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Onde e por que soldados americanos estão estacionados na Europa

23 mai 2026 - 10h46
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Bases americanas são parte das obrigações dos EUA com a Otan, mas também atendem a seus próprios objetivos geopolíticos. Só na Alemanha são mais de 36 mil soldados - mas, sob a batuta de Trump, isso pode estar ameaçado.Dos Açores à Romênia, do norte da Noruega à Sicília: em muitas regiões da Europa, militares americanos estão presentes. Trata-se de uma rede complexa que, no entanto, vem sendo repetidamente alterada de forma abrupta no segundo mandato de Donald Trump como presidente dos EUA. Poucos dias após suspender a rotação de 4 mil para a Polônia, Trump anunciou agora o envio de mais cinco mil militares, citando sua boa relação com o presidente conservador da Polônia, Karol Nawrocki.

A seguir, uma visão geral sobre a importância fundamental das tropas americanas na Europa — que também atende aos objetivos estratégicos de longo prazo dos Estados Unidos.

Por que há tantas tropas dos EUA na Europa?

Após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a aliança vencedora se dividiu em dois blocos: os Aliados ocidentais, liderados pelos EUA, e a União Soviética com seus aliados. Para se organizar no início da Guerra Fria, os países ocidentais fundaram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em 1949.

Como maior potência militar da aliança, os EUA consideraram desde o início essencial manter uma presença militar permanente na Europa, como forma de dissuasão contra o Pacto de Varsóvia liderado pela União Soviética. Com base nas doutrinas de segurança dos presidentes Harry Truman e Dwight D. Eisenhower, numerosos bases militares foram criadas.

No auge, no fim dos anos 1950, até 475 mil militares americanos estavam estacionados na Europa. Após o colapso da União Soviética em 1991, esses contingentes foram sendo gradualmente reduzidos para algumas dezenas de milhares.

Essa tendência começou a se inverter após 2014, quando a anexação da região ucraniana Crimeiapela Rússia aumentou novamente a necessidade de dissuasão militar na Europa.

Em quais países europeus os EUA têm maior presença militar?

O principal foco está na Alemanha. No fim de 2025, havia mais de 36.400 militares ativos dos EUA no país, segundo o Departamento de Defesa americano. Em Stuttgart, ficam os comandos das operações dos EUA na Europa e na África (EUCOM e AFRICOM). Em Ramstein está o quartel‑general da Força Aérea dos EUA para Europa e África e um importante centro logístico. Já em Landstuhl está o maior hospital militar dos EUA fora do país. Além disso, acredita-se que armas nucleares americanas estejam armazenadas na base aérea de Büchel, no âmbito da chamada partilha nuclear da Otan.

Na sequência vêm a Itália, com cerca de 12.700 militares, e onde, além de aviões de combate, os EUA mantêm uma brigada aerotransportada de rápida mobilização. Em Nápoles fica também o quartel‑general naval para Europa e África.

No Reino Unido está o terceiro maior contingente americano na Europa, com cerca de 10.200 militares e bases aéreas essenciais para operações da Otan.naval para Europa e África.

Esses números não incluem tropas em rotação constante no leste da Otan, especialmente após 2014.

Por que os soldados americanos continuam na Europa?

As bases europeias são essenciais para operações globais dos EUA. Por exemplo, instalações na Alemanha e no Reino Unido foram fundamentais para ataques aéreos na guerra contra o Irã.

No entanto, alguns aliados limitaram essas operações: a Itália negou uso de bases em certos casos e a Espanha proibiu voos e operações. Trump reagiu ameaçando retirar tropas desses países.

Além da estratégia militar, há uma questão logística: é mais rápido mobilizar tropas da Europa para regiões como o Oriente Médio, e voos diretos a partir dos EUA têm alcance limitado.

A Europa também é crucial para infraestrutura de comunicação militar. Em Ramstein, por exemplo, há uma estação de retransmissão para drones.

Qual o papel das tropas na estratégia da Otan?

As tropas rotativas no leste europeu são parte essencial da dissuasão contra a Rússia. Os EUA lideram um grupo multinacional na Polônia.

Desde 2016, a Otan criou batalhões multinacionais para, em caso de ataque, ganhar tempo de resposta. Esses contingentes são pequenos e rotacionados a cada seis meses para ressaltar seu caráter defensivo.

Além disso, no âmbito da operação "Atlantic Resolve", forças adicionais (aéreas, terrestres e navais) foram deslocadas principalmente para Alemanha e Polônia.

Quais são as principais incertezas atuais?

Uma rotação de cerca de quatro mil soldados para a Polônia foi cancelada de última hora pelo Pentágono, possivelmente por questões orçamentárias, mas também ligada às ameaças frequentes de Trump de reduzir o contingente na Europa.

Pouco depois, Trump voltou atrás e anunciou o envio de cinco mil soldados adicionais à Polônia — sem esclarecer se eles substituirão a rotação cancelada, se virão da Alemanha ou se são tropas totalmente novas.

Semanas antes, após críticas do chanceler federal alemão, Friedrich Merz, Trump havia anunciado a retirada de cinco mil soldados da Alemanha.

Também foi colocada em dúvida a implantação, prevista para 2026, de mísseis de médio alcance dos EUA na Alemanha — um acordo firmado anteriormente entre o ex-presidente americano Joe Biden e o ex-chanceler federal alemão Olaf Scholz.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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