PF instaura inquérito para investigar ação de influenciadores e Banco Master
Investigação foca em possível obstrução de Justiça e tentativa de desestabilização do sistema financeiro após liquidação extrajudicial
A Polícia Federal (PF) iniciou uma investigação para apurar a ocorrência de obstrução de Justiça em um caso envolvendo influenciadores digitais e o Banco Master. Segundo o blog da Julia Duailibi, do g1, foco do inquérito é verificar se houve o recrutamento de produtores de conteúdo para a publicação de mensagens com críticas ao Banco Central (BC) e defesas à instituição financeira privada mencionada.
A apuração policial busca identificar se a contratação de publicidade paga teve como objetivo desestabilizar o sistema financeiro nacional. O contexto da ação teria ocorrido após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro do ano anterior, de acordo com o g1. A PF analisa se as postagens configuram uma rede de desinformação orquestrada, o que é tipificado como crime na legislação brasileira.
Além da desinformação, os investigadores avaliam se a conduta representou uma interferência direta na instrução do processo judicial relativo ao Caso Master. De acordo com os dispositivos legais vigentes, o crime de obstrução de Justiça é caracterizado quando há atos que impedem ou dificultam investigações criminais relacionadas a organizações criminosas. A legislação prevê pena de três a oito anos de reclusão, além de multa.
A abertura do inquérito foi concedida pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atua como relator do caso. A decisão ocorreu após a Polícia Federal realizar uma análise preliminar das publicações em redes sociais, onde foram identificados indícios de práticas ilícitas contra a autoridade do Banco Central.
O caso tornou-se público após influenciadores digitais, como Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite, relatarem o recebimento de propostas financeiras para difundir narrativas favoráveis ao Banco Master. Segundo os relatos, o objetivo das postagens era propagar a ideia de que a intervenção do Banco Central teria sido uma medida precipitada.
As informações coletadas indicam que as propostas previam contratos com duração de três meses. O cronograma de trabalho sugerido aos influenciadores consistia na publicação de oito vídeos mensais. As abordagens teriam ocorrido em dezembro, logo após a medida administrativa tomada pelo órgão regulador financeiro.
Com o inquérito, a Polícia Federal pretende rastrear a origem dos pagamentos e confirmar se existiu uma estrutura organizada para questionar as decisões do Banco Central e influenciar a opinião pública de forma coordenada.