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Preços da construção civil atingem maior índice desde junho de 2021

Segundo o IBGE, no mês de maio, o Índice Nacional da Construção Civil apresentou alta de 2,17%, que representam 0,96 ponto percentual em relação a abril. Nos últimos 12 meses, a alta acumulada é de 15,44%, pouco acima dos 15% registrados nos 12 meses anteriores. Os custos altos acabam incentivando a adoção de modelos construtivos mais econômicos, sem perder qualidade.

23 jun 2022 10h19
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O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou aumento de 2,17% no mês de maio, segundo última atualização divulgada pelo órgão em 9 de junho. É a maior taxa registrada desde junho de 2021. O acumulado do ano já está em 5,77% e nos últimos 12 meses, registra aumento de R$ 15,44%, índice um pouco maior que os 15% registrados nos 12 meses anteriores.

Foto: DINO / DINO

De acordo com o IBGE, de forma concreta, o custo nacional da construção, por metro quadrado, passou de R$ 1.567,79 em abril para R$ 1.601,76 no mês de maio, sendo R$ 962,98 relativos a materiais e R$ 638,78 relacionados à mão de obra. Outro índice, o do custo da construção (INCC-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), também apresentou alta no mês de maio e ficou em 1,49%. No ano, já acumula alta de 4,27% e 11,20% nos últimos 12 meses.

Diante desse cenário, quem precisa construir acaba focando na busca pela redução de custos, optando por métodos construtivos que, sem renunciar à segurança e qualidade, acabam ficando mais baratos. Um desses métodos é o que utiliza alvenaria estrutural no lugar de concreto armado. O engenheiro civil Mário José de Godoi informa que projetos de edifícios de até quatro pavimentos, construídos em alvenaria estrutural, alcançaram uma redução de até 32% do custo total da obra.

"O consumo menor de concreto, aço e madeira para as formas dos pilares e vigas, menor tempo de execução da obra devido a simultaneidade das etapas, reduzindo também o valor de mão de obra e encargos trabalhistas, geram grande economia no custo final da obra", relata.

Godoi explica que a diferença desse modelo para o concreto armado, também muito utilizado no Brasil. Neste caso, ele toma como exemplo a construção de um apartamento, em que as cargas que incluem o peso da própria estrutura, peso dos móveis e das pessoas são enviados primeiro à laje. A partir desta etapa, a carga é descarregada em vigas e estas descarregam nos pilares que levam até a fundação.

"Já na alvenaria estrutural, não existem vigas ou pilares. As próprias paredes recebem as cargas das lajes e levam as cargas até a fundação. Essas paredes podem ser construídas em blocos de cerâmica ou blocos de concreto e estes blocos são vazados e não possuem fundo", detalha o profissional, que atualmente é doutorando em Engenharia pela Universidade de Granada, na Espanha.

Planejamento - Segundo Mário José de Godoi, a alvenaria estrutural requer uma obra mais racionalizada e, por isso, ao optar pelo método, o construtor deverá planejar todas as etapas da construção para serem executadas corretamente. "Por exemplo, as instalações elétricas e hidráulicas precisam ser instaladas no mesmo tempo da construção da parede. Isto porque, depois de concluídas, as paredes não poderão mais ser cortadas ou quebradas para passagem de tubulações. Justamente por essa racionalização, a obra é mais limpa e se evita o desperdício", ressalta.

Método de construção também tem desvantagens, explica engenheiro

Apesar das vantagens do método de construção em alvenaria estrutural, estas diminuem conforme o tamanho da estrutura. O engenheiro civil Mário José de Godoi explica que hoje existem edifícios com até 28 pavimentos construídos segundo o modelo, entretanto as vantagens como redução de custo vão diminuindo conforme o número de pavimentos.

"Quanto maior a altura da estrutura, aumentam também as cargas provocadas pelo vento na base da edificação, necessitando de reforços estruturais, o que eleva o custo da construção. Para edificações com até 15 pavimentos a economia diminui para 15%, deixando de ter viabilidade financeira a partir de 20 pavimentos", observa Godoi.

Outra desvantagem, lembra o engenheiro, é a limitação do projeto arquitetônico devido à modulação dos blocos que a alvenaria estrutural necessita. "Neste caso, não se permite a construção com grandes vãos ou janelas com grandes aberturas de vidro, além do fato de não poder remover as paredes, pois elas possuem função estrutural. Outra limitação para utilização do método é a falta de profissionais qualificados para trabalhar com esse tipo de construção", conclui.

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra
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