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Setor de soja do Brasil acompanha com "preocupação" dificuldades para exportação à China

12 mar 2026 - 16h35
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A Associação Brasileira das Indústrias ‌de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) afirmaram nesta quinta-feira que estão acompanhando, "de forma atenta e com preocupação, os recentes desdobramentos relacionados aos embarques de soja destinados ao mercado chinês".

Grãos de soja. REUTERS/Dan Koeck/Archivo
Grãos de soja. REUTERS/Dan Koeck/Archivo
Foto: Reuters

O comunicado das duas entidades representativas das tradings e processadoras de grãos foi ⁠divulgado após o presidente da Cargill no Brasil, Paulo Sousa, ter ‌afirmado à Reuters, na véspera, que a empresa suspendeu operações de exportação de soja brasileira à China devido a mudanças na inspeção ‌fitossanitária pelo governo brasileiro, que têm dificultado ‌a emissão de um certificado exigido para desembarque.

Diante desse cenário, ⁠a Abiove e a Anec reafirmam que seguem atuando com autoridades "para buscar soluções que garantam a fluidez do comércio, a previsibilidade das operações, prezando pela segurança jurídica e fortalecimento das relações comerciais internacionais e pela garantia dos requisitos de fitossanidade".

Segundo Sousa, o Ministério da Agricultura do ‌Brasil adotou uma inspeção mais rigorosa para soja destinada à China, após ‌solicitação do governo chinês, ⁠e a ⁠nova fiscalização está dificultando cumprimento de normas pelos comerciantes.

A Cargill foi, em 2025, a ⁠principal embarcadora de soja para ‌a China, com quase 14 ‌milhões de toneladas, segundo dados da agência marítima Cargonave divulgados anteriormente.

A China, maior importador global de soja, foi destino de 80% das 108,7 milhões de toneladas que o Brasil exportou no ⁠ano passado, segundo dados da Anec.

Procurado pela Reuters desde quarta-feira, o Ministério da Agricultura não se manifestou.

Mas o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, falou sobre o assunto em uma entrevista para a CNN Brasil, e disse considerar que a ‌Cargill não teria sido "correta" ao atribuir a situação a mudanças de procedimento do Ministério da Agricultura.

O ministro disse ainda que "não irá precarizar o ⁠sistema sanitário brasileiro" por uma postura empresarial, que classificou como "irresponsável".

Fávaro explicou que o cumprimento do protocolo restringe sementes de ervas daninhas que não existem do lado comprador.

Ele disse ainda que a solução passa por negociações dos exportadores e compradores, além de diálogo dos dois países sobre eventuais ajustes no protocolo.

Segundo Sousa, da Cargill, a situação atual tem feito com que navios, antes programados para a China, tenham que descarregar em outros países.

A situação acontece em momento em que o Brasil está no pico de escoamento de sua safra de soja, que deverá atingir um recorde de cerca de 180 milhões de toneladas.

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