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As acusações de abuso sexual que levaram o cantor Julio Iglesias a ser alvo de investigação na Espanha

Acusações, publicadas em reportagens do site de notícias espanhol elDiario.es e do veículo norte-americano Univision, estão sendo investigadas pelo Judiciário espanhol.

13 jan 2026 - 18h32
(atualizado às 18h41)
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Agora com 82 anos, Julio Iglesias ainda não respondeu às acusações contra ele
Agora com 82 anos, Julio Iglesias ainda não respondeu às acusações contra ele
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Duas mulheres acusaram o cantor espanhol Julio Iglesias de agressão sexual enquanto trabalhavam para ele. Elas afirmam que ele "normalizou o abuso" em um ambiente coercitivo, ameaçador e violento.

As acusações, reveladas em reportagens do site de notícias espanhol elDiario.es e do veículo norte-americano Univision, estão sendo investigadas pelo Judiciário espanhol.

O cantor empregava as duas mulheres em propriedades suas em Punta Cana, na República Dominicana, e em Lyford Cay, nas Bahamas. Segundo os depoimentos, as agressões sexuais teriam ocorrido em 2021.

Iglesias, de 82 anos, é um nome conhecido na Espanha desde a década de 1960 e vendeu milhões de discos em todo o mundo.

De acordo com o elDiario.es e a Univision, Iglesias e seu advogado não responderam a repetidos pedidos de posicionamento sobre as acusações antes da publicação das reportagens.

No entanto, uma mulher identificada como gerente de uma das propriedades caribenhas do cantor afirmou que as alegações eram "absurdas".

A BBC tentou entrar em contato com representantes de Iglesias para comentar o caso, mas ainda não recebeu resposta.

'Me sentia como uma escrava'

Uma das mulheres entrevistadas, uma trabalhadora doméstica cujo nome foi alterado para Rebeca nas reportagens, afirmou que o cantor a chamava com frequência para seu quarto ao fim do dia e a tocava de forma inapropriada com os dedos, sem consentimento.

"Ele me usava quase todas as noites", disse. "Eu me sentia como um objeto, como uma escrava."

Rebeca, que é dominicana e tinha 22 anos quando os supostos fatos ocorreram, também alegou que Iglesias a obrigou a participar de relações sexuais a três com outra funcionária. Ela relatou ainda que o cantor dava tapas em seu rosto e apalpava seus genitais.

A outra mulher, uma fisioterapeuta venezuelana identificada como Laura nas reportagens, disse que Iglesias tocou seus seios e a beijou na boca contra sua vontade.

Segundo ela, ele a ameaçava constantemente de demissão, controlava a quantidade de comida que ela consumia e perguntava quando sua menstruação estava prevista.

"Ele sempre dizia que eu era gorda e que precisava emagrecer", disse Laura, descrevendo um ambiente de trabalho de "abuso normalizado".

Embora tenha dito que frequentemente rejeitava as investidas sexuais do cantor, acrescentou: "Havia garotas que não conseguiam dizer não. E ele fazia o que queria com elas".

O elDiario.es e a Univision, que investigaram o caso em conjunto ao longo de três anos, afirmam que as acusações são sustentadas por provas documentais, incluindo fotografias, registros telefônicos, mensagens de texto e laudos médicos.

As reportagens citam outros ex-funcionários de Iglesias que descrevem uma ambiente ameaçador e estressante para aqueles que trabalhavam para ele.

Rebeca e Laura apresentaram, em 5 de janeiro, uma queixa judicial contra Iglesias por agressão sexual e tráfico de pessoas perante o tribunal nacional da Espanha, responsável por investigar crimes cometidos fora do território espanhol.

O escritor Jaime Peñafiel, amigo de longa data do cantor, classificou as acusações como "mentiras absolutas".

O jornalista Miguel Ángel Pastor, também próximo a Iglesias, disse nunca ter ouvido "qualquer indício" de que o cantor tivesse cometido esse tipo de ato.

A ministra da Igualdade da Espanha, Ana Redondo, afirmou esperar que o caso seja investigado "até o fim".

"Quando não há consentimento, há agressão", escreveu em uma rede social.

A deputada Ione Belarra, líder do partido Podemos, pediu o "fim do silêncio" em casos de agressão sexual envolvendo "agressores famosos protegidos por seu dinheiro".

No mês passado, uma mulher apresentou denúncia judicial afirmando que o ex-primeiro-ministro espanhol Adolfo Suárez a teria abusado sexualmente desde quando ela tinha 17 anos.

Suárez morreu em 2014. A polícia investiga o caso. O magistrado Jesús Villegas afirmou que a denúncia dificilmente prosperará e que teria motivação política.

A presidente da Comunidade de Madri, a conservadora Isabel Díaz Ayuso, manifestou apoio a Julio Iglesias.

"A Comunidade de Madri não contribuirá para a difamação de artistas e, menos ainda, para a daquele que é o mais universal dos cantores: Julio Iglesias", escreveu em rede social.

O biógrafo de Iglesias, Ignacio Peyró, e a editora Libros del Asteroide informaram que uma biografia publicada no ano passado sobre o cantor (El español que enamoró al mundo, ou O espanhol que deixou o mundo apaixonado, em tradução livre) será atualizada para incluir as acusações.

Eles também expressaram seu "apoio e solidariedade às vítimas".

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