No meio do caminho, entre Brasil e Argentina, está a situação da Venezuela
Os integrantes dobloco estão reunidos em Buenos Aires, capital da Argentina, onde será realizada, na quinta-feira (3), a 66ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul
O Brasil assumiu nesta semana a presidência rotativa do Mercosul com o compromisso declarado de intensificar a integração regional e retomar o protagonismo nas negociações internacionais. No entanto, o novo mandato brasileiro chega em meio a fortes divergências políticas dentro do bloco.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido uma agenda de estímulo ao desenvolvimento industrial e valorização de acordos multilaterais, enquanto Javier Milei, presidente da Argentina, sustenta uma postura oposta, baseada no liberalismo econômico, redução da presença estatal e abertura comercial irrestrita.
Brasil e Argentina divergem sobre Venezuela
A contraposição de visões preocupa diplomatas e representantes do setor produtivo. Entre os temas mais sensíveis está o acordo Mercosul-União Europeia, negociado há mais de 20 anos. O governo brasileiro sinaliza interesse em acelerar sua ratificação. Assim, enxerga no tratado uma oportunidade de modernizar o comércio exterior e ampliar o acesso a mercados estratégicos. Em contrapartida, Milei já indicou que pretende reavaliar os compromissos tarifários assumidos anteriormente, alegando riscos à competitividade de setores tradicionais da economia argentina.
Outro ponto de atrito envolve a discussão sobre maior integração produtiva e fortalecimento de cadeias regionais de valor. Lula aposta na ideia de projetos conjuntos de infraestrutura e industrialização que beneficiem todo o bloco. Já o governo argentino defende flexibilizar as regras do Mercosul, permitindo que cada país firme acordos comerciais bilaterais sem precisar de consenso entre todos os membros.
Especialistas em relações internacionais observam que essa disputa de agendas pode atrasar decisões importantes. Além disso pode gerar incertezas para setores estratégicos, como o automotivo, agrícola e têxtil. Vale lembrar que o Mercosul representa aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto da América do Sul e tem papel decisivo no equilíbrio econômico do continente.
Apesar das diferenças, Brasil e Argentina mantêm laços comerciais estreitos. Somente em 2024, o comércio bilateral movimentou mais de US$ 25 bilhões, incluindo máquinas, derivados de petróleo e grãos. O futuro do bloco dependerá da disposição de Lula e Milei para construir pontes diplomáticas e evitar crises institucionais que possam comprometer a credibilidade do Mercosul e prejudicar as economias nacionais.