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Governo dos EUA faz operação na casa de deputada crítica de Trump; parlamentar alega 'intimidação'

Governo afirma que ação estaria ligada a suspeita de fraude imigratória; Ilhan Omar acusa Trump de usar o governo para perseguir adversários

12 out 2026 - 20h09
(atualizado às 20h14)
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Ilhan Omar
Ilhan Omar
Foto: Joshua Lott/Getty Images

Na madrugada desta segunda-feira, 12, autoridades dos Estados Unidos fizeram uma operação na casa da deputada federal democrata Ilhan Omar, representante de Minnesota, na região de Washington. Conhecida pelas críticas a Donald Trump, a parlamentar também tem sido alvo de ataques e insultos políticos do presidente republicano.

Uma fonte ligada à investigação disse à Reuters que a ação está ligada a uma possível fraude imigratória. Um dos pontos apurados seria a documentação migratória de Ilhan Omar, nascida na Somália, que teria sido preenchida por seu pai, já falecido, quando ela ainda era criança.

Nas redes sociais, Omar acusou o governo dos Estados Unidos de ser usado para perseguir uma adversária política de Trump. “Há dez anos, Trump me persegue com mentiras infundadas e campanhas de difamação”, afirmou a deputada. “Esta é apenas a mais recente escalada em sua campanha de intimidação política. Não serei silenciada.”

Integrantes do Partido Democrata também acusaram Trump e sua administração de abuso de poder. Aos 44 anos, Omar concorre a mais um mandato de dois anos na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos. A eleição legislativa de meio de mandato está prevista para 3 de novembro.

Em entrevista à Fox Business Network, Tom Homan, encarregado da política de fronteiras do governo Trump, afirmou que a investigação é conduzida conjuntamente pelo Departamento de Justiça e pelo Departamento de Segurança Interna. Ele, no entanto, não deu detalhes sobre a investigação em andamento.

No mês passado, o secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, indicado por Trump para o cargo, antecipou que haveria desdobramentos na investigação sobre a entrada da família de Omar no país. Na ocasião, em entrevista ao podcaster conservador Benny Johnson, Mullin declarou: “Se conseguirmos provar que você não deveria estar aqui desde o início, vamos deportá-la”.

A operação foi realizada pouco mais de três semanas antes das eleições de meio de mandato, quando o partido de Donald Trump busca manter o controle do Congresso. Uma das principais representantes da ala progressista do Partido Democrata, Omar foi eleita por um distrito tradicionalmente democrata. Em 2024, ela conquistou a reeleição com uma vantagem de 50 pontos percentuais.

Democratas condenam operação

A liderança do Partido Democrata na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos criticou a operação na casa de Ilhan Omar. Em comunicado conjunto, Hakeem Jeffries, Katherine Clark e Pete Aguilar disseram que a ação foi “profundamente perturbadora e levanta sérias questões sobre o uso do governo federal como arma contra os adversários de Trump”. Jeffries também acusou os republicanos de terem “perseguido implacavelmente” a parlamentar.

Os deputados afirmaram que “a máquina de deportações em massa de Trump chegou à residência de uma integrante do Congresso devidamente eleita e de sua família”. O grupo prometeu “garantir a plena responsabilização” pelo que classificou como um “abuso de poder arbitrário”. O governador democrata de Minnesota, Tim Walz, também condenou a ação e escreveu nas redes sociais: “Os americanos enxergam essa situação pelo que ela é”. Em seguida, afirmou: “O presidente Trump está abusando de seu poder para perseguir adversários políticos semanas antes de uma eleição.”

A atuação das autoridades também levanta questionamentos à luz das diretrizes do Departamento de Justiça, que vedam a programação de medidas por procuradores e agentes federais com a finalidade de influenciar eleições ou beneficiar partidos e candidatos. Como prática histórica, o órgão procura evitar ações investigativas contra candidatos nos 60 dias anteriores ao pleito, embora não haja uma proibição geral de investigações nesse intervalo.

Trump intensifica ataques a deputada democrata

Ilhan Omar tem sido alvo frequente de declarações hostis de Donald Trump, que associou a comunidade somali-americana a uma ameaça para Minnesota em meio a comentários contra somalis e muçulmanos. A deputada classificou o interesse do presidente por ela como uma “obsessão doentia e perturbadora”. Na semana passada, Trump também chamou Abdul El-Sayed, candidato democrata muçulmano ao Senado por Michigan, de “extremista RADICAL” e “simpatizante de terroristas”, ao manifestar apoio ao republicano Mike Rogers, seu adversário na disputa.

As declarações provocaram críticas de defensores dos direitos civis, especialmente após Trump se referir anteriormente aos somalis como “lixo”. Em fevereiro, o presidente disse que Omar e a deputada Rashida Tlaib, também muçulmana e representante de Michigan, deveriam ser “internadas em instituições psiquiátricas” e enviadas de volta para “o lugar de onde vieram”. As duas haviam contestado Trump durante o discurso sobre o Estado da União, no qual ele defendeu o endurecimento da política migratória e as ações de fiscalização de seu governo.

Omar relatou que ela e familiares receberam ameaças de morte, que atribuiu à “retórica política de ódio”, sobretudo às declarações de Trump. No mês passado, Anthony James Kazmierczak, de Minnesota, foi condenado a um ano e dois meses de prisão após admitir ter agredido a deputada, atingindo-a com vinagre. Ele se declarou culpado de agredir uma autoridade federal e reconheceu que cometeu o ataque por discordar das posições políticas progressistas de Omar.

Fonte: Portal Terra
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