Parque onde brasileira morreu registrou 180 acidentes e 8 mortes desde 2020
Acidentes em trilhas do Parque Nacional do Monte Rinjani, na Indonésia, chamam atenção pelo aumento expressivo nos últimos anos. O local, onde a brasileira Juliana Marins morreu após uma queda no sábado (21), já registrou 180 ocorrências e oito mortes desde 2020. Os dados são oficiais e foram divulgados pelo governo indonésio em março.
A jovem de 26 anos se separou do grupo com quem subia o vulcão e caiu de um penhasco a cerca de 650 metros da encosta. As informações sobre o resgate e a morte de Juliana foram divulgadas por meio do perfil criado pela família nas redes sociais.
Por que tantos acidentes no Monte Rinjani?
Relatório do Escritório do Parque Nacional revela que o número de acidentes quase dobrou de 2023 para 2024 — saltou de 35 para 60. Entre os acidentados, 44 eram turistas estrangeiros e 136 indonésios. As causas mais comuns são quedas e torções, muitas vezes provocadas por despreparo físico, desconhecimento do terreno e desrespeito às trilhas.
Os dados de mortes mostram oscilações ao longo dos anos: duas em 2020, uma em cada ano entre 2021 e 2022, três em 2023 e uma em 2024.
A visitação cresceu após a pandemia, o que levou o governo local a elaborar um plano de emergência com foco em segurança e resgate. Em março, foi emitido um parecer exigindo a criação de um Procedimento Operacional Padrão (POP) para ações de busca e evacuação.
O documento também alerta para impactos ambientais e reforça a necessidade de placas informativas e orientações nos pontos de entrada das trilhas.
O Monte Rinjani, com 3.726 metros de altitude, é o segundo vulcão mais alto da Indonésia. A trilha até o cume dura de dois a quatro dias e exige preparo. Trechos íngremes, clima instável e neblina constante aumentam os riscos, sobretudo para viajantes menos experientes.
Turistas estrangeiros estão entre as vítimas
Nos últimos três anos, outras três mortes envolvendo turistas foram registradas na região. Em 2022, o português Boaz Bar Anam, de 37 anos, caiu de 150 metros após tentar tirar uma selfie próximo ao cume. Seu corpo só foi resgatado após quatro dias.
Em 1º de junho de 2024, a suíça Melanie Bohner morreu ao cair de um barranco na trilha do Monte Anak Dara, que também fica em Sembalun. Ela escalava sozinha uma rota não oficial.
O caso mais recente antes de Juliana foi o de Rennie, um malaio de 57 anos, que caiu de uma ravina de 80 metros na trilha de Torean, após dispensar a ajuda dos guias. A forte neblina dificultou o resgate.
Todos os casos ocorreram em áreas de risco e envolveram a ausência de equipamentos adequados ou o uso de trilhas não recomendadas.
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