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Zelensky questiona Israel: 'Por que não enviam armas para a Ucrânia?'

20 mar 2022 - 16h28
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O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky fez uma reprimenda pública a Israel em discurso ao parlamento israelense neste domingo, perguntando por que o país não está fornecendo defesas para seu país ou sancionando a Rússia pela invasão.

Foto de arquivo do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky falando em entrevista à Reuters.
Mar 1, 2022. REUTERS/Umit Bektas
Foto de arquivo do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky falando em entrevista à Reuters. Mar 1, 2022. REUTERS/Umit Bektas
Foto: Reuters

Em resposta a Zelensky, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Yair Lapid, não se comprometeu, dizendo em comunicado que Israel continuará ajudando os ucranianos "tanto quanto for possível". O país enviou um hospital de campanha e outras ajudas humanitárias à Ucrânia.

Mediador na crise Ucrânia-Rússia, Israel condenou a invasão russa. Mas tem sido cautelosos em prejudicar as relações com Moscou, uma potência na vizinha Síria, onde as forças israelenses frequentemente atacam milícias pró-iranianas.

"Todo mundo sabe que seus sistemas de defesa antimísseis são os melhores... e que vocês podem definitivamente ajudar nosso povo, ajudar a salvar as vidas de ucranianos, de judeus ucranianos", disse Zelensky, que também é judeu, ao Knesset em uma videochamada.

"Podemos questionar por que não podemos receber armas de vocês, por que Israel não impôs sanções poderosas à Rússia ou não está pressionando os negócios russos", disse ele no discurso, um dos vários que fez a legislaturas estrangeiras.

Ele mencionou o sistema Iron Dome de Israel, frequentemente usado para interceptar foguetes disparados por combatentes palestinos em Gaza.

"De qualquer forma, a escolha é sua, irmãos e irmãs, e vocês devem então viver com sua resposta, o povo de Israel", disse Zelensky.

O primeiro-ministro israelense Naftali Bennett, que conversou com o mandatário russo Vladimir Putin há duas semanas em Moscou e tem falado frequentemente com ele e com Zelensky, desde então, estava entre os mais de 100 dos 120 membros do parlamento que participaram da videochamada.

Ele não fez nenhum comentário imediatamente após a fala do líder ucraniano.

Em seu discurso, Zelensky fez uma comparação entre a ofensiva russa e o plano da Alemanha nazista de exterminar os judeus europeus durante a Segunda Guerra Mundial.

"Ouça o que está sendo dito agora em Moscou, ouça como eles estão dizendo essas palavras novamente: a solução final. Mas desta vez em relação a nós, à questão ucraniana", disse ele.

Zelensky não citou nenhuma evidência para fazer essa alegação ou identificar quem poderia ter usado o termo. Putin usou uma expressão que significa "decisão final/resolução final" uma vez nos últimos 30 dias, de acordo com o monitoramento da Reuters sobre seus comentários, mas não em um contexto que carregasse a mesma ressonância ou significado da terminologia nazista.

A referência de Zelensky foi condenada pelo Yad Vashem, o memorial de Israel em Jerusalém que presta tributo aos seis milhões de judeus mortos pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. Ele disse que tais "declarações irresponsáveis" banalizaram os fatos históricos do Holocausto.

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