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ONU alerta para retorno do El Niño com forte intensidade em 2026

Sob a sombra de 2024, Rio Grande do Sul entra em alerta com novo ciclo do fenômeno climático

5 jun 2026 - 08h42
(atualizado às 08h46)
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A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização Meteorológica Mundial (OMM), emitiu um alerta global sobre o retorno do fenômeno climático El Niño a partir deste mês de junho. De acordo com as projeções apresentadas pela secretária-geral da agência, Celeste Saulo, o fenômeno deve atingir uma intensidade classificada, no mínimo, como moderada, com altas probabilidades de se manifestar de forma forte a muito forte ao longo do segundo semestre.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, processo que libera grandes volumes de umidade na atmosfera e desorganiza os padrões climáticos globais. O último ciclo do fenômeno foi um dos principais fatores que impulsionaram as temperaturas globais, colaborando de forma direta para que o ano de 2024 batesse recordes como o mais quente da história do planeta.

Os desdobramentos do aquecimento atmosférico geram riscos que ultrapassam o desconforto térmico. A liderança da OMM destacou que o calor extremo se consolidou como uma das ameaças climáticas mais letais da atualidade e que a intensificação do fenômeno agrava vetores de risco em cascata. Há uma preocupação direta com a segurança alimentar e hídrica, além do potencial aumento na incidência de doenças sazonais transmitidas por mosquitos, como a dengue e a malária.

Para o território brasileiro, os reflexos do El Niño tendem a se manifestar de maneiras opostas a depender da região geográfica. Nas regiões Norte e Nordeste, há o aumento do risco de secas severas e estiagens prolongadas, elevando o potencial de incêndios florestais na Amazônia e pressionando o abastecimento hídrico. Já nas regiões Sudeste e Sul, a prospecção é de volumes de chuva significativamente acima da média, gerando alertas para enchentes, enxurradas e deslizamentos de terra em encostas. Além disso, o regime irregular de precipitações acende um sinal de alerta para o setor elétrico nacional, uma vez que a geração de energia hidrelétrica no país depende diretamente da regularidade e do volume de chuvas nas bacias hidrográficas.

Monitoramento e o cenário de alerta no Rio Grande do Sul

A ONU enfatizou que, embora os impactos econômicos e sociais possam ser severos, o El Niño possui a vantagem de ser um dos poucos eventos climáticos de grande escala passíveis de previsão científica antecipada. Diante disso, a agência internacional reforçou a urgência de que os governos adotem planos de mitigação e invistam em sistemas de alerta precoce para preparar as populações vulneráveis.

No contexto local, o monitoramento ganha contornos de extrema gravidade no Rio Grande do Sul. O estado ainda se recupera das consequências da catástrofe climática vivenciada em 2024, o que eleva a vulnerabilidade do solo e das infraestruturas urbanas. Apesar de os meteorologistas esclarecerem que não é possível cravar uma repetição idêntica do desastre anterior, a magnitude prevista para o fenômeno neste ano eleva consideravelmente as probabilidades de novas cheias de rios, vendavais e ciclones extratropicais na região.

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