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Vigília marca 20 anos da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes pela Polícia Metropolitana de Londres

Nesta terça-feira (22), às 10h06 da manhã, foi observado um minuto de silêncio na entrada do metrô Stockwell, região sul de Londres. Foi uma vigília que reuniu familiares e amigos do brasileiro Jean Charles de Menezes, executado há 20 anos pela Polícia Metropolitana de Londres.

22 jul 2025 - 09h56
(atualizado às 11h57)
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Nesta terça-feira (22), às 10h06 da manhã, foi observado um minuto de silêncio na entrada do metrô Stockwell, região sul de Londres. Foi uma vigília que reuniu familiares e amigos do brasileiro Jean Charles de Menezes, executado há 20 anos pela Polícia Metropolitana de Londres.

Por Yula Rocha, de Londres

Simpatizantes trouxeram flores. Uma banda de música andina tocou flautas e violões em homenagem ao imigrante latino. Há exatos vinte anos, o eletricista foi executado pela Polícia Metropolitana com sete tiros na cabeça, quando ia para o trabalho. A cidade estava em alerta após os atentados terroristas de 7 de julho de 2005, o maior ataque sofrido pelo Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial.

Jean foi confundido com um dos suspeitos de planejar novos atentados a bomba no transporte público de Londres. A polícia tentou encobrir o erro e afirmou que o brasileiro, que vinha sendo seguido por dois agentes, pulou a catraca do metrô e correu. Uma história que foi desmentida graças à luta de uma família de imigrantes do interior de Minas Gerais, que se uniu contra uma das mais poderosas corporações do Reino Unido para provar a inocência de Jean. Nas palavras do primo Alex Alves Pereira, foram "anos de guerra contra a Polícia Metropolitana".

"O caso está fechado, mas nós provamos que ele era 100% inocente. Só de provar que ele não teve nenhum comportamento errado, já alegra a gente bastante", disse Alex, que veio do Brasil apenas para participar das homenagens ao primo.

Duas décadas depois, o movimento pela memória do brasileiro se mantém ativo. Na camiseta preta usada na vigília, lia-se, em inglês: "20 anos: Justiça negada." A família recorreu a todas as instâncias na Inglaterra e até à Corte Europeia de Direitos Humanos. Nenhum agente da Polícia Metropolitana foi processado — apenas uma advertência foi dada à corporação por violação da lei de saúde e segurança, seguida de um pedido formal de desculpas.

Indignação de familiares

"Perder um ente querido é muito difícil, mas ter que lidar com todas as mentiras, com a intenção de sujar o nome dele para proteger uma instituição, é inadmissível", disse a prima Vivian Menezes Figueiredo, que havia chegado a Londres há apenas três meses quando tudo aconteceu.

Mesmo após a produção de filmes, minisséries e livros sobre o caso, a família considera importante continuar a luta para honrar a memória de um inocente, inicialmente taxado de terrorista, e combater o racismo e o preconceito contra imigrantes. No último dia 7 de julho, o primeiro-ministro Keir Starmer e o prefeito de Londres, Sadiq Khan, depositaram flores no monumento em memória das 52 vítimas dos ataques terroristas. O nome de Jean Charles Menezes não foi sequer mencionado.

"Mencionar Jean é uma vergonha para o Estado, porque ele foi morto por aqueles que deveriam estar protegendo-o. Hoje, todos sabemos que ele foi uma vítima inocente do Estado", concluiu a prima Vivian.

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