Trump é o único que pode exercer pressão efetiva sobre Netanyahu, diz especialista
Quase 600 ex-dirigentes de segurança em Israel assinaram uma carta conjunta destinada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual pedem o fim da guerra em Gaza. Segundo a análise de Denis Charbit, professor de Ciências Políticas da Universidade Aberta de Israel, o posicionamento dos signatários contrapõe as figuras de Trump e Benjamin Netanyahu nas negociações. Para o especialista, o chefe da Casa Branca é um dos únicos a ter algum peso nas decisões do premiê israelense.
Quase 600 ex-dirigentes de segurança em Israel assinaram uma carta conjunta destinada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual pedem o fim da guerra em Gaza. Segundo a análise de Denis Charbit, professor de Ciências Políticas da Universidade Aberta de Israel, o posicionamento dos signatários contrapõe as figuras de Trump e Benjamin Netanyahu nas negociações. Para o especialista, o chefe da Casa Branca é um dos únicos a ter algum peso nas decisões do premiê israelense.
Em entrevista à RFI, Denis Charbit destaca a relevância dos signatários, que vêm de diferentes órgãos de segurança israelense, e o fato de que eles se dirigiram diretamente ao presidente norte-americano, ao invés de Benjamin Netanyahu.
"Entre os signatários, encontramos o alto escalão de segurança, dos serviços de inteligência, do Mossad, da polícia, assim como um corpo diplomático, organizado há vários anos, que repetidamente expressa críticas e recomendações. E, agora, eles não estão mais se dirigindo diretamente a Benjamin Netanyahu, com a sensação de que ele não ouvirá nada, aconteça o que acontecer, mas estão se dirigindo a Donald Trump, dizendo-lhe quais medidas devem ser tomadas", avalia Charbit.
A carta foi divulgada nesta segunda-feira (4) pelo movimento batizado como Comandantes pela Segurança de Israel (CIS) e assinada por mais de 550 ex-chefes de espionagem, militares, policiais e diplomatas. Nela, os signatários pedem que "parem a guerra em Gaza!".
"A autoridade dessas figuras é reconhecida pela opinião pública israelense interessada no conflito, particularmente entre os militares. São figuras altamente respeitadas e respeitáveis, que se expressaram com firmeza, mas sem recorrer a excessos que não seriam ouvidos pelo público israelense", pontua o professor de Ciências Políticas.
Para Charbit, o posicionamento dos ex-dirigentes de segurança coloca em evidência o papel de Donald Trump nas negociações por um cessar-fogo.
"Há semanas, estamos ansiosos, nos perguntando para onde isso vai, em um contexto diplomático cada vez mais preocupante, acreditando que devemos recorrer à comunidade internacional e, neste caso, a Donald Trump, pois ele é o único que pode exercer pressão efetiva sobre Netanyahu", conclui o especialista.