Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

EUA arriscam trégua com a China ao taxarem aliados do Irã

13 jan 2026 - 18h21
Compartilhar
Exibir comentários

Nova tarifa de Donald Trump mira em cheio Pequim, o maior parceiro comercial de Teerã. Retaliação está agora sobre a mesa, e estratégia americana pode sair pela culatra.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na segunda-feira (12/01) uma tarifa de 25% sobre qualquer país que faça negócios com o Irã. Não detalhada pelo americano, que limitou incialmente suas declarações a uma publicação na sua rede social, a medida tem efeito imediato, segundo ele.

China importa petróleo do Irã, que é alvo de sanções pelos Estados Unidos
China importa petróleo do Irã, que é alvo de sanções pelos Estados Unidos
Foto: DW / Deutsche Welle

O Irã enfrenta os maiores e mais longevos protestos contra o governo em anos. Uma repressão brutal já matou centenas de manifestantes e prendeu outros 10 mil. As tarifas parecem sinalizar a resposta da Casa Branca à turbulência política, após o governo Trump ter descartado publicamente uma ação militar.

A retomada da imposição tarifária arrisca a frágil trégua da guerra comercial com a China, o parceiro mais importante do Irã, sobretudo no mercado de petróleo. O governo chinês nesta terça-feira acusou os EUA de "sanções unilaterais ilícitas", dizendo que pretende proteger seus interesses nacionais.

A receita obtida pelo petróleo sustenta em grande parte o regime iraniano, pressionado por isolamento diplomático, sanções, inflação crônica e uma moeda em rápida desvalorização. Outros países que provavelmente seriam atingidos incluem Turquia, Índia, Emirados Árabes Unidos e Paquistão, além do Brasil.

Dependência da China

A China é a principal compradora do petróleo iraniano, que permanece sob sanções internacionais devido ao programa nuclear de Teerã. De acordo com a empresa de rastreamento de energia Kpler, 80% das exportações de petróleo bruto do Irã foram destinadas à China no ano passado.

Para manter o fluxo de petróleo, o Irã depende de uma sofisticada rede de uma "frota fantasma", com transferências de navio para navio, muitas vezes em águas do Sudeste Asiático ou do Golfo Árabe. As cargas de petróleo ainda passam por reclassificação como originárias de outros países, como Malásia ou Emirados Árabes Unidos.

Um rastreador de petroleiros da organização americana Unidos Contra o Irã Nuclear (United Against Nuclear Iran) calculou que a China recebeu 19,5 milhões de barris de petróleo iraniano no ano passado. O comércio no mercado paralelo gera estimados 43 bilhões de dólares anuais em receitas não declaradas para o governo iraniano, segundo o governo dos EUA.

Além do petróleo, o Irã exportou 12,9 bilhões de dólares em mercadorias globalmente em 2024, com mais de um terço das exportações não petrolíferas destinadas à China, segundo o assessor das Nações Unidas para Inteligência e Negociação Comercial. Quase 40% das importações de bens do Irã (US$ 8,95 bilhões) também vieram da China no mesmo período.

Riscos comerciais e políticos

Ainda não está claro se a nova tarifa de Trump se aplicaria apenas a bens ou incluiria serviços como bancos e transporte, visaria laços comerciais indiretos ou estabeleceria um limite mínimo para definir o que significa "fazer negócios" com o Irã. Certo é, entretanto, que os riscos para a China seriam significativos.

A medida aumentaria o custo das exportações chinesas para os EUA em mais 25%, potencialmente elevando as tarifas totais para 45% ou mais na soma com taxas existentes. A tendência, portanto, é de que elas se tornem menos competitivas no mercado americano.

Outro risco é o descarrilamento da frágil trégua comercial entre EUA e China, acordada em outubro. À época, as duas potências recuaram de uma guerra comercial total, com a suspensão de novos aumentos tarifários. A China pausou os controles chineses sobre exportações de terras raras e se comprometeu a retomar grandes compras de soja dos EUA.

Está sobre a mesa uma retaliação significativa da China aos EUA, que esteve entre os poucos países a responder na mesma moeda ao tarifaço de Trump do ano passado.

Analistas, enquanto isso, alertam que a cobrança pode desorganizar cadeias globais de suprimentos e mercados de petróleo. Os preços do petróleo subiram nesta terça-feira, com o petróleo de referência americano West Texas Intermediate (WTI) avançando 2%, para 60,74 dólares.

Poder de barganha

Criar uma exceção para a China minaria o objetivo declarado de Trump, que é pressionar Teerã ao isolar seus aliados restantes. Ao mesmo tempo, como um dos maiores mercados de exportação dos EUA, a China mantém considerável poder de barganha nas negociações com os EUA, especialmente em temas de agricultura e manufatura.

Além disso, a China detém domínio sobre minerais de terras raras, necessários para produzir veículos elétricos e tecnologia avançada, e controla cadeias de suprimentos críticos para componentes industriais essenciais.

Para Wendy Cutler, ex-assessoria comercial dos EUA, a nova tarifa danifica confiança entre os dois lados, mesmo que Trump recue, segundo ela disse à agência Bloomberg.

Já Mohammad Ghaedi, especialista em Oriente Médio da Universidade George Washington, opinou numa rede social que a aplicabilidade da nova tarifa poderia ser um desafio. A China recorre às chamadas refinarias "teapot", que são instalações não estatais, para processar petróleo iraniano, além de comprar por meio de empresas de fachada sediadas em terceiros países.

Se implementada, a tarifa de Trump "poderia remodelar seriamente os cálculos da China", segundo Ghaedi. O governo chinês pode reavaliar se os benefícios do petróleo iraniano barato superam o impacto nas relações comerciais com os EUA.

Por sua vez, Maurice Obstfeld, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), disse ao jornal norte-americano The Washington Post que a tarifa sobre o Irã seria "profundamente autodestrutiva para os EUA", mas não para a China, e "não mudaria em nada o comportamento dos iranianos".

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade