Polícia de SP investiga morte de Millena Brandão, atriz de 11 anos
A morte da atriz Millena Brandão, de 11 anos, registrada como "suspeita", levou a Polícia Civil de São Paulo a instaurar um inquérito. A investigação ocorre no 101º Distrito Policial (Jardim Imbuias) e apura se houve falha médica durante os atendimentos recebidos pela criança. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou a apuração por meio de nota nesta segunda-feira (5).
"O caso é investigado pelo 101º Distrito Policial (Jardim Imbuias), que instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias da ocorrência, registrada como morte suspeita. Laudos periciais foram requisitados e estão em andamento para análise da autoridade policial", diz o comunicado oficial.
Falhas no atendimento contribuíram para a morte da atriz?
Entre o fim de abril e o início de maio, Millena foi atendida em pelo menos três unidades de saúde pública. Os pais relataram que, durante nove dias, a filha teve fortes dores de cabeça e passou por uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e dois hospitais estaduais. No Hospital Geral do Grajaú, foi confirmada a morte encefálica na sexta-feira (2).
Segundo a família, o diagnóstico foi inicialmente de dengue, depois de infecção urinária. Apenas no terceiro hospital, após uma tomografia, médicos passaram a suspeitar de um tumor cerebral — hipótese que ainda não foi confirmada.
Diante das inconsistências, os pais da atriz registraram um boletim de ocorrência no sábado (3). Eles afirmam que houve negligência médica nas instituições por onde a filha passou, como a UPA Maria Antonieta e o Hospital Geral Pedreira. Os atendimentos incluíram apenas a recomendação de uso de dipirona e repouso domiciliar.
O advogado Antonio Carlos Toninho, que representa os pais da menina, afirmou que aguarda a conclusão de exames e documentos para definir as próximas medidas legais. "Por ora, estamos respeitando o luto da família. Já estamos direcionando os próximos passos. Antes de tomar qualquer decisão, estamos revisitando todos os fatos, levantando todos os documentos. Essa semana irei me reunir com a família para pontuar todo o ocorrido", disse em entrevista ao g1. "De todo modo, pontuo que tudo será feito conforme o desejo da família."
A mãe, Thays Brandão, contou que a filha teve sonolência, falta de apetite, dores nas pernas, desmaios e 13 paradas cardíacas. "Os médicos ainda não disseram o que realmente minha filha teve e o que a matou", afirmou ao g1. Ao lado do pai da menina, Luiz Brandão, ela tenta entender o que levou à morte da filha. "Não sabemos o que a matou."
A certidão de óbito aponta "morte a esclarecer". Já a guia de encaminhamento do corpo indica que a paciente chegou em coma e sofreu choque circulatório. A tomografia, feita em 29 de abril, revelou um possível "processo expansivo" no sistema nervoso central, com diagnóstico de neoplasia ainda indefinido.
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