PUBLICIDADE

Tropas russas entram na 2ª maior cidade da Ucrânia

Ministério da Defesa russo também afirma ter cercado duas importantes cidades no sul do país

27 fev 2022 - 08h58
Ver comentários
Publicidade
Rússia ataca 2ª maior cidade da Ucrânia - 27/02/2022
Rússia ataca 2ª maior cidade da Ucrânia - 27/02/2022
Foto: REUTERS/Gleb Garanich

Em mais uma manhã (madrugada em Brasília) marcada por combates e bombardeios, as tropas russas continuaram a avançar sobre o território ucraniano, atacando infraestruturas estratégicas do país. Kiev voltou a ser bombardeada e cidades no sul do país foram cercadas pelas forças russas -- que também entraram em Kharkiv, segunda maior cidade da Ucrânia, segundo agências internacionais.

Autoridades ucranianas confirmaram uma "incursão" de tropas russas no centro de Kharkiv, cidade com 1,4 milhões de habitantes, localizada a nordeste de Kiev. "Houve uma incursão de veículos leves do inimigo russo na cidade, inclusive na parte central", disse Oleg Sinegubov, responsável pela administração regional. "As forças armadas ucranianas estão eliminando o inimigo", acrescentou.

Vídeos compartilhados pelas redes sociais -- e também por representantes do governo, como o conselheiro do Ministério do Interior Anton Herashchenko -- mostraram blindados russos passando por uma rua da cidade.

Mais cedo, o gabinete do presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, havia informado que a Rússia havia explodido um gasoduto em Kharkiv. O governo emitiu um alerta à população a se protegerem da fumaça, cobrindo as janelas com panos úmidos.

A ofensiva russa no sul do país também progrediu. De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, o exército cercou duas grandes cidades na região, Kherson e Berdyansk, que somadas têm cerca de 400 mil habitantes.

"Nas últimas 24 horas, as forças armadas russas bloquearam completamente as cidades de Kherson e Berdyansk", informou o ministério, citado pela agência TASS.

Em Kiev, grandes explosões foram registradas em um depósito de combustível ao sul da capital, iluminando o céu na madrugada de domingo, 27 (noite de sábado no Brasil).

A causa das explosões não está clara. Mais cedo, autoridades ucranianas haviam alertado a população para a possibilidade de bombardeios iminentes da Rússia, e sirenes haviam soado em Kiev.

A equipe da CNN registrou duas grandes explosões a sudoeste da capital. Imagens da emissora americana gravadas na capital mostram o céu noturno fortemente iluminado no horizonte.

De acordo com o Kyiv Post, a explosão ocorreu em um depósito de combustível em Vasilkov, a cerca de 30 km do centro da capital ucraniana. Imagens divulgadas pelo veículo ucraniano no Twitter mostram um foco de incêndio e uma coluna espessa de fumaça.

Os ataques sobre Kiev começaram de madrugada. O exército da Ucrânia afirmou que os russos "atacaram uma das unidades militares na Avenida Perehomi", a segunda via mais longa da capital.

"O ataque foi repelido", acrescentaram. Não houve comentários dos militares russos. O comando da Força Aérea ucraniana relatou intensos combates perto da base aérea de Vasilkiv, no Sudoeste da capital, e disse que esteve sob ataque de paraquedistas russos.

Segundo a Reuters, um projétil atingiu uma área perto do aeroporto, danificando uma base militar. Uma testemunha também confirmou que tiros foram registrados perto de prédios governamentais no centro da cidade no amanhecer.

Forças russas tentaram dominar a usina hidrelétrica de Kiev, mas há relatos divergentes sobre quem controla a instalação. Autoridades ucranianas disseram ter impedido um míssil de atingi-la.

Autoridades americanas e ucranianas informam que dois aviões russos de transporte militar Ilyushin Il-76 foram derrubados, mas não ofereceram imagens confirmando os abatimentos, o que reduz a plausibilidade da afirmação.

O primeiro teria sido perto de Bila Tserva, a 85 quilômetros ao sul de Kiev. O segundo teria sido abatido perto de Vasylkiv, a 40 quilômetros ao Sul. Essas aeronaves podem transportar equipamentos ou soldados, cada uma com capacidade para 125 paraquedistas. Ainda não há informações sobre vítimas nem sobreviventes. A Rússia não se manifestou sobre os supostos episódios.

Em pronunciamento, o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, afirmou que a noite de sábado para domingo foi "dura" e denunciou bombardeios russos em zonas residenciais. "A noite passada foi dura, houve tiros de novo, novamente se registraram bombardeios em bairros residenciais e contra infraestruturas civis", afirmou em um vídeo.

Autoridades militares garantiram que a capital ainda está sob controle das forças ucranianas e, em um comunicado, afirmaram que a Rússia está usando sabotadores e gruupos de reconhecimento, que estão destruindo a infraestrutura civil e matando civis em grandes cidades.

Concentração de tropas russas

No terceiro dia de batalha, a Rússia intensificou os seus bombardeios e investiu, com ataques pontuais, contra alvos em Kiev, que registrou bombardeios e tiroteios em várias regiões ao longo do dia.

Apesar da ação de grupos táticos, o grosso das tropas russas perto da capital concentra-se a cerca de 30 quilômetros ao norte, segundo a inteligência britânica, e o ataque principal ainda parece não ter começado.

Mais da metade dos quase 190 mil soldados da Rússia concentrados na fronteira com a Ucrânia já foram deslocadas e agora participam do ataque ao país.

Segundo os EUA, é um aumento de 50% em relação aos soldados mobilizados na véspera, quando só um terço do contingente foi acionado.

As tropas russas continuam a avançar em três eixos, do Sul, do Norte e do Leste. Dentro da Ucrânia, há relatos de deslocamento de artilharia pesada russa, o que pode significar em breve um aumento do uso de armas que provocam maiores estragos — e mais vítimas civis e militares.

Estadão
Publicidade
Publicidade