UE reafirma apoio à Ucrânia após novas críticas de Trump a Zelensky
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou nesta quinta-feira (15) como uma "vergonha" a retomada dos ataques ucranianos contra refinarias russas e voltou a endurecer o tom contra Volodymyr Zelensky. As declarações foram feitas enquanto o presidente ucraniano participava de uma cúpula da União Europeia, em Bruxelas, para reforçar o apoio militar europeu diante da intensificação dos ataques da Rússia.
Em meio ao aumento dos ataques russos e ao desgaste com Donald Trump — que criticou as investidas de Kiev contra refinarias da Rússia e o próprio líder ucraniano —, Volodymyr Zelensky buscou reforçar a aliança com a União Europeia em Bruxelas. Líderes do bloco reiteraram suporte militar e a manutenção de sanções a Moscou, mas admitem desafios para ampliar a ajuda financeira e limitações tecnológicas para suprir a rede Starlink, crucial para as operações militares da Ucrânia.
A participação de Volodymyr Zelensky nas reuniões do Conselho Europeu acontece com frequência, desde o início da guerra na Ucrânia. Mas na cúpula da UE desta quinta e sexta-feira, ele necessita mais do que nunca do apoio dos europeus, já que a relação com o aliado americano voltou a se deteriorar.
O presidente ucraniano não escondeu sua insatisfação com o acordo fechado na semana passada entre Donald Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, sobre o fornecimento de diesel. A Rússia voltou a atacar instalações energéticas em Kiev na quarta-feira e a Ucrânia anunciou a retomada dos bombardeios contra refinarias russas. Moscou informou que uma refinaria pegou fogo após um "ataque maciço" de drones e mísseis ucranianos.
Em entrevista à emissora Newsmax, Trump voltou a criticar Volodymyr Zelensky. Além de chamar a retomada dos ataques ucranianos contra as refinarias russas de "vergonha", o presidente americano afirmou que os atos contribuem para a alta dos preços globais da energia.
Para Trump, "é mais difícil" negociar com o líder ucraniano do que com Vladimir Putin. "Zelensky não é a pessoa certa para chegarmos a um acordo", concluiu o presidente americano.
Apoio europeu
Em Bruxelas, o presidente ucraniano se reuniu com o secretário-geral da Otan e com diversos líderes europeus, entre eles o presidente francês, Emmanuel Macron. Zelensky pede aos europeus mais sistemas de defesa aérea e mísseis interceptadores diante da intensificação dos bombardeios russos.
No ano passado, a União Europeia aprovou € 90 bilhões (cerca de R$ 576 bilhões) em ajuda para um período de dois anos, mas o montante já parece insuficiente. Ao fim do encontro com Macron, na quinta-feira (15), o presidente francês afirmou ser "essencial" manter o apoio à Ucrânia. A mesma mensagem foi reforçada nesta sexta-feira (16) pelos principais dirigentes da União Europeia.
"Você pode contar conosco", declarou o presidente do Conselho Europeu, António Costa. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ressaltou que "não suspenderemos nenhuma sanção enquanto a Rússia não encerrar a guerra".
Resta agora saber o que os europeus poderão fazer para ampliar o apoio à Ucrânia. No ano passado, a União Europeia já liberou € 90 bilhões para um período de dois anos, uma soma que já parece insuficiente.
Restrições à Starlink
A capacidade de apoio da UE esbarra em limitações tecnológicas. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, reconheceu que o bloco não tem condições de substituir, no curto prazo, a rede de satélites Starlink, considerada essencial para as comunicações e operações militares ucranianas.
"A Starlink é realmente indispensável para a Ucrânia e, infelizmente, a Europa não pode substituir essa capacidade no curto prazo", afirmou Kallas durante a cúpula em Bruxelas.
A declaração ocorre após Kiev denunciar restrições ao acesso à tecnologia da Starlink e ao compartilhamento de informações de inteligência pelos Estados Unidos. Segundo autoridades ucranianas, essas limitações afetam especialmente as operações com drones, peça-chave na guerra contra a Rússia.
Enquanto os dirigentes europeus discutiam o reforço da ajuda a Kiev, um ataque com drone russo contra Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, deixou três mortos e pelo menos cinco feridos, segundo informou o governador regional Oleh Synegubov. Equipes de resgate foram mobilizadas para atender as vítimas no local.
Com agências
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