Trump anuncia tropas na Polônia; Otan busca reduzir dependência dos EUA
O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, agradeceu nesta sexta-feira (22) ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela decisão de enviar 5.000 soldados americanos à Polônia.
"Quero agradecer ao presidente Trump por seu anúncio sobre a rotação, sobre o fato de que a presença de tropas americanas na Polônia permanecerá mais ou menos nos níveis anteriores", declarou durante uma reunião da Otan que acontece nesta sexta em Helsingborg, na Suécia. "Tudo está bem quando termina bem", acrescentou.
Em uma mensagem publicada em sua rede social Truth Social, Donald Trump mencionou sua relação com o presidente polonês Karol Nawrocki, um nacionalista conservador, para justificar a decisão de enviar tropas adicionais ao país.
"Dada a eleição do atual presidente da Polônia, Karol Nawrocki, que tive orgulho de apoiar, e nossas relações com ele, tenho o prazer de anunciar que os Estados Unidos enviarão 5.000 soldados adicionais à Polônia", escreveu o ocupante da Casa Branca.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, também reagiu ao anúncio do presidente dos Estados Unidos. "É claro que apoio essa decisão", afirmou ao chegar à reunião da organização na Suécia. Segundo ele, o objetivo da aliança, a longo prazo, é ser menos dependente dos Estados Unidos.
Desde o retorno do bilionário republicano à Casa Branca, os líderes europeus vivem sob a ameaça constante de um possível desengajamento americano da Otan. Nas últimas semanas, Trump anunciou a retirada de 5.000 soldados da Alemanha, sem aviso prévio à Europa.
Essas mudanças tornam a situação atual "confusa", destacou a ministra das Relações Exteriores da Suécia, Maria Malmer Stenergard. "Nem sempre é fácil se orientar", afirmou, defendendo também que os europeus reforcem seus próprios esforços de defesa.
O presidente americano Donald Trump surpreendeu os aliados da Otan ao fazer o anúncio pouco antes da reunião de sexta-feira dos ministros das Relações Exteriores da aliança, da qual participa o secretário de Estado Marco Rubio.
Essa reunião da Otan ocorre em um contexto de profundas divergências entre os Estados Unidos e países europeus sobre a guerra lançada no fim de fevereiro por Washington e Tel Aviv contra o Irã.
A decisão representa uma reviravolta inesperada, considerando as críticas constantes de Donald Trump aos membros da organização, que, segundo ele, não ajudaram o suficiente na guerra contra o Irã. O presidente americano chegou a declarar, no início de abril, que considerava retirar os Estados Unidos da aliança, fundada em 1949.
Rubio afirmou que as decisões americanas sobre o envio de tropas à Europa não têm nada de "punitivo". "Não é uma medida punitiva, é simplesmente um processo contínuo que já existia anteriormente", afirmou, mas também disse que será preciso "responder" às "preocupações" de Trump sobre o Oriente Médio.
"Os sentimentos do presidente — para falar francamente, sua preocupação em relação a alguns de nossos aliados da Otan e à reação deles às nossas operações no Oriente Médio — são bem conhecidos; será preciso responder a isso, mas isso não será resolvido nem tratado hoje", disse o secretário de Estado.
Antes de ir a Helsingborg, ele afirmou que Donald Trump estava "muito decepcionado" com membros da organização que não autorizaram o uso de suas bases pelos Estados Unidos, citando especialmente a Espanha.
"Há países, como a Espanha, que negam aos Estados Unidos o uso dessas bases — então por que fazem parte da Otan? É uma questão totalmente legítima", declarou Rubio em Miami."Para ser justo, outros países da Otan foram de grande ajuda. Mas precisamos discutir isso", acrescentou.
Autoridades da aliança destacaram que os Estados Unidos não solicitaram aos 32 membros que participassem da guerra contra o Irã, mas muitos países cumpriram seus compromissos ao permitir o uso de seu espaço aéreo e de suas bases pelas forças americanas.
Além das tensões ligadas ao conflito com o Irã, a Otan também foi abalada no início do ano pela intenção de Donald Trump de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, membro da organização.
Europeus prontos para ajudar em Ormuz
Durante a reunião em Helsingborg, os ministros europeus devem tentar reduzir as tensões com os Estados Unidos, destacando que estão prontos para contribuir para a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, quando as condições permitirem, além de assumir maiores responsabilidades pela segurança do continente.
O Irã bloqueou o tráfego no estreito, por onde normalmente passa cerca de um quinto do transporte marítimo mundial de hidrocarbonetos, desde o início da guerra.
Ainda não se sabe de onde virão as tropas adicionais que serão enviadas à Polônia. Os aliados de Washington também ficaram surpresos e preocupados com a forma como a decisão foi comunicada. Inicialmente, autoridades americanas disseram que tropas seriam retiradas da Alemanha, antes de anunciar o adiamento do envio de uma brigada à Polônia.
Os Estados Unidos também informaram que o envio planejado de mísseis Tomahawk de longo alcance à Alemanha não será mais realizado. Além disso, planejam informar aos aliados da Otan que reduzirão o conjunto de capacidades militares que disponibilizam à aliança em caso de crise.
O comandante supremo aliado da Otan, o general da Força Aérea americana Alexus Grynkewich, tentou tranquilizar os europeus nesta semana, afirmando que as reduções ocorrerão ao longo de vários anos, para dar tempo aos países aliados de desenvolver as capacidades necessárias para substituí-las.
Com agências
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