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O que está por trás da contenção dos houthis em meio ao conflito no Irã

26 mar 2026 - 17h51
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Milícia iemenita ameaçou intervir na guerra dos EUA e Israel contra seu aliado, mas por ora, permanece inativa. Estariam os rebeldes temendo possíveis consequências ou aguardando o momento certo para agir?A milícia xiita houthi se posicionou de maneira clara ao alertar que tomaria as "medidas apropriadas" caso a guerra contra o Irã continuasse. Não ficariam de braços cruzados, segundo um comunicado do Ministério do Exterior do Iêmen, controlado pela milícia, citado recentemente pela imprensa. Qualquer tentativa de intensificar a guerra ou de enviar forças estrangeiras adicionais poderia ter consequências de longo alcance, dizia a nota.

Alguns dias antes, o líder da milícia islâmica iemenita, Abdul-Malik al-Houthi, já havia declarado, segundo uma reportagem da agência de notícias turca Anadolu, que o movimento estava determinado a intervir na guerra ao lado do Irã, se necessário. Ou, como ele próprio afirmou em sua mensagem em vídeo divulgada na última quinta-feira, "reafirmamos nosso apoio ao Irã, ao Líbano, à Palestina e aos locais sagrados, bem como nossa prontidão militar de acordo com os desdobramentos da situação."

Contudo, diferentemente do grupo libanês Hezbollah, também aliado ao regime de Teerã, os houthi ainda não intervieram na guerra atual. Ao contrário da guerra na Faixa de Gaza, onde participou com ataques a navios mercantes no Mar Vermelho, a milícia se mantém afastada.

"Até o momento, os houthis hesitaram em lutar; por medo de assassinatos de seus líderes, pelas divisões internas no Iêmen e pelas incertezas quanto ao fornecimento de armas", diz uma análise da agência de notícias Associated Press. Ao mesmo tempo, a decisão "não se deve à falta de vontade de intervir", mas sim a uma questão de oportunidade, ou seja, uma contenção deliberadamente orquestrada, conclui a análise.

"Há mais a perder do que a ganhar"

Para Philipp Dienstbier, chefe do programa regional dos Estados do Golfo na Fundação alemã Konrad Adenauer, em Amã, a situação também é complexa. "Na verdade, não é tão fácil avaliar isso de fora", disse o especialista à DW.

Há muitos indícios de que vários fatores estão em jogo. Por exemplo, os houthis podem estar deliberadamente recuando "para posteriormente aumentar significativamente a pressão militar", segundo Dienstbier, talvez por meio de novos ataques a navios no Mar Vermelho ou à infraestrutura energética.

Ao mesmo tempo, a situação na região mudou. A Arábia Saudita - um dos alvos dos ataques iranianos - é o principal ator externo no Iêmen. A intervenção dos houthis na guerra atual poderia, portanto, comprometer os esforços para alcançar uma solução política duradoura no próprio Iêmen, um risco que a milícia aparentemente quer evitar. Soma-se a isso a tensa situação interna no norte do país, que exige cautela adicional.

Luca Nevola, analista para os Estados do Golfo no centro de monitoramento Armed Conflict Location & Event Data (Acled), com sede em Wisconsin, nos EUA, compartilha da mesma opinião: "Os houthis não estão apenas em posição de reserva, mas praticamente inativos", disse o especialista à DW. Até o momento, não houve operações militares relacionadas ao conflito, apenas apoio simbólico ao Irã. Nevola acredita que o motivo reside principalmente em uma análise sóbria de custo-benefício "O que eles têm a perder é maior do que o que podem ganhar", observou.

Outras análises chegam a conclusões semelhantes. A motivação dos houthis "permanece primordialmente doméstica", escreve a agência de notícias Reuters. No entanto, seu comportamento futuro pode mudar rapidamente, dependendo da dinâmica regional e de possíveis alterações no equilíbrio de poder.

"Considerável grau de autonomia"

Nesse contexto, Philipp Dienstbier enfatiza o que considera a relativa independência da milícia em relação ao Irã. "Os houthis certamente possuem um considerável grau de autonomia", avalia. Ao contrário da crença popular, as decisões dos houthis não são simplesmente tomadas por seu principal aliado e apoiador em Teerã. Em vez disso, os houthis buscam seus próprios interesses, incluindo os militares, como a expansão de suas capacidades com drones. Essa relativa independência explica por que eles não são automaticamente arrastados para todos os conflitos.

Nevola destaca outro aspecto. Ele diz que os houthis estão "enfraquecidos em comparação com 2023", em parte devido a ataques aéreos americanos anteriores, pressão econômica e ataques israelenses direcionados contra sua liderança. Além disso, o grupo respeitou um acordo de cessar-fogo concluído na época com os EUA.

O especialista da Acled também enfatiza que a cautelosa reaproximação dos houthis com a Arábia Saudita no próprio Iêmen é outro fator que atualmente os desencorajaria a entrar na guerra. Por outro lado, a renúncia a uma escalada ainda maior na guerra com o Irã poderia gerar mais confiança no próprio Iêmen e abrir caminho para concessões políticas.

Medo de ataques retaliatórios?

Outro possível motivo seria o fato de que a "principal prioridade" dos houthis no momento é "evitar retaliações diretas dos EUA e de Israel", segundo uma análise da emissora de notícias Al Jazeera, do Catar. Além disso, a liderança estaria temendo ataques direcionados dos serviços de inteligência israelenses, que já se mostraram eficazes no passado.

Mesmo assim, a ameaça militar permanece. Os houthis são considerados, por vezes, imprevisíveis, e uma futura intervenção na guerra com o Irã não pode ser descartada, apesar dos diversos interesses conflitantes.

Philipp Dienstbier descreve os houthis como "militarmente resilientes". Apesar dos ataques massivos, eles continuam capazes de usar mísseis e até mesmo abater drones. Crucialmente, sua força assimétrica como milícia é "difícil de conter". Na opinião dele, uma expansão dos combates atuais para o Estreito de Bab el-Mandeb - uma das rotas comerciais mais importantes do mundo, assim como o Estreito de Ormuz - seria particularmente crítica.

Grande potencial de escalada

Nevola também vê um maior potencial de uma escalada nas tensões na região. Caso os houthis intervenham em algum momento, ataques a navios mercantes seriam um cenário particularmente provável. Esses ataques poderiam ser realizados com relativa facilidade, mas teriam consequências simbólicas e, sobretudo, econômicas significativas. Um bloqueio, no entanto, poderia afetar principalmente a Arábia Saudita, que realiza grande parte de suas exportações de petróleo pelo Mar Vermelho.

Ao mesmo tempo, segundo Dienstbier, as consequências poderiam se estender muito além da região, pressionando ainda mais os já tensos mercados de energia e dariam ao conflito um "impulso significativamente maior".

Isso cria um paradoxo: os houthis ameaçam, mas não agem. Talvez o preço seja alto demais para eles. A sua reticência também pode fazer parte de uma estratégia coordenada com o Irã para iniciar uma escalada ainda maior a partir do Iêmen apenas em um determinado momento posterior do desenvolvimento do conflito. Nesse caso, não se trataria de falta de determinação, mas simplesmente da escolha do momento certo.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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