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Papa recebe alta após retirada de nódulo cancerígeno, mas deixa em aberto visita à América Latina

O papa Leão XIV recebeu alta hospitalar neste sábado (17), quatro dias depois de ser submetido a uma cirurgia para retirada de um nódulo cancerígeno no pulmão direito, e retornou ao Vaticano sob aplausos de fiéis reunidos diante do Hospital Gemelli, em Roma. A saída do pontífice de 71 anos encerra um período de apreensão na Santa Sé e entre os 1,4 bilhão de católicos do mundo, mas ainda deixa em aberto a realização de uma viagem à América do Sul prevista para novembro.

17 out 2026 - 12h07
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Resumo
O papa Leão XIV recebeu alta do Hospital Gemelli após retirar com sucesso um nódulo cancerígeno no pulmão direito e já retornou ao Vaticano. Embora sua recuperação evolua de forma satisfatória, com previsão de retomar compromissos públicos leves como o Angelus, a realização de sua viagem à América do Sul, prevista para novembro, permanece indefinida. Por cautela médica, exames complementares continuam e todas as audiências oficiais do pontífice seguem suspensas até o dia 20 de outubro.

Os médicos afirmam que a recuperação evolui de forma satisfatória, embora exames complementares continuem em andamento para definir os próximos passos do tratamento.

Esta foto divulgada pelo Vatican Media neste sábado (17) mostra o papa Leão XIV visitando pacientes do Hospital Universitário Gemelli, em Roma, antes de deixar a instituição, quatro dias após ser submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor cancerígeno no pulmão direito.
Esta foto divulgada pelo Vatican Media neste sábado (17) mostra o papa Leão XIV visitando pacientes do Hospital Universitário Gemelli, em Roma, antes de deixar a instituição, quatro dias após ser submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor cancerígeno no pulmão direito.
Foto: AFP - HANDOUT / RFI

Leão XIV deixou o Hospital Gemelli por volta das 15h30 no horário local (10h30 em Brasília), sorridente e aparentando tranquilidade. Antes de embarcar no veículo que o conduziu ao Vaticano, cumprimentou médicos, funcionários da instituição e dezenas de pessoas que acompanhavam sua saída.

Pouco antes de partir, o pontífice conversou brevemente com Varvara Struck, uma adolescente ucraniana de 13 anos que superou um câncer após tratamento realizado em Roma e que havia ido ao hospital para desejar uma rápida recuperação ao líder da Igreja Católica.

Segundo relato anterior da jovem, ela havia conhecido o papa no ano passado, quando ainda enfrentava a doença. "Ele me abençoou para que meu tratamento desse certo", contou. "Graças ao apoio dele, consegui vencer a doença, e agora quero transmitir minha energia positiva para que ele também consiga superar a enfermidade o mais rapidamente possível."

Cerca de dez minutos após deixar o hospital, o veículo do pontífice entrou no Vaticano por um acesso lateral, encerrando oficialmente a internação iniciada na terça-feira (13).

Mais cedo, a equipe médica havia informado que os exames realizados na manhã deste sábado mostraram evolução clínica compatível com a alta hospitalar. De acordo com os médicos Luigi Carbone e Stefano Margaritora, análises de sangue, radiografias do tórax e a avaliação geral do quadro clínico permitiram concluir que o papa estava em condições de retornar à residência pontifícia.

O Vaticano anunciou que Leão XIV deverá retomar parcialmente a agenda pública já no domingo (18), quando pretende conduzir a oração do Angelus da janela do apartamento pontifício com vista para a Praça de São Pedro.

Recuperação é considerada satisfatória

A internação do pontífice teve início após a descoberta de um nódulo em um dos pulmões durante exames de rotina. Foi o próprio Leão XIV quem tornou público o diagnóstico no último domingo (11), após a oração do Angelus, ao informar que os médicos recomendavam a retirada cirúrgica da lesão.

A cirurgia foi realizada no Hospital Gemelli, tradicional centro médico utilizado por papas desde o pontificado de João Paulo II. Os médicos removeram parte do pulmão direito para extrair o nódulo identificado durante os exames.

O anúncio da presença de um tumor provocou preocupação tanto dentro do Vaticano quanto entre comunidades católicas em diversos países. A notícia ganhou especial repercussão por envolver um pontífice que, até então, apresentava boa condição física e mantinha rotina considerada ativa.

Nos dias seguintes ao procedimento, porém, os boletins médicos passaram a indicar uma evolução considerada positiva. Segundo os profissionais responsáveis pelo acompanhamento, os exames realizados na sexta-feira (16) já haviam demonstrado melhora constante do estado geral de saúde.

Embora a recuperação seja descrita como normal, os médicos ainda aguardam resultados adicionais para definir as próximas etapas do acompanhamento clínico.

Durante a internação, Leão XIV manteve parte de suas atividades religiosas. Neste sábado, celebrou uma missa em uma sala adaptada como capela no décimo andar do hospital. Na sexta-feira (16), o Vaticano divulgou imagens do papa presidindo a celebração vestido com casula verde e solidéu branco.

Agenda internacional permanece indefinida

Mesmo hospitalizado, o pontífice voltou gradualmente a algumas funções de governo da Igreja.

Na sexta-feira, ele realizou uma ligação telefônica para o presidente russo, Vladimir Putin, durante a qual pediu um cessar-fogo na cidade ucraniana de Oleshky, na região de Kherson. Localizada às margens do rio Dnipro, a área tornou-se um dos principais focos da crise humanitária associada à guerra entre Rússia e Ucrânia.

Moscou e Kiev reconhecem as dificuldades enfrentadas pela população local, mas atribuem uma à outra a responsabilidade pelos obstáculos à entrega de ajuda humanitária e às operações de evacuação de civis.

A principal incógnita agora diz respeito à viagem que Leão XIV pretende realizar à América do Sul entre 6 e 17 de novembro. O roteiro inclui passagens por Uruguai, Argentina e Peru.

A possibilidade de cancelamento ou adiamento ainda não foi oficialmente discutida pela Santa Sé, mas observadores do Vaticano consideram provável que a decisão seja tomada com base nas recomendações médicas das próximas semanas.

O tema tem peso especial para o pontífice. Antes de chegar ao comando da Igreja Católica, Leão XIV passou cerca de duas décadas atuando como missionário no Peru, país com o qual mantém forte vínculo pessoal e pastoral.

Por precaução, todas as audiências papais permanecem canceladas até 20 de outubro. A expectativa no Vaticano é que os próximos dias permitam avaliar se a recuperação seguirá o ritmo necessário para a retomada completa das atividades e para a realização da primeira grande viagem internacional de seu pontificado após a cirurgia.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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