecido por sua proximidade com a extrema direita.
Manifestações em outras cidades
No centro de Marselha, lixeiras e outros materiais urbanos foram incendiados durante uma manifestação que reuniu várias centenas de pessoas no centro da segunda maior cidade francesa, na costa do Mediterrâneo.
Em Lyon, a terceira maior cidade do país, houve manifestações na refinaria de Feyzin, próxima a uma rodovia vários quilômetros ao sul, mas também em vários pontos da cidade, algumas das quais foram dispersadas pela polícia sob o argumento de que pretendiam obstruir o tráfego. Operações desse tipo também foram realizadas nas vias de contorno de Rennes e nas ruas de Lille.
Antecipando possíveis distúrbios, o ministro do Interior, Laurent Núñez, solicitou aos prefeitos dos departamentos do país (representantes do governo) que as forças de segurança procedam ao desbloqueio sistemático de "infraestruturas ou eixos estruturais" que estejam obstruídos pelos manifestantes.
Grande mobilização policial
Mais de 10 mil policiais e militares foram mobilizados para lidar com eventuais incidentes, 5 mil deles em Paris, onde a Prefeitura de Polícia proibiu aglomerações em áreas estratégicas, como os arredores do Palácio do Eliseu, da residência oficial do primeiro-ministro, das duas câmaras parlamentares, da Avenida Champs-Élysées ou das estações ferroviárias. Foi autorizado o trajeto para uma manifestação, entre a Praça da República e a Praça de Clichy.
Por trás desses protestos, nos quais os sindicatos não são os iniciadores, embora alguns deles (em especial a Confederação Geral do Trabalho), os apoiem, há um grupo heterogêneo de coletivos, principalmente estudantes, mas também alguns dos que foram líderes do movimento dos "coletes amarelos" nas manifestações de 2018 e 2019. As motivações também são múltiplas, como o aumento dos preços dos combustíveis e, de maneira mais geral, o alto custo de vida.
Simpatia da esquerda
Os partidos de esquerda, sem estarem diretamente envolvidos na organização, demonstraram sua simpatia, especialmente a França Insubmissa (LFI), de Jean-Luc Mélenchon. Bally Bagayoko, uma das figuras mais proeminentes desse partido da esquerda radical e prefeito da cidade de Saint-Denis, nos arredores de Paris, destacou nesta manhã, em declarações à emissora "France Info, que "o objetivo é, ao mesmo tempo, a convergência das lutas, dos indignados e das gerações".
Bagayoko, que nas últimas semanas se destacou por suas aparições para incentivar os alunos do ensino médio que reivindicam melhores condições de educação, mostrou-se convencido de que a mobilização deste sábado será "o ponto de partida de uma dinâmica mais importante".
O foco está, sem dúvida, nas eleições presidenciais, nas quais Mélenchon voltará a ser candidato e tem chances de se classificar para o segundo turno, segundo as pesquisas atuais, nas quais a grande favorita é a líder da extrema direita, Marine Le Pen.
md (EFE, ots)
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