Cientistas descobrem depois que remédio mais popular para diabetes afeta o cérebro
Descoberta pode auxiliar na fabricação de novos medicamentos usando a metformina
Pesquisadores do Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, identificaram que a metformina pode atuar diretamente no cérebro. O medicamento é prescrito para pessoas com diabetes tipo 2 para controlar o açúcar no sangue. Agora, a descoberta pode dar origem a novos tratamentos.
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"É amplamente aceito que a metformina reduz a glicemia principalmente diminuindo a produção de glicose no fígado. Outros estudos descobriram que ela age através do intestino", disse Makoto Fukuda, fisiopatologista da Baylor à revista ScienceAlert.
Trabalhos anteriores já haviam identificado uma proteína no cérebro chamada Rap1 como tendo impacto no metabolismo da glicose e, particularmente, em uma parte do cérebro chamada hipotálamo ventromedial (VMH).
"Investigamos o cérebro, pois ele é amplamente reconhecido como um regulador fundamental do metabolismo da glicose em todo o corpo. Investigamos se e como o cérebro contribui para os efeitos antidiabéticos da metformina", acrescentou o especialista.
Em testes realizados no ano passado, foi constatado que a metformina chega ao VMH e, por isso, ajuda a combater o diabetes tipo 2, principalmente porque atua desativando a proteína Rap1.
Os estudos apontam que o medicamento atua no cérebro por meio de um mecanismo diferente de outros remédios. Neurônios específicos analisados pelos pesquisaores mostraram o resultado. Isso pode levar a tratamentos médicos mais direcionados, que visem especificamente esses neurônios.
A metformina tem ação prolongada e é conhecida por ser um medicamento acessível. Ela reduz a glicose produzida pelo fígado e aumenta a eficiência com que o corpo usa insulina, ajudando a controlar os sintomas do diabetes tipo 2.
"Também investigamos quais células no VMH estavam envolvidas na mediação dos efeitos da metformina. Descobrimos que os neurônios SF1 são ativados quando a metformina é introduzida no cérebro, sugerindo que eles estão diretamente envolvidos na ação do medicamento", explicou Fukuda.
Estudos também mostram que a metformina é capaz de retardar vários processos de envelhecimento do corpo. De acordo com a ScienceAlert, ela limita os danos ao DNA e promove a atividade genética associada à longevidade.
Um estudo de 2025 com mais de 400 mulheres na pós-menopausa comparou os efeitos da metformina e de um outro medicamento para diabetes chamado sulfonilureia. O resultado foi que os indivíduos que tomaram metformina apresentavam um risco 30% menor de morrer antes dos 90 anos em comparação com o outro grupo.