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O que se sabe sobre operação da PF que mira CEO e ex-sócio do Grupo Fictor ligados à tentativa de compra do Banco Master, de Vorcaro

Ação desarticula rede criminosa envolvendo lavagem de dinheiro e fraudes bancárias na Caixa Econômica Federal

25 mar 2026 - 13h12
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A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira a Operação Fallax, uma ofensiva estratégica para desarticular uma sofisticada organização criminosa especializada em fraudes bancárias e lavagem de dinheiro. O principal alvo das buscas é Rafael de Gois, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor, cujos endereços na capital paulista foram visitados pelos agentes federais. A investigação aponta que o esquema movimentou montantes superiores a R$ 500 milhões, utilizando estruturas empresariais para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Rafael Góis, CEO da Fictor
Rafael Góis, CEO da Fictor
Foto: Reprodução/Linkedin / Perfil Brasil

Além de Rafael, o ex-sócio do grupo, Luiz Rubini, também figura entre os investigados com mandados expedidos em São Paulo, incluindo a determinação judicial para a quebra de seu sigilo bancário. As autoridades revelaram que o esquema não se limitava apenas a crimes financeiros comuns, mas servia também como plataforma de lavagem de dinheiro para a facção criminosa Comando Vermelho. A operação é de grande escala e mobiliza equipes em três estados diferentes: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

PF cumpre mandados contra crimes financeiros e estelionato

A Justiça Federal expediu 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva. Até o início da manhã, pelo menos 13 pessoas já haviam sido detidas, incluindo dois gerentes da Caixa Econômica Federal. A participação de funcionários internos era crucial para o sucesso das fraudes, pois eles inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas que alimentavam a estrutura do grupo.

Em resposta às ações, a defesa do executivo minimizou o impacto da busca inicial. Conforme nota oficial divulgada pelos advogados, "foi realizada hoje diligência de busca e apreensão na residência de Rafael Góis, CEO da Fictor, no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Federal. Apenas o seu celular foi apreendido. Tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos".

Organização usava empresas de fachada e bens de luxo

As investigações que deram origem à Operação Fallax começaram ainda em 2024, após a identificação de indícios de um esquema estruturado para a obtenção de vantagens ilícitas. A Polícia Federal detalhou que o grupo cooptava funcionários de instituições financeiras e utilizava empresas específicas para movimentar valores e ocultar recursos. O objetivo central era a dissimulação da origem do dinheiro, que era rapidamente convertido em ativos de difícil rastreio, como criptoativos e bens de luxo.

Para garantir a desarticulação financeira do grupo, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões. Além disso, foram autorizadas medidas cautelares rigorosas, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas. A PF acredita que o volume total das fraudes investigadas pode ser ainda maior do que o inicialmente calculado, ultrapassando a barreira do meio bilhão de reais.

Réus podem enfrentar penas superiores a 50 anos de prisão

O histórico recente do Grupo Fictor já apresentava sinais de instabilidade antes da operação policial. Em novembro do ano passado, o grupo anunciou a intenção de compra do Banco Master por R$ 3 bilhões, pouco antes de o Banco Central anunciar a liquidação extrajudicial da instituição ligada a Daniel Vorcaro. O evento gerou uma crise de reputação severa, com resgates bilionários por parte de investidores e o subsequente pedido de recuperação judicial das holdings do grupo.

Agora, os envolvidos enfrentam acusações graves que incluem organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. Há também indícios de corrupção ativa e passiva, além de crimes variados contra o sistema financeiro nacional. Caso sejam condenados por todos os delitos, as penas somadas dos investigados podem ultrapassar 50 anos de reclusão. A operação segue em andamento com o apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo para cumprir as ordens judiciais remanescentes.

Perfil Brasil
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