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Número de investidores brasileiros cresce no segundo ano da pandemia

Segundo a B3, em comparação com o primeiro semestre de 2020, o número de investidores cresceu 43% no mesmo período de 2021. O número de pessoas físicas que passaram a investir em renda variável chegou a quatro milhões.

7 dez 2021 13h52
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Apesar de estar no que os economistas chamam de recessão técnica, após dois trimestres seguidos de queda do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil vive a experiência do aumento de investimento de pessoas físicas em rendas variáveis. Segundo levantamento da B3, a bolsa de valores brasileira, houve um crescimento de 43% do número de investidores no primeiro semestre de 2021 em comparação com o mesmo período de 2020. Em outubro, a B3 atingiu a marca histórica de 4 milhões de contas de pessoas físicas em renda variável.

Foto: DINO / DINO

Os brasileiros sempre foram fiéis investidores na poupança, que ainda é a maior aposta quando o assunto é guardar dinheiro, mas, aos poucos, muitos começam a buscar novas opções, especialmente mais lucrativas do que o modelo tradicional, que hoje é considerado um dos menos rentáveis quando se fala em investimento. De acordo com pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), feita com a população economicamente ativa das classes A,B e C em 2020, além da poupança, que corresponde a 29% dos investimentos, os brasileiros passaram a destinar seu dinheiro para fundos de investimentos, títulos privados, títulos públicos via Tesouro Direto e ações na Bolsa de Valores.

Esses indicadores mostram que o brasileiro está cada vez mais consciente de que investir e planejar seus investimentos é um bom negócio, mas o mercado financeiro do país ainda é muito pequeno, se comparado a países desenvolvidos, como os Estados Unidos.  "Nos Estados Unidos, em média 50% da população investe em ações de empresas, enquanto no Brasil esse percentual atinge somente 3% do montante. Ou seja, ainda existe uma escassez em conhecimento sobre ferramentas de investimentos muito grande em todo o país", comenta o consultor de investimentos Gustavo de Melo Pereira.

Outro exemplo de como o país ainda precisa amadurecer quando se trata de investimento em ações é a carteira da americana Apple, que ultrapassa os US$ 2,6 trilhões, enquanto o total de investimentos em ações das empresas brasileiros que têm o melhor desempenho na bolsa de valores brasileira é de US$ 658 bilhões, segundo a Traders Club.

Pereira explica que a educação financeira pode ser uma das ferramentas que poderiam ajudar, se fosse mais popularizada, a planejar não só investimentos, mas o orçamento doméstico, diante de um cenário de inflação alta, acumulada em mais de dois dígitos em 2021 e que força o aumento do custo de vida. "Por isso a educação financeira precisa ser explorada com mais ênfase, para nos protegermos dessas flutuações de preços e buscarmos uma forma de rentabilizar nosso patrimônio", enfatiza o consultor.

Saber planejar os gastos é realmente uma necessidade e poderia ajudar os brasileiros a evitar um dos maiores problemas que os impedem de investir o excedente do que recebem: o endividamento familiar. Segundo estudo da Federação do Comércio de São Paulo, em levantamento realizado nas 27 capitais brasileiras, o endividamento das famílias bateu recorde no primeiro semestre de 2021, chegando a 71,4%, sendo 15,6% superior à média do período de 2010 a 2020, que acumulou 61,8%. Em números absolutos, o estudo mostrou que neste ano o número de famílias endividadas chegou a 12 milhões, número 6,5% maior do que o verificado em 2020 e 12,8% mais alto que o registrado em 2019. Em dois anos, 1,36 milhão de famílias passou a conviver com dívidas.

Muitos brasileiros economizaram na pandemia, segundo levantamento da Abima

A pesquisa da Anbima mostrou que, mesmo em um ano em que a renda das famílias foi afetada pela pandemia da Covid-19, os brasileiros economicamente ativos conseguiram poupar, muitos em razão das regras de distanciamento social, reduzindo gastos com viagens, festas e idas a bares e restaurantes. Para 56% das pessoas que conseguiram guardar dinheiro em 2020, esses gastos não feitos foram a principal razão da economia. Em 2019, quando não havia pandemia, apenas 34% dos entrevistaram que economizaram apontaram a redução desses gastos como a fonte dos recursos economizados. Em números globais, enquanto 12 milhões de brasileiros disseram, em 2019, economizar em razão de corte de gastos, no ano seguinte o total saltou para mais de 20 milhões de pessoas.

Para o consultor de investimentos Gustavo de Melo Pereira, os números mostram que existe oportunidade de crescimento do mercado financeiro brasileiro e oportunidade para maior investimento dos que já entenderam a necessidade de poupar e rentabilizar o que economizaram. "Investir no exterior também pode ser uma saída. Hoje o investidor brasileiro pode investir no mercado americano através de fundos de investimentos, ETFs (Exchange-Traded Fund), e diretamente em ações por muitas corretoras do país, por exemplo", conclui.

DINO Este é um conteúdo comercial divulgado pela empresa Dino e não é de responsabilidade do Terra
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