O que causou o acidente da TAM em 2007, tema de nova série da Netflix
Piloto não conseguiu frear em meio a pista molhada do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e colidiu com um prédio e um posto de gasolina
A Netflix lança a minissérie 'Congonhas – Tragédia Anunciada', sobre o maior acidente aéreo do Brasil, envolvendo o voo 3054 da TAM em 2007, destacando falhas no Aeroporto de Congonhas e na aviação brasileira.
A Netflix estreou nesta quarta-feira, 23, a minissérie documental Congonhas — Tragédia anunciada. A obra expõe, em três episódios, o maior incidente aéreo ocorrido no Brasil, quando 199 pessoas morreram a bordo do voo 3054, da TAM (hoje Latam), que partiu de Porto Alegre com destino a São Paulo.
Em 17 de julho de 2007, durante uma noite chuvosa, o piloto não conseguiu frear na pista molhada do aeroporto de Congonhas, ultrapassou os limites da pista e planou sobre a avenida Washington Luís. Por fim, colidiu com o prédio da TAM Express e com um posto de gasolina da Shell e explodiu.
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Qual foi a causa da queda do aviao da TAM em 1997?
Passados 15 anos, ninguém foi responsabilizado ou cumpriu pena pelo acidente. Três pessoas foram acusadas pelo ocorrido, mas absolvidas em 2015. A Justiça entendeu que a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, o então vice-presidente de operações da TAM, Alberto Fajerman, e o diretor de Segurança de Voo da empresa na época, Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro, não agiram com dolo (intenção). O fato é contestado.
O Ministério Público Federal (MPF) alega que os três sabiam dos riscos de um acidente aéreo e, em abril de 2014, pediu a condenação do trio a 24 anos de prisão por atentado contra a segurança de transporte aéreo na modalidade dolosa (quando há a intenção).
Em julho de 2011, o órgão já havia os denunciado na modalidade culposa, mas mudou o parecer sobre o caso depois de analisar elementos colhidos e os depoimentos de várias testemunhas e dos próprios réus.
Segundo a denúncia apresentada pelo MPF em 2011, tanto a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu, quanto o diretor de Segurança de Voo da empresa na época, Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro, foram imprudentes.
No entendimento do MPF, Denise teria liberado a pista do aeroporto, a partir de 29 de junho de 2007, sem a realização do serviço de grooving [que mantém permanentemente o contato entre o pneu e a superfície] e uma devida inspeção.
Miranda e Castro, por sua vez, teria conhecimento das "das péssimas condições de atrito e frenagem da pista principal do aeroporto de Congonhas". Ainda assim, não tomou providências para que os pousos fossem redirecionados para outros aeroportos, em condições de pista molhada.
A série
Em entrevista à Agência Folha, o diretor da minissérie documental, Angelo Defanti afirmou que um acidente não tem apenas uma causa, mas é resultado de uma sequência de causas que se acumulam. No caso do acidente de Congonhas, essa cadeia de causas se estende "acima do normal" e "volta muito no tempo".
A minissérie traz à tona questões polêmicas envolvendo o Aeroporto de Congonhas, como a drenagem inadequada da pista, a superlotação do aeroporto e o pouco tempo de intervalo entre os voos que aterrissam. Especialistas apontam também para a extensão da pista, que seria curta demais para um aeroporto localizado em uma metrópole e cercado de prédios.
Outros problemas, mais antigos e estruturais, que dizem respeito não só a Congonhas, mas à aviação em geral, também entram na equação. A minissérie volta no tempo para contar o famoso "apagão aéreo" que aconteceu no Brasil nos anos 2000, com greves de operadores de voo, atrasos constantes, aeroportos superlotados e reclamações sobre a competência das agências reguladoras, em especial a Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, criada em 2005.
A minissérie conta em detalhes o acidente da TAM, entrevistando parentes e amigos das vítimas, além de sobreviventes do impacto do avião com o prédio da empresa e bombeiros que atuaram no socorro. Apesar disso, Defanti afirma que o trabalho de pesquisa e roteiro foi tão intenso e reuniu tanto material que alguns temas relevantes não puderam ser desenvolvidos como mereciam.
"Há um monte de questões que resultam da própria existência de um aeroporto naquele local crianças com problemas cognitivos, pessoas com problemas cardíacos, a fuligem causada pelo aeroporto, a poeira no local, que é muito maior do que em outras regiões da cidade”, disse. “São temas importantes e que não entraram na série."