Porto Alegre abre abrigos emergenciais para famílias afetadas pelas chuvas
Capital gaúcha já registra 170 mm de precipitação e entra em alerta; outras cidades também sofrem com inundações
Diante das chuvas intensas que atingem o Rio Grande do Sul desde o início da semana, a Prefeitura de Porto Alegre ativou, nesta quarta-feira (18), dois abrigos emergenciais para acolher famílias desabrigadas. A medida ocorre em meio a um novo alerta meteorológico e ao temor da repetição dos trágicos eventos da enchente histórica de maio de 2024, que resultou em 184 mortos e 25 desaparecidos no estado.
Os abrigos têm capacidade para até 50 pessoas cada. Um deles foi montado na Arena KTO, na Avenida Severo Dullius, Zona Norte da capital, onde sete pessoas já haviam sido acolhidas até o final da tarde (dois adultos, quatro crianças e uma adolescente). O segundo abrigo, instalado no Ginásio Calábria, na Restinga, aguardava o recebimento de 24 moradores após triagem feita pela Defesa Civil e pela Secretaria Municipal de Assistência Social.
Porto Alegre está em estado de atenção, com previsão de mais 30 mm de chuva nesta quinta-feira (19). Desde a meia-noite de terça-feira (15), já choveu 170 mm na cidade — superando a média mensal de 130 mm para junho, segundo dados dos sensores da Defesa Civil.
Região Metropolitana também sofre com alagamentos
Em Canoas, na região metropolitana, o volume de água chegou a 69 mm em apenas quatro horas durante a madrugada — ultrapassando a previsão total de chuvas para todo o dia. Até o momento, 89 pessoas foram desalojadas e outras 28 levadas a abrigos públicos, segundo a prefeitura.
Os alagamentos mais severos foram registrados na região oeste, onde casas foram invadidas pela água, obrigando os moradores a suspender móveis e pertences. Pelo menos 29 escolas sofreram danos estruturais, como destelhamentos, o que levou à suspensão das aulas nas redes municipais de educação infantil e ensino fundamental em áreas afetadas.
Rios em elevação e novas mortes registradas
Em Lajeado, o rio Taquari ultrapassou a cota de inundação de 19 metros, atingindo 19,47 m às 16h45 desta quarta. Embora ainda abaixo do pico de 30 metros registrado em maio, a situação segue sendo monitorada com atenção.
Na cidade de Muçum, o mesmo rio subiu 60 cm em três horas, alcançando 11,50 m, ainda distante da cota de inundação local (18 m). Já em São Sebastião do Caí, o rio Caí atingiu 10,60 m, superando em 10 cm a cota de alerta. O prefeito João Marcos Guará (PSDB) alertou para a possibilidade de que o rio suba entre 1 a 2 metros até a madrugada de quinta-feira, podendo chegar a 13 metros. Trinta e sete pessoas já foram retiradas preventivamente de suas casas e levadas para abrigos.
O governador Eduardo Leite (PSD) sobrevoou a região para acompanhar de perto os desdobramentos. Em Nova Petrópolis, um jovem de 22 anos morreu ao ser arrastado com o carro após o desabamento da cabeceira de uma ponte. Em Candelária, a Defesa Civil confirmou a morte de uma mulher. Os bombeiros continuam as buscas por um homem desaparecido.