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Três meses após cessar-fogo, situação na Faixa de Gaza continua precária

Há três meses, israelenses e palestinos concordaram com uma trégua em Gaza. Enquanto o plano de paz americano não avança, a situação no enclave continua precária.

10 jan 2026 - 09h36
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Frédérique Misslin correspondente da RFI em Jerusalém, e Rami El Meghari, em Gaza

A fase 2 do cessar-fogo idealizado por Donald Trump ainda não começou, mas, nos últimos dias, houve alguns movimentos diplomáticos. O plano prevê a criação de um Conselho de Paz que, em princípio, seria presidido pelo presidente americano. Mas é provável que o órgão seja liderado por um ex-diplomata búlgaro.

Nickolay Mladenov ainda não foi oficialmente nomeado, mas já está em Gaza e se reuniu com israelenses e palestinos nos últimos dois dias.

Aos 53 anos, o diplomata búlgaro tem vasta experiência: ex-ministro das Relações Exteriores, também atuou como enviado especial da ONU para a Paz no Oriente Médio entre 2015 e 2020.

Composto por cerca de 15 membros, o Conselho de Paz é apresentado como um precursor de um governo de transição para a Faixa de Gaza. Donald Trump poderá anunciar sua composição na próxima semana. O órgão terá a missão de supervisionar a reconstrução do enclave após mais de dois anos de guerra, garantindo o desarmamento do Hamas, o destacamento de uma força de segurança internacional e a retirada do exército israelense.

Cessar-fogo frágil

"Este cessar-fogo é frágil; não é completo, já que as violações são diárias. Mas estamos longe da situação que existia antes de 10 de outubro", observa Hasni Abidi, que dirige o Centro de Estudos e Pesquisa sobre o Mundo Árabe e Mediterrâneo. "Da perspectiva palestina, a questão humanitária é muito importante porque estamos longe de alcançar nossos objetivos. Podemos ver claramente hoje que a fragilidade do cessar-fogo tem consequências diretas no cotidiano dos palestinos em Gaza."

Em Khan Yunis, Tarek, um especialista em TI originário de Rafah, foi deslocado pela guerra. "Desde que o cessar-fogo entrou em vigor, há muito mais produtos disponíveis", diz, observando os vendedores ao seu redor. "Os preços subiram: painéis solares, baterias, celulares e cigarros também. Tudo subiu."

Ashraf, dono de uma loja de verduras, confirma. "Todos nós dependemos da abertura das fronteiras por Israel. Quando elas fecham, os preços sobem. Vendo um quilo de tomates por 14 shekels, ou US$ 4 (cerca de R$ 21). Antes, eu vendia por apenas quatro ou cinco shekels", explica.

Muitos moradores da Faixa de Gaza sequer têm acesso ao a itens básicos. Dalia vive com seus quatro filhos em um abrigo improvisado perto da praia. "Preciso de uma barraca nova. Durante a última tempestade, a nossa desabou enquanto tomávamos café da manhã", lamenta a mãe.

"A situação continua a mesma, sem nenhuma mudança real. Ainda estamos vivendo em uma tenda, sem privacidade nem estabilidade. Quero voltar para casa e retomar minha vida normal. Quero que o governo mude para que esse estado constante de guerra termine", diz Rawane, outra mãe de família palestina.

Israel e o Hamas acusando-se mutuamente de violar regularmente a trégua em vigor. Mais de 400 palestinos foram mortos nos últimos três meses, além de três soldados israelenses.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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