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Verão será mais quente do que a primavera?

Entenda a influência do El Niño, da nebulosidade e da chuva nas temperaturas do verão.

25 nov 2023 - 06h16
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O solstício de verão no Hemisfério Sul em 2023, ou o início astronômico do verão 2023/2024, será no dia 22 de dezembro, às 00h27. O verão se estende até o dia 20 de março de 2024, às 00h06, horários de Brasília.

A data e hora do início e fim das estações do ano são determinadas por cálculos astronômicos bastante precisos e podem ser calculadas com muitos anos de antecedência, pois dependem exclusivamente do movimento da Terra ao redor do Sol.

Mas a atmosfera não obedece o calendário e na Meteorologia, consideramos o verão meteorológico o período de todos os dias dos meses de dezembro, janeiro e fevereiro.

O verão é época de calor em todo o Brasil, de dias quentes e muitas vezes abafados, com pancadas de chuva frequentes pelo menos à tarde e à noite. 

Foto: Climatempo

Verão será muito mais quente do que a primavera? (Foto: Getty Images)

Muitas pessoas pensam que, diante de uma primavera tão quente como esta de 2023, que já teve quatro ondas de calor abrangentes sobre o Brasil, o calor será ainda pior no verão. Além disso, o as temperaturas tenderiam a ficar ainda mais altas no verão porque a previsão é de que o fenômeno El Niño atinja o ápice entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024.

Afinal, verão 2023/2024 será ainda mais quente do que já foi a primavera?

Verão com El Niño

O verão 2023/2024 não será um verão normal porque o fenômeno El Niño, que já influenciou o clima no Brasil durante toda a primavera, vai continuar tendo forte atuação nos meses de verão.

O fenômeno El Niño observado este ano é considerado de forte intensidade e vai influenciar todo o verão 23/24. Além do excesso de chuva no Sul do Brasil, que ainda será observado no verão, e da redução da chuva na Região Norte, que vai atrasar a recuperação do nível de água dos rios, da diminuição da chuva também no período chuvoso do norte do Nordeste, um outro efeito do El Niño é alterar a distribuição da chuva também sobre o Sudeste e o Centro-Oeste. 

Verão quente

Assim, considerando o maior aquecimento que já ocorre naturalmente sobre o Brasil em dezembro e em janeiro, a irregularidade da chuva causada pelo El Niño neste verão, a expectativa é de que o verão 2023/2024 tenha temperaturas acima do normal em quase todo o Brasil e picos de calor intenso, em áreas localizadas.

O Brasil terá, sim, um verão quente, com calor acima do normal, porém, é menos provável que ocorram novas ondas de calor tão intensas e extensas como as que foram observadas em novembro em setembro.

Uma situação especial que precisará ser monitorada no verão é a possibilidade de atuação da Alta Subtropical do Atlântico Sul  (ASAS) com força acima do normal e numa posição mais próxima da do Brasil do que o normal. Este tipo de alteração da ASAS pode gerar condições para um aquecimento muito acima do normal especialmente no leste do Sudeste,  abrangendo o leste de São Paulo, os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo e o leste de Minas Gerais. 

Temperatura na primavera e no verão

Durante a primavera no Brasil, com ou sem El Niño, é muito comum a ocorrência de picos de calor. Isso ocorre naturalmente porque o aquecimento solar sobre o Hemisfério Sul na primavera aumenta com passar das semanas, indo para o fim do ano, e porque ainda não se formam grandes e persistentes áreas de chuva sobre o país.

A nebulosidade e a chuva são reguladores naturais da temperatura diária e inibem o aquecimento excessivo do ar. 

Em dias de outubro ou novembro com poucas nuvens e muito sol, com ventos quentes persistentes, a temperatura sobe rapidamente e pode alcançar valores vários graus acima do padrão climatológico para estes meses.

Outubro e novembro são meses naturalmente mais quentes porque o número de horas com sol para aquecer o ar já é maior do que no inverno e o sol destes meses é mais forte pelo simples posicionamento da Terra em relação ao sol.

Em dezembro, o aquecimento solar e o número de horas com sol para esquentar o ar aumentam em relação aos meses de novembro e outubro, pois o Hemisfério Sul vai se aproximando do solstício de verão, que este ano ocorre no dia 22 de dezembro, às 00h27.

É no solstício de verão que o Hemisfério Sul e o Brasil recebem a maior carga de sol. Mas na prática, essa "dose máxima de sol"  já ocorre semanas antes do solstício e se prolonga por semanas depois desta data.

É em dezembro e em janeiro que o Brasil fica mais próximo do solstício de verão e recebe a maior "carga de sol" do ano. Só isso já faz com que o ar esquente mais nestes meses e as temperaturas fiquem naturalmente mais elevadas. As madrugadas de dezembro e de janeiro são, em geral, mais quentes do que em outros meses do ano. 

Temperaturas extremas não costumam ocorrer no verão

Em geral, durante os dias de verão, as primeiras pancadas de chuva do dia ocorrem já no início da tarde e se estendem muitas vezes até a noite. Muitos dias de primavera são sem chuva ou com pancadas de chuva no fim da tarde, permitindo mais horas de sol forte. A nebulosidade em dias de verão, em geral, é maior do que em dias de primavera.

Temperaturas extremas da tarde, os recordes do ano, e ondas de calor, em geral, não são comuns no Brasil nos meses de verão porque o excesso de nebulosidade e a chuva mais frequente, que normalmente se observa no verão, dificultam a elevação da temperatura. 

Ondas de calor de 2023

O Brasil vivenciou quatro fortes ondas de calor no segundo semestre de 2023, que atuaram em grandes áreas, abrangendo vários estados de quase todas as regiões do país. 

As ondas de calor de grande abrangência sobre o Brasil no segundo semestre de 2023 foram entre os dias abaixo, conforme consideradas pelo Instituto Nacional de Meteorologia. Estas ondas abrangentes ocorreram nos seguintes meses: 

Agosto: 22 a 28 de agosto

Setembro: 18 a 29 de setembros

Outubro: 17 a 23 de outubro 

Novembro: 8 a 19 de novembro

O Inmet considera uma pequena onda de calor entre 3 e 6 de outubro, de pouca abrangência no país, e ainda outras três ondas de calor, uma em janeiro, outra em fevereiro e outra em março de 2023, mas que tiveram atuação restrita ao Rio Grande do Sul.

Climatempo
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