Trump ameaça ação militar no Irã em meio à escalada de tensão no país
Mortes em manifestações chegam a milhares, diz ONG
Centenas de mortes foram confirmadas no Irã durante as manifestações contra a crise econômica no país e a queda do regime dos aiatolás, mas o número real de vítimas pode ser muito maior.
Enquanto a ONG Ativistas de Direitos Humanos no Irã (Hrai, na sigla em inglês), sediada nos Estados Unidos, fala em ao menos 466 mortes, a Organização dos Mudjahedines do Povo Iraniano (Pmoi) indicou que mais de 3 mil perderam a vida entre 28 de dezembro e 11 de janeiro, tendo como base relatórios de fontes locais, como hospitais, Institutos Médicos Legais e familiares das vítimas em 195 cidades iranianas.
"O regime foi forçado a exibir alguns corpos na televisão estatal, mas os atribuiu falsamente a opositores e baderneiros", afirmou um comunicado do Secretariado do Conselho Nacional da Resistência do Irã (Cnri), com sede na França.
Um vídeo que circulou no domingo (11) mostrava dezenas de corpos se acumulando do lado de fora de um necrotério ao sul de Teerã. As imagens, geolocalizadas pela AFP em Kahrizak, mostravam cadáveres envoltos em sacos pretos ao mesmo tempo que possíveis familiares enlutados procuravam por seus entes queridos.
Em meio à escalada da tensão interna entre participantes dos protestos e forças do governo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no domingo (11) que está avaliando uma possível ação militar no país persa.
"Estamos avaliando a situação com muita seriedade, através de nossas Forças Armadas. Tomaremos uma decisão", disse Trump à imprensa, que na terça-feira (13) tem uma reunião prevista na Casa Branca com seu secretário de Estado, Marco Rubio, com o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, e com o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine.
Após o anúncio público, Trump voltou a comunicar os jornalistas que as autoridades iranianas solicitaram uma "negociação" tendo em vista suas ameaças de uma intervenção militar.
"Estamos organizando um encontro. Eles querem negociar", afirmou o americano, fazendo, contudo, uma ressalva: os EUA "poderão agir antes da reunião", que ficará a cargo de seu enviado especial, Steve Witkoff.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Teerã, Esmaeil Baghaei, "sempre aderimos ao princípio da diplomacia e da negociação, obviamente em negociações bilaterais".
No entanto, para o titular da pasta, Abbas Araghchi, os protestos a nível nacional "se tornaram violentos e sangrentos para fornecer uma desculpa" a Trump para intervir no Irã, noticiou o canal de TV Al-Jazeera.
Em uma reunião com diplomatas estrangeiros, Araghchi, disse que a violência aumentou durante o fim de semana, mas que "a situação agora está sob completo controle".
Araghchi garantiu ainda que o serviço de internet será restabelecido em breve no país, incluindo embaixadas e ministérios, após mais de 85 horas fora do ar.