Os terremotos mais fortes de 2026 ao redor do mundo
Em 2026, o mundo registrou dez terremotos de magnitude 7 ou mais, número dentro da média histórica, mas marcado por forte devastação. O evento mais letal ocorreu na Venezuela, onde abalos de magnitudes 7,2 e 7,5 deixaram mais de 6,3 mil mortos. O mais forte atingiu as Filipinas (7,8). Tremores graves também afetaram Colômbia, Indonésia e Japão. Especialistas ressaltam que o impacto real depende menos da magnitude e mais da profundidade e da vulnerabilidade da infraestrutura local.
Em oito meses, mundo teve dez tremores de magnitude sete ou superior. Alguns deles tiveram consequências devastadoras, sobretudo em países já em dificuldades.De janeiro a agosto, o mundo registrou dez terremotos de magnitude 7 ou superior neste ano. Por mais que possa parecer que 2026 venha sendo marcado por um número excepcionalmente alto de terremotos, as estatísticas apontam que não é bem o caso.
Em média, ocorrem cerca de 16 tremores anuais deste porte ou superiores. Em alguns anos, entretanto, a marca fica aquém ou vai além. Em 2010, por exemplo, foram 23 casos, um recorde nos registros do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Já em 1989, ocorreram apenas seis.
O USGS explica que aumentos ou diminuições temporárias da atividade sísmica são normais. Quando as flutuações acontecem a nível global, não são indicação de que um grande terremoto esteja prestes a acontecer. Tampouco é possível prever terremotos altamente destrutivos.
O que chama atenção neste ano, porém, são as consequências devastadoras de alguns destes tremores, levando os episódios às manchetes mundiais. Relembre abaixo os terremotos mais poderosos de 2026.
Venezuela: dois terremotos em 39 segundos
O país sul-americano foi atingido em 24 de junho pela catástrofe sísmica mais letal do ano. Um terremoto de magnitude 7,2 foi seguido apenas 39 segundos depois por um tremor ainda mais forte, de magnitude 7,5.
Segundo dados oficiais, mais de 6,3 mil pessoas morreram. O norte do país e a capital, Caracas, foram as regiões mais afetadas.
A busca por sobrevivente duraria diversos dias, movida por esperança e luto das famílias. Os impactos sobre a infraestrutura venezuelana, que enfrenta grave crise econômica, também foram dramáticos.
Uma análise com base em imagens de satélite realizada por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon concluiu, de forma preliminar, logo após o desastre, que mais de 58 mil edifícios podem ter sido danificados ou destruídos.
Filipinas: o terremoto mais forte do ano
Com magnitude 7,8, o terremoto registrado em 8 de junho na ilha filipina de Mindanao foi, por ora, o mais forte de 2026.
O epicentro localizou-se a cerca de 57 quilômetros de profundidade, e os tremores foram sentidos em grande parte da ilha. Segundo autoridades locais, pelo menos 107 pessoas morreram em decorrência do desastre.
O fato de o número de vítimas ter ficado muito abaixo do registrado na Venezuela, apesar da magnitude maior, mostra mais uma vez que a intensidade de um terremoto diz pouco sobre seus efeitos reais.
Os terremotos venezuelanos, em comparação, foram mais superficiais, com focos localizados a cerca de 10 quilômetros de profundidade.
Colômbia: centenas de mortos apesar da grande profundidade
Em 10 de agosto, um terremoto de magnitude 7,4 sacudiu o oeste da Colômbia. O epicentro localizou-se no departamento de Chocó, próximo à cidade de San José del Palmar.
Embora o tremor tenha ocorrido a mais de 100 quilômetros de profundidade, provocou danos severos. Segundo estimativas preliminares, mais de 260 pessoas morreram.
Deslizamentos de terra e estradas danificadas dificultaram a busca por sobreviventes e o fornecimento de ajuda a localidades isoladas. Depois da Venezuela, foi o terremoto com as consequências mais graves na América Latina em 2026.
Peru: terremoto nos Andes
Apenas dez dias depois, em 20 de agosto, um forte terremoto atingiu a região central do Peru.
Os tremores na província de Parinacochas foram sentidos até mesmo em Lima, a cerca de 300 quilômetros de distância.
Segundo o USGS, o terremoto teve magnitude 6,7. Já o Instituto Geofísico do Peru (IGP) informou magnitude 7,2.
O abalo ocorreu a 99 quilômetros de profundidade e, ao contrário do caso colombiano, não provocou grandes danos.
Indonésia: dezenas de milhares de pessoas perdem suas casas
Na madrugada de 15 de agosto, um terremoto de magnitude 7,7 atingiu a ilha indonésia de Flores. Especialistas registraram quase mil réplicas nas horas consecutivas.
Mais de 50 pessoas morreram, milhares abandonaram as suas casas e centenas ficaram feridas. Mesmo dois dias após o desastre, muitos moradores ainda aguardavam a chegada de ajuda humanitária.
A Indonésia, com cerca de 290 milhões de habitantes, situa-se no chamado Círculo de Fogo do Pacífico. Esse cinturão vulcânico de aproximadamente 40 mil quilômetros estende-se ao longo das bordas do Oceano Pacífico, onde várias placas tectônicas se encontram.
Tonga: terremoto gigantesco, danos pequenos
Em 24 de março, um terremoto atingiu a região do arquipélago de Vava'u, no Reino de Tonga, no Pacífico.
Com magnitude 7,5, o abalo esteve entre os mais fortes do mundo em 2026. Mesmo assim, como não provocou danos significativos nem vítimas fatais, recebeu pouca atenção internacional.
O terremoto ocorreu a uma profundidade excepcional, de cerca de 230 quilômetros, fazendo com que os tremores chegassem muito enfraquecidos à superfície.
Japão: vários terremotos fortes
Em 20 de abril, um terremoto submarino ocorreu na costa nordeste do Japão. O USGS estimou a magnitude em 7,4.
A região próxima à província de Iwate, na costa de Sanriku, tornou-se mundialmente conhecida após o tsunami de 2011. Em 2026, porém, apesar do alerta de tsunami, a situação foi muito menos grave do que no terremoto de magnitude 9 registrado há 15 anos.
Não houve um tsunami devastador, e nenhuma morte foi registrada. Apenas duas pessoas sofreram ferimentos leves.
Pouco mais de três meses depois, em 28 de julho, um novo terremoto atingiu o sudoeste do Japão. As autoridades japonesas registraram magnitude 7,1, enquanto os Estados Unidos calcularam magnitude 6,8. Houve grandes danos materiais e mais de 30 mortos.
Quase um mês depois, na manhã de 23 de agosto, um terremoto de magnitude 5,9 ocorreu nas proximidades de Tóquio. Cerca de 40 pessoas sofreram ferimentos leves. Os eventos reforçam como o Japão é fortemente influenciado por sua localização no Círculo de Fogo do Pacífico.
Afeganistão: fraco, mas letal
O terremoto ocorrido em 3 de abril na província afegã de Badakhshan atingiu magnitude de 5,8, ficando longe da lista dos mais fortes do ano. Ainda assim, pelo menos 12 pessoas morreram.
Em países mais pobres, tremores relativamente moderados têm maior probabilidade de provocar consequências fatais, em razão da menor preparação para evitar desastres ligados aos eventos naturais.
Técnicas de construção menos resistentes, dificuldades de acesso a regiões remotas e sistemas de proteção civil pouco desenvolvidos aumentam significativamente os riscos.
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