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Venezuela: por que os militares que apoiam a oposição se identificam com fitas azuis

Desde que líderes contrários a Nicolás Maduro se levantaram na "Operação Liberdade", muitos usam sinalizações azuis nos rostos e braços

30 abr 2019
14h37
atualizado às 19h14
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O novo capítulo da crise na Venezuela, que emergiu no amanhecer desta terça-feira com a convocação pela oposição da chamada "Operação Liberdade", veio com um incremento nos símbolos usados por um dos lados envolvidos.

O presidente autoproclamado Juan Guaidó e militares fardados que o apoiam estão usando fitas e lenços azuis, tanto nos rostos quanto nos braços.

O azul, nos rostos e nos braços, tem sido usado para sinalizar a oposição a Maduro
O azul, nos rostos e nos braços, tem sido usado para sinalizar a oposição a Maduro
Foto: EPA / BBC News Brasil

Leopoldo López, outra das principais figuras da oposição ao regime de Nicolás Maduro, também apareceu com uma sinalização desta nos braços - sua aparição em liberdade, inclusive, é por si só uma surpresa, já que ele cumpria prisão domiciliar como parte de uma condenação por 14 anos.

O significado da cor para esses opositores foi explicada nas redes sociais por Carlos Vecchio, nomeado por Guaidó seu embaixador nos Estados Unidos.

"A fita identifica os venezuelanos com ou sem uniforme que se ativaram para o cessar da usurpação", diz a mensagem de Vecchio, que também convoca a população a ir à base aérea La Carlota com o distintivo.

É na base aérea localizada na capital, Caracas, que o grupo contrário a Maduro se reúne desde o início da terça-feira. Esses opositores têm chamado de "usurpação" a permanência de Maduro no poder.

Guaidó também apareceu com uma fita azul no braço
Guaidó também apareceu com uma fita azul no braço
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Já o governo classificou o levante como uma "pequena tentativa de golpe" e minimizou sua amplitude.

No Twitter, Maduro exaltou o apoio de comandos militares, como as Regiões de Defesa Integral (REDI) e as Zonas de Defesa Integral (ZODI): "Nervos de Aço! Conversei com os comandantes de todas as REDI e ZODI do país, que me manifestaram sua total lealdade ao povo, à Constituição e à Pátria. Convoco à máxima mobilização popular para assegurar a vitória da paz. Venceremos!".

Mas o uso das fitas azuis indica justamente um ponto sensível na crise da Venezuela: o posicionamento de militares diante do cisma político no país, já que nos últimos meses eles têm sido base de sustentação para o regime de Maduro.

Segundo veículos locais, a cor azul é uma forma de diferenciação entre oposição e governo, inclusive entre militares, já que a cor vermelha é historicamente usada por chavistas em homenagem ao falecido líder venezuelano Hugo Chávez.

A aparição de Leopoldo López por si só é uma surpresa: ele cumpria prisão domiciliar como parte de uma condenação por 14 anos
A aparição de Leopoldo López por si só é uma surpresa: ele cumpria prisão domiciliar como parte de uma condenação por 14 anos
Foto: EPA / BBC News Brasil

De que lado os militares têm estado - e onde estão agora?

Os militares até agora vinham apoiando Maduro e rechaçando o pleito de Guaidó - ele se declarou presidente interino em janeiro e tem o apoio de vários países, incluindo os Estados Unidos e o Brasil.

Guaidó, não só líder da oposição mas também presidente da Assembleia Nacional, tem pedido aos militares que o apoiem desde que se declarou presidente interino.

Em um vídeo publicado no Twitter, o opositor afirmou que tem o apoio de "bravos soldados" em Caracas.

"Povo da Venezuela, vamos às ruas (...) para apoiar o fim da usurpação, que é irreversível. (...) As Forças Armadas Nacionais tomaram a decisão certa, elas têm o apoio do povo de Venezuela, e o apoio da nossa constituição. Elas vão estar do lado certo da história ", disse Guaidó.

Já López disse que foi libertado por militares que declararam lealdade a Guaidó.

'Operação Liberdade' foi convocada pela oposição nesta terça-feira
'Operação Liberdade' foi convocada pela oposição nesta terça-feira
Foto: AFP / BBC News Brasil

Enquanto isso, o ministro da Informação venezuelano, Jorge Rodríguez, postou no Twitter que o governo está enfrentando um pequeno grupo de "traidores militares" que, segundo ele, estavam tentando promover um golpe.

Também na rede social, Vladimir Padrino, atual ministro da Defesa da Venezuela, disse que as Forças Armadas permanecem leais a Maduro. Ele também critica os "covardes" e "traidores" que estariam por trás do que chama de "golpe".

"As Forças Armadas permanecem firmes na defesa da Constituição nacional e das autoridades legítimas. Todas as unidades militares empregadas nas oito regiões de defesa reportaram que as coisas estão normais nos quarteis e nas bases militares, que estão sob o comando de seus comandantes locais."

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