França tem sábado de protestos contra o alto custo de vida e em defesa da educação
Milhares de manifestantes, entre estudantes do ensino médio, universitários, coletes amarelos, ativistas do clima e sindicalistas, são esperados neste sábado (17) em toda a França para protestar contra o alto custo de vida e exigir mais recursos para a educação.
A França enfrenta uma onda de protestos contra o aumento do custo de vida e em defesa da educação, unindo estudantes, sindicatos e coletes amarelos. Com previsão de 150 mil manifestantes na Grande Paris e centenas de atos nacionais, a polícia proibiu concentrações em pontos estratégicos e reforçou a segurança contra a violência. A chamada convergência das lutas preocupa o governo, que lida com tensões sociais, perda do poder de compra e crise da dívida pública.
O chefe da polícia de Paris, Patrice Faure, publicou nesta sexta-feira (16) decretos que proíbem manifestações em diversos setores estratégicos da capital, incluindo áreas próximas ao Palácio do Eliseu, ao Hôtel Matignon e à avenida Champs-Élysées.
Segundo a polícia, estarão proibidos, das 7h às 22h, os atos, concentrações e cortejos que não tiverem sido previamente comunicados às autoridades. De acordo com uma fonte policial, cerca de 150 mil pessoas devem participar das manifestações na região parisiense.
A previsão é de aproximadamente 40 mil manifestantes desfilem na capital. Em todo o país, cerca de 500 ações estão previstas e mais de 90 manifestações estão em fase de organização.
Neste sábado, o uso de granadas de efeito moral, suspenso durante o movimento estudantil, poderá ser autorizado em casos de "violência urbana extremamente grave", segundo o Ministério do Interior.
A chamada "convergência das lutas", vista com preocupação pelo governo, ocorre em meio a fortes tensões sociais, alavancadas pela alta dos combustíveis e pela perda do poder de compra da população. A segunda maior economia da zona do euro está sob estreita vigilância dos mercados financeiros e enfrenta uma crise da dívida pública.
'O poder tem medo'
A lembrança do movimento dos coletes amarelos, que participará das manifestações neste sábado, marcou o início do primeiro mandato do presidente Emmanuel Macron entre 2018 e 2019.
O movimento começou em protesto contra o aumento dos impostos sobre os combustíveis. As imagens da violência registrada à margem das manifestações, especialmente na avenida Champs-Élysées, ganharam repercussão mundial.
A mobilização, sem precedentes, foi marcada por 11 mortes relacionadas aos protestos, além de 23 pessoas que perderam um olho, cerca de 2.500 manifestantes feridos e 1.800 integrantes das forças de segurança feridos.
"Não se trata apenas de um movimento dos coletes amarelos, nem apenas de estudantes do ensino médio e universitários. É todo um povo que está se levantando, e é por isso que o poder tem medo", afirmou Benjamin Ball, editor do site 17 octobre, bloquons tout (vamos bloquear tudo).
Segundo Sophie Binet, líder da central sindical CGT, as diversas reivindicações da mobilização, especialmente contra o alto custo de vida, que reúne coletes amarelos, agricultores e motoristas de aplicativos, convergem com as demandas dos estudantes.
"É preciso compreender a gravidade da situação. Hoje, comprar tomates, abobrinhas ou abastecer o carro está se tornando um luxo. Há milhões de trabalhadores completamente sufocados e que já não conseguem fechar as contas", afirmou a sindicalista.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu avaliou na quinta-feira (15) que o movimento se transformou em "um movimento de violência urbana", o que, segundo ele, "é uma injustiça com os estudantes". Após um mês de bloqueios em escolas, o movimento dava sinais de enfraquecimento nesta sexta-feira.
Até agora, a única resposta concreta apresentada pelo governo foi um plano emergencial para substituir professores ausentes. Segundo o Ministério da Educação, 2.000 substitutos já foram designados, dos 3.000 prometidos.
Com agências
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.