Vida começa a voltar ao normal em Teerã após bombardeios e Ali Khamenei minimiza ataque dos EUA
Pela segunda noite consecutiva o cessar-fogo com Israel é mantido e moradores da capital do Irã começam a retomar gradualmente o trabalho nesta quinta (26). População havia saído de Teerã com medo dos bombardeios israelenses. Do lado das autoridades locais, o aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo país, fez uma esperada aparação pública, na qual minimizou o impacto dos ataques dos Estados Unidos às instalações nucleares de seu país.
Pela segunda noite consecutiva o cessar-fogo com Israel é mantido e moradores da capital do Irã começam a retomar gradualmente o trabalho nesta quinta (26). População havia saído de Teerã com medo dos bombardeios israelenses. Do lado das autoridades locais, o aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo país, fez uma esperada aparação pública, na qual minimizou o impacto dos ataques dos Estados Unidos às instalações nucleares de seu país.
Com informações de Siavosh Ghazi, correspondente da RFI em Teerã
Moradores de Teerã, que fugiram em massa na semana passada em busca de segurança, começaram a retornar à cidade em meio a enormes engarrafamentos nas entradas que chegam à capital. Após dez dias de portas fechadas, as lojas começaram paulatinamente a reabrir. "A volta ao normal é lenta", explicou Hesam, que trabalha em uma loja de celulares no centro de Teerã.
"O ataque com mísseis na segunda-feira (23), que atingiu a praça atrás do nosso shopping center, causou muito medo entre nossos colegas e clientes. Todos fugiram muito rapidamente", lembrou Hesam. "Na segunda-feira, 90% das lojas estavam fechadas. Na terça-feira, mais algumas voltaram a abrir e, na quarta-feira, metade das lojas já estava em funcionamento", relatou.
Internet restaurada
O governo iraniano restaurou a rede de internet na manhã desta quarta-feira (25) após dias sem sinal para a população. No entanto, metade dos bancos da capital permanecerá fechada e o horário de trabalho dos funcionários públicos retornará ao normal somente a partir de sábado.
O cessar-fogo tranquilizou muitas pessoas, embora alguns temam que seja temporário e que os combates sejam retomados a qualquer momento.
Presidente Trump exagerou na eficácia dos ataques
O líder Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, minimizou nesta quinta-feira o impacto dos ataques dos Estados Unidos às instalações nucleares do país, em sua primeira aparição pública desde o fim da guerra de 12 dias entre Irã e Israel. O aiatolá garantiu que o presidente americano Donald Trump exagerou na eficácia da ofensiva.
Os Estados Unidos, que realizaram ataques na manhã de domingo em apoio a Israel, "não ganharam nada com esta guerra", disse Ali Khamenei. "A República Islâmica venceu e, em retaliação, desferiu um tapa retumbante na cara da América", completou o líder religioso, que classificou o impacto dos ataques como "insignificante".
Após afirmar na quarta-feira que o programa nuclear do Irã havia sido atrasado em décadas pelos bombardeios americanos, Donald Trump disse que nada foi evacuado das instalações nucleares do Irã antes dos ataques. "Levaria muito tempo e seria muito perigoso e difícil de mover", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
Segundo especialistas, o Irã pode ter se antecipado ao ataque americano ao retirar seus aproximadamente 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, um nível próximo ao limite necessário para desenvolver uma bomba atômica.
Ataques não teriam destruídos prédios subterrâneos
De acordo com um documento confidencial revelado pela CNN na última terça, os ataques bloquearam as entradas de algumas instalações sem destruir os prédios subterrâneos, atrasando o programa iraniano em apenas alguns meses.
A Casa Branca confirmou a existência do relatório, mas classificou o documento como "completamente equivocado". O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, criticou a mídia por noticiar o documento. "O presidente Trump criou as condições para encerrar a guerra. Dizimou, aniquilou ou destruiu, escolham a palavra, as capacidades nucleares do Irã", disse Hegseth.
Minimizando o inimigo
O Irã respondeu aos ataques americanos na segunda-feira com mísseis contra Israel e uma base americana no Catar, antes do cessar-fogo indicado por Donald Trump, que entrou em vigor na terça-feira.
Para Ali Khamenei, o presidente dos EUA também busca "minimizar o impacto do ataque iraniano à base aérea de Al-Udeid, a maior instalação militar dos americanos no Oriente Médio".
Segundo o aiatolá, a resposta iraniana causou mais danos que o ataque norte-americano.
Washington busca acordo com Teerã
"Conversaremos com o Irã na próxima semana e podemos assinar um acordo", disse Trump. Teerã, que reafirmou seus "direitos legítimos" de desenvolver um programa nuclear civil, nega qualquer desejo de adquirir armas nucleares. As autoridades iranianas afirmaram estar prontas para retomar as negociações com Washington, que foram interrompidas pela guerra.
Um acordo firmado em 2015 entre o Irã e as principais potências mundiais para regular o programa nuclear iraniano caducou após a retirada unilateral dos Estados Unidos três anos depois, durante o primeiro mandato de Donald Trump.
Potências pedem diálogo
Para o porta-voz do exército israelense, Effie Defrin, o ataque às instalações nucleares representaram um "golpe severo no programa nuclear de Teerã, mas ainda é muito cedo para avaliar os resultados da operação".
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também considerou impossível, neste momento, avaliar com exatidão os danos e solicitou acesso aos locais.
De acordo com o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, "a agência da ONU perdeu visibilidade (sobre os estoques de urânio enriquecido) desde o início das hostilidades".
Após a votação do parlamento iraniano a favor da suspensão da cooperação com a AIEA, o Conselho dos Guardiões, responsável pela revisão da legislação iraniana, aprovou o projeto de lei nesta quinta-feira que deve ser encaminhado à presidência para ratificação final.
Considerando um "sinal muito ruim", a Alemanha pediu a Teerã que não suspendesse a cooperação. Já a França pediu ao Irã que retome "sem demora o caminho do diálogo e da cooperação com a agência da ONU".